Cristóvão: pior que Adilson, Leão, Passarella e Geninho [Análise]

Cristóvão Borges se juntou a um time de técnicos que não deixaram saudade no Timão
Cristóvão Borges caiu. É como diz o ditado, há males que vem para o bem. Foi necessário perder o Derby para que a diretoria do Corinthians tivesse a certeza do erro que havia cometido ao trazê-lo. Infelizmente, agora, estamos mais longe do líder do que quando ele chegou, há 90 dias. Até mesmo o G-4 não é mais uma meta tão fácil de se atingir, como parecia antes. Enfim.

Durante uma boa parte da era Cristóvão, a torcida do Corinthians se dividiu entre os que suspeitavam do desastre que seu trabalho seria, devido ao seu fraco histórico em clubes anteriores, e os que clamavam por uma chance, relembrando os vários momentos difíceis que Tite havia passado (e superado) no clube. Afinal somos o clube que havia tido três técnicos em oito anos, que ficamos conhecidos por confiar nos treinadores, lhes dar estabilidade. Não podia ser diferente com o Cristóvão, então.

O problema é que, infelizmente, torcedor tem memória curta. Esquece com facilidade. E por causa disso, não se dá conta de um fato: trabalhos como os de Mano Menezes entre 2008 e 2020 e Tite entre 2010 e 2013 são exceções no Corinthians... não regra. Para constatar isso basta olha um pouco para o passado: antes deles, o último treinador que havia conseguido ficar uma temporada inteira no Parque São Jorge havia sido Carlos Alberto Parreira, em 2002. Antes dele chegamos a Vanderlei Luxemburgo, em 1998. E antes dele, temos que recuar até Mário Travaglini, que dirigiu o Corinthians entre 1981 e 1983!

Fazer uma análise histórica também nos permite perceber o quão ruim o trabalho de Cristóvão foi. Não seria muito justo comparar seu trabalho com os de Tite e Mano. Então resolvi ir mais a fundo: comparei seus números com os de todos os técnicos do Corinthians no século XXI. E o resultado foi muito interessante.

Cristóvão Borges dirigiu o Corinthians em 18 jogos. Venceu sete, empatou cinco e perdeu seis. Com ele o clube marcou 23 gols e sofreu 20. Um baixo aproveitamento de 48,1% dos pontos - um número pior não apenas pior do que as três passagens de Tite e as duas de Mano Menezes, mas também pior que Adilson Batista, Emerson Leão, Daniel Passarella, Antônio Lopes e até mesmo Geninho na sua primeira passagem. Além disso, só foi um pouco melhor que Ademar Braga, outro que passou pelo Corinthians, mas não convenceu.

No gráfico abaixo, você pode fazer a comparação por conta própria. Listei todos os técnicos do Corinthians desde Dario Pereyra (2001) por aproveitamento de pontos. Apenas não inclui Jairo Leal e Fábio Carile, interinos. Confira:
Lista de técnicos do Corinthians desde 2001, por aproveitamento de pontos (%)
Os trabalhos parecidos com o de Cristóvão Borges deixaram pouca ou nehuma saudade no Corinthians. Vamos relembrar um pouco?

Geninho (2003)
55 jogos. 24 vitórias, 13 empates, 18 derrotas. 91 gols marcados, 73 gols sofridos. Aproveitamento de 51,5%

Geninho foi contratado no início de 2003 para o lugar de Carlos Alberto Parreira, que no ano anterior levou o Corinthians aos título do Rio-São Paulo e da Copa do Brasil, além do vice no Brasileiro. Começou bem, mantendo o bom futebol. e chegou a conquistar o título paulista sobre o São Paulo. No entanto, o time começou a alternar resultados: ganhou apenas um dos seis primeiros jogos no Brasileiro e amargou a eliminação na Libertadores, diante do River Plate (ARG). Chegou a ficar em 4º lugar na 12ª rodada, mas a saída de 12 jogadores só fez piorar o futebol. A gota d'água foi a humilhação sofrida no Sul, quando perdemos por 6x1 para o Juventude. Geninho pediu demissão ao vivo, pelos microfones da Globo.

Primeiro jogo: Marília 0x2 Corinthians - Campeonato Paulista, 25/01/2003
Último jogo: Juventude 6x1 Corinthians - Campeonato Brasileiro, 28/09/2003



Daniel Passarella (2005)
15 jogos. 7 vitórias, 3 empates, 5 derrotas. 27 gols marcados, 22 gols sofridos. 53,3% de aproveitamento

O argentino, que na época trabalhava com a MSI na Argentina como consultor, chegou ao Corinthians em março de 2005 para substituir Tite, demitido por Kia Joorabchian. Sua missão era clara: fazer a "seleção" de contratados da parceira, como Tevez e Mascherano, funcionar em campo. Após uma estreia desastrosa contra o Cianorte, pela Copa do Brasil, o time engatou uma sequência de 11 jogos invicto, parecendo que ia ter um bom futuro. Mas a eliminação na Copa do Brasil diante do Figueirense, seguida pela goleada por 5x1 sofrida contra o São Paulo pelo Brasileiro, acabaram causando a saída do treinador.

Primeiro jogo: Cianorte 3x0 Corinthians - Copa do Brasil, 09/03/2005
Último jogo: Corinthians 1x5 São Paulo - Campeonato Brasileiro, 08/05/2005



Antônio Lopes (2005-06)
37 jogos. 19 vitórias, 7 empates, 11 derrotas. 74 gols marcados, 43 gols sofridos. 57,7% de aproveitamento

Lopes chegou ao Corinthians em setembro, para o lugar de Márcio Bittencourt. Há os que até hoje critiquem a decisão, afinal Márcio deixou o clube na vice-liderança do Brasileiro, com 69% de aproveitamento e jogando muito bem. Foi sob o comando dele que ocorreu a goleada de 7x1 contra o Santos. Campeão brasileiro, foi mantido para a temporada seguinte, mas não conseguiu encaixar uma sequência de resultados. Acabou pedindo demissão em março após uma sequência de duas derrotas - uma para o Tigres (MEX) pela Libertadores, outra para o São Paulo pelo Paulista.

Primeiro jogo: River Plate (ARG 1x1 Corinthians - Copa Sul-Americana, 28/09/2005
Último jogo: Corinthians 1x2 São Paulo - Campeonato Paulista, 12/03/2006



Ademar Braga (2006)
15 jogos. 6 vitórias, 3 empates, 6 derrotas. 25 gols marcados, 24 gols sofridos. 46,7% de aproveitamento

Auxiliar de Antônio Lopes. Ademar assumiu o clube em seu lugar como técnico interino. Três jogos depois, porém, foi efetivado pela diretoria, após o Corinthians desistir de trazer outro nome. Foi sob seu comando que aconteceu a marcante vitória de virada contra a Universidad Católica (CHI) pela Libertadores, fora de casa e com dois jogadores a menos. Conseguiu levar o Corinthians às oitavas da Libertadores, porém mais uma vez a equipe foi eliminada de forma traumática pelo River Plate (ARG). Acabaria substituído menos de uma semana depois por Geninho, que faria sua segunda (e pior) passagem pelo clube.

Primeiro jogo: América de Rio Preto 2x1 Corinthians - Campeonato Paulista, 19/03/2006
Último jogo: Paraná 1x2 Corinthians - Campeonato Brasileiro, 14/05/2006



Emerson Leão (2006-07)
46 jogos. 22 vitórias, 13 empates, 11 derrotas. 68 gols marcados. 51 gols sofridos. 57,2% de aproveitamento

Chegou para o lugar de Geninho, que em 11 jogos comandando o Corinthians perdeu nada menos que oito vezes, deixando o time na lanterna do Brasileiro. Em seis jogos Leão conseguiu tirar o time da zona de rebaixamento, terminando a competição em um honroso 9º lugar. Mantido para 2007, não conseguiu manter o desempenho, e acabou demitido em abril após não conseguir levar o Corinthians às semifinais do Campeonato Paulista.

Primeiro jogo: Fluminense 1x2 Corinthians - Campeonato Brasileiro, 16/08/2006
Último jogo: Corinthians 2x2 Sertãozinho - Campeonato Paulista, 31/03/2007



Adilson Batista (2010)
17 jogos. 7 vitórias, 4 empates, 6 derrotas. 32 gols marcados, 24 gols sofridos. 49,0% de aproveitamento

Em julho de 2010, ano do centenário corinthiano, o clube perdeu o técnico Mano Menezes para a seleção brasileira. Para seu lugar, trouxe Adilson Batista, campeão mundial de 2000 como jogador. A expectativa era de fazer o Corinthians conquistar um título na temporada - algo possível, já que o clube era vice-líder do Brasileiro. No entanto, sob seu comando a equipe alternou entre ótimos jogos, como o 3x0 contra o São Paulo e o 5x1 contra o Goiás, com derrotas inexplicáveis para times da parte de baixo da tabela, como Avaí e Atlético-GO (duas vezes). A última partida de Adilson, inclusive, foi contra o time goiano: derrota por 4x3, em pleno Pacaembu.

Primeiro jogo: Palmeiras 1x1 Corinthians - Campeonato Brasileiro, 01/08/2010
Último jogo: Corinthians 3x4 Atlético-GO - Campeonato Brasileiro, 10/10/2010



Outros dados mostram como o trabalho de Cristóvão foi mediano. Sob seu comando o clube venceu apenas 38,9% dos jogos que disputou - a menor porcentagem desde Nelsinho Baptista, técnico do Corinthians na campanha do rebaixamento em 2007. Também não encantou pela ofensividade: os 23 gols marcados dão a Cristóvão uma média de apenas 1,28 por jogo - novamente a pior desde Nelsinho. Apenas os números da defesa ficam mais próximos do histórico recente: 20 gols sofridos, que dão uma média de 1,11 por jogo - pior que as médias de Mano e Tite, mas bem melhor que Adilson em 2010.

Agora é esperar e ver o que Fábio Carile vai conseguir conquistar com o Corinthians nessa temporada. Que tenha mais sorte que seu antecessor...

Confira abaixo os dados que basearam essa análise:

Inexplicável: a palavra perfeita para definir a nova camisa III do Corinthians

♠ Publicado por Fiel Corinthiano em ,,,
A "camisa do inexplicável" estreou com empate diante do Coritiba (Foto: Reprodução / Nike)

No dia 13, recebi por e-mail o release da Nike sobre a campanha "Corinthians não se explica". Tratava da nova camisa III do clube. O texto falava sobre como as coisas acontecem no Corinthians de um modo "além da compreensão" e sobre como a Nike usou desse "conceito" para criar a "camisa do inexplicável". Aí discorre sobre o produto altamente tecnológico da peça e sobre como eles se importam com a reciclagem e a sustentabilidade, sobre como são parceiros do Timão, etc e tal.

Eu vi a camisa, acho que todos viram. É, realmente muito bonita, como normalmente as camisas III são. Ninguém nega que a Nike tem talento e criatividade para criar peças comercialmente atrativas. Tem sido assim desde 2008, quando o movimento de lançar terceiras camisas ganhou regularidade, sendo a primeira delas aquela camisa roxa, que simbolizava o quanto o torcedor corinthiano é... roxo.

Depois, vieram outras camisas, sempre acompanhada por um "conceito" para justificar a criação:

2010: manteve-se a camisa roxa, dessa vez em tom mais escuro, com listras pretas;
2010: nova camisa, em homenagem do Centenário, essa sim cheia de referências históricas do clube;
2011: uma camisa grená, relembrando a homenagem feita pelo Corinthians ao Torino, em 1949;
2012: o manto ganhou tons de cinza, homenageando o estado de São Paulo;
2013: agora, a camisa era azul - em referência ao um jogo em 1965, onde representamos o Brasil;
2014: ano de Copa do Mundo, né, então a camisa ficou amarela (grande lógica da Nike, parabéns);
2015: ano da polêmica camisa laranja, em homenagem ao Terrão.


De 2008 a 2015, todos os uniformes alternativos do Corinthians (Foto: montagem)
Dá pra perceber que, muito embora a Nike tenha a prerrogativa de criar as camisas III e só mandar para o clube aprovar, ela sempre tentou se basear em alguma referência corinthiana para justificar a peça (mesmo que fosse uma justificativa um pouco meia-boca). Acredito que foi uma forma encontrada por eles de driblar o conservadorismo de alguns dirigente, especialmente em um clube que preza (ou deveria prezar) pelas suas tradições - e tradição, no Corinthians, significa essencialmente ser alvinegro.

Mas como hoje em dia tudo é negócio, o que vale é a camisa ser bonita, e ela vira sucesso de vendas. Aí voltamos ao raciocínio inicial desse texto: como a Nike quase sempre acaba fazendo camisas bonitas, acaba vendendo, independente da carga histórica que justifique a criação. E a grande maioria da torcida acaba aceitando calada essa realidade, abrindo os bolsos em plena crise e transformando a Arena lotada em um verdadeiro arco-íris. Viva os novos tempos.

Vejam, não me incomodo exatamente com a inovação. Não sou adepto da turma noventista, saudosa do passado, "contra o futebol moderno". Não sou um torcedor fundamentalista. Penso que certas coisas mudaram para melhor, e outras para pior. Mas acima de tudo, acredito firmemente que existe limite pra tudo nessa vida. E, para mim, a nova camisa III bateu nesse limite.

Li hoje na coluna do Teleco, do Meu Timão, que a camisa azul-degradé já virou sucesso de vendas, a ponto de fazer o clube usar o Derby de hoje para fazer campanha especial na loja da Arena. Na matéria, há o vídeo de promoção da Nike sobre o uniforme. Um video bonito, bem feito, que chega a arrepiar em alguns momentos. Na última frase, a Nike pergunta: "E por que a nova camisa do Corinthians é azul?".


A própria Nike responde: Corinthians não se explica. Simples assim. É azul porque não se explica. O que me faz pensar que poderia ser vermelha, poderia ser marrom, poderia ser branca com bolinhas... afinal não se explica, certo? É muita cara-de-pau.

Eu fico imaginando como esse conceito foi criado, nas salas de reunião da Nike. Dá a impressão de que primeiro criaram a camisa, e somente depois é que pensarem na desculpa que dariam para justificá-la. Em como fariam para emocionar o torcedor-consumidor a tal ponto de convencê-lo a se endividar para adquirir a novidade.

A nova camisa III do Corinthians é azul, porque é inexplicável. E é assim pois a Nike assim quis. Como não se explica não interessa perguntar mais nada, e dane-se a lógica, o branco-e-preto, as tradições. Dane-se tudo, apenas compre a camisa e cale a boca, torcedor. Permita que suas emoções sejam mais uma vez usadas para enriquecer meia-dúzia de pessoas enquanto seu clube de 106 anos de vida e história é, pouco a pouco, totalmente descaracterizado - e ainda pague por isso, e pague caro por favor!

O que mais lamento nessa história é que não faltariam formas de a Nike inovar no uniforme III sem desdenhar tanto das nossas tradições. É possível criar belíssimos designs em preto-e-branco, originais e criativos, basta querer. Ou então porque não remeter a algum fato histórico e criar uma camisa retrô? Esse ano completamos o centenário do nosso segundo título paulista, não seria uma justa homenagem?

As opções e possibilidades são tantas que não consigo entender porque a Nike prefere fazer o mais difícil, criando uma camisa totalmente desvinculada do clube e criando uma campanha  de promoção que explica essa camisa sem explicá-la em nenhum momento. Dessa forma a Nike não faz mais nada além de chamar o torcedor de verdadeiro trouxa. E o mais lamentável é que o torcedor parecer adorar isso. Um verdadeiro tapa na cara do corinthianismo.

Corinthians, mais coragem e menos média, por favor



Não ando com muito tempo pra escrever, ultimamente, mas de vez em quando surge algum tema que me força a interromper meus afazeres e vir aqui. Adoraria que a motivação tivesse sido positiva, como a bela vitória do último fim de semana - mas aí seria fácil, né não?

Infelizmente, e para minha decepção enquanto corinthiano, o post de hoje serve para expressar minha frustração e revolta pela nota oficial totalmente covarde e chapa-branca publicada pelo Corinthians, em resposta às cenas de violência gratuita protagonizada pela Polícia Militar no último sábado, contra aqueles que os mesmos deviam defender: os torcedores. Não bastasse a demora de dois dias para se posicionar, o texto é frio, distante e digno de quem está mais preocupado em lavar as mãos do que qualquer outra coisa - e como isso é triste de perceber.

Nós corinthianos, sabemos o quanto nossa torcida é politizada, e também sabemos o quão rica é nossa origem. Somos um clube criado pelo povo, e que trouxe ao futebol a democratização que fez desse esporte o que ele é hoje. Ao longo das décadas, o Corinthians foi um verdadeiro bálsamo para o sofrimento dessa torcida, que sempre viu no seu time uma forma de esquecer os problemas e ser feliz, nem que fosse por 90 minutos. Somos o clube que resistiu à ditadura e defendeu abertamente a luta pela redemocratização política do Brasil.

E justamente por sabermos de tudo isso, é que me pergunto: onde está esse Corinthians agora? Quando foi exatamente que esse Corinthians morreu e foi trocado por um clube que, ao ver seu torcedor apanhar de policiais por exercer seu direito de protestar, prefere fechar os olhos?

Desde que parte da torcida - principalmente a Gaviões da Fiel - iniciou os protestos contra CBF, Globo e Governo de SP (na figura de Fernando Capez, o ladrão de merenda), as reações têm sido as mais diversas. Muitos apóiam a iniciativa, por entenderem a importância do momento e saberem que se posicionar é preciso. Outros veem hipocrisia na atitude, por acharem que corinthiano não pode protestar contra a Globo pois o clube recebe dinheiro da Globo. A ideia não poderia ser mais errada, mas isso é tema para outro texto. O ponto aqui é o direito de se expressar - e de não sofrer represálias por isso!

A nota oficial, publicada há cerca de duas horas, parece ter sido escrita junto com o comando da PM. Chama de "tumulto" o abuso cometido pelos policiais contra homens, mulheres e crianças inocentes, diz que o clube pediu uma reunião com a PM para "esclarecimentos" e não dedica uma linha sequer em defesa de sua torcida. Texto frio, omisso e covarde, que não só não conforta o torcedor, mas deixa claro de que lado o clube parece estar.

No entanto, se formos pensar bem, que a atual diretoria do Corinthians não tem lá o hábito de defender com veemência sequer o próprio clube, quanto mais o seu torcedor, disso não tenho dúvidas há tempos. Se assim fosse, o nome da instituição não seria tão achincalhado como é na mídia, sem nenhuma reação minimamente decente. Se assim fosse, o clube não seria tão facilmente vitimizado por empresários de ocasião que só pensam em enriquecer, sem dar nada em troca. Se assim fosse, o torcedor não continuaria sendo segregado por status social e excluído da rotina do seu time de coração, graças a uma política de distribuição de ingressos na Arena totalmente desigual (ainda que já tenha sido pior).

O que não sabia, mas agora já sei, é que o grau de abandono chegou a um nível tal que nem mesmo dentro de nossa própria casa, existe segurança para se expressar. O recado está sendo dado: ou os protestos páram por bem, ou a polícia faz parar - tendo o Corinthians como espectador de luxo.

Corinthians, por favor, mais respeito à sua história. Tá ficando impossível te defender.


Quando as torcidas viram militância


Lembro-me do auge da minha adolescência, na escola, quando, ao mesclar minhas paixões ideológicas e futebolísticas, conversava com meus amigos de sala sobre como as torcidas organizadas brasileiras dariam grandes tropas revolucionárias: desde sempre oprimidos e recriminados, organizadíssimos e completamente unidos, ideologicamente bem orientados e carregados daquela pitada de radicalismo necessário para tal.

É claro, eram elucidações radicais, próprias de um jovem indignado com muita coisa e com bastante disposição para tentar abraçar o mundo. E, como palmeirense, ao frequentar o estádio, afastava-me desse pensamento ao observar uma oligárquica Mancha Verde, que vira e mexe tomava más decisões.
Porém, há pouco tempo, a Gaviões da Fiel ressuscitou aquele meu pensamento de anos atrás. Logo a Gaviões, tão criticada, tão rival. Mas isso se dissipou instantaneamente quando vi os uniformizados alavancando temas que de tão sociais, afugentam qualquer mínimo sentimento clubista.

Os protestos da torcida corintiana, a princípio, me geraram dois raciocínios. Primeiro: é importante demais ver o futebol entrando na luta. O esporte, sempre tão julgado por intelectuais um pouco mais conservadores (e chatos) como algo ignorante, reduzido à simploriedade de “pão e circo”, colocando Fernando Capez e sua quadrilha na parede e partindo pra cima de seus dois ‘opressores naturais’, CBF e Globo. Uma verdadeira realização para os fãs do esporte que não se contentavam em ficar apenas sabendo a nova affair do Pato.

Segundo: finalmente, é a ‘quebrada’ chegando para falar algo. Sem coletivos universitários ou militâncias partidárias, e sim o verdadeiro ‘povão’, aquele que prima tanto pelo jogo das 16h no domingo quanto por um prato de comida. Que acorda cedo na segunda sem tempo para reclamar, que tem (com justiça, e como eu) receio da polícia e sabe o que e quando algo cheira mal. O que faltou sempre foi instrução, organização e motivação – ou um estopim, melhor dizendo, afinal, motivação melhor que nosso cotidiano não existe. E o que melhor que uma torcida organizada?

No caso da Globo, a emissora só tem a perder. Deu as costas aos outros três grandes de São Paulo (que já flertam com outras emissoras), e o único clube a quem ela decidiu dar “privilégios” (muito menores do que os merecidos), a torcida deste a ataca como nunca antes. O monopólio das transmissões, pela primeira vez em muitos anos, é abalado.

A CBF permanece intocável pela frouxidão dos clubes, que permanecem omissos e submissos em meio a tantos escândalos e arbitrariedades da federação. E quando me refiro a clubes, me refiro a suas diretorias aristocráticas e poderosas, pois os verdadeiros representantes das agremiações são as torcidas, que agora começam a ter um novo e importante papel no processo de desconstrução da entidade que comanda o futebol. Em meio a tantos trâmites políticos, era o que faltava, e precisa ser mais forte.

A reivindicação por ingressos baratos é parte de uma corrente que vai ganhando mais partidários a cada dia, que é a contra o futebol moderno. Já com um discurso basicamente pronto, com pontos claros e uma retórica bem interessante, o movimento contra o futebol moderno não necessariamente assume um caráter conservador, e sim contra a segregação futbolística – afinal, quem se opôs ao apartheid sul-africano não poderia e nem deveria ser chamado de conservador.

A Gaviões novamente coloca para fora um grito sufocado de torcedores que querem de volta um bem que está sendo tirado de si. O futebol, a cada dia mais elitizado, é tomado abruptamente daqueles que o criaram e, dessa vez, o “espelho” que os exploradores nos dão em troca são bancos acolchoados, telões de última geração, escadas rolantes, cobertura contra chuva e cantinas gourmet. Pura ilusão frente à alma futebolística, que está sendo surrupiada – mas esse assunto vai longe, e pode render muitas e muitas teses.

E talvez a mais importante questão levada à tona pelos Gaviões foi a de Fernando Capez e a máfia da merenda. O mesmo Capez que, há alguns anos, conseguiu se eleger como Deputado Estadual apoiado no discurso pelo fim das torcidas organizadas. Sim, eles guardaram isso. E quando quase tudo deles foi tirado, eles resolveram ir um pouco além de pichações de muro, briga de porrete e destruição de carros alheios. A cobrança dessa vez não foi ao jogador que está fazendo corpo mole, e sim ao político que leva ao pé da letra a expressão “fácil como tirar doce de criança”. Ainda no ritmo do Carnaval, a torcida alvinegra tem feitos os desfiles da democracia, com cantos de reinvindicação e indignação. Com esclarecimento para não baixar mesmo com o verdadeiro boicote do Fantástico, que mostrou no último domingo apenas o que era conveniente em relação ao comportamento da torcida na última rodada.

E assim podemos até elucidar uma nova era nas manifestações Brasil à fora. Será que com torcidas organizadas participando de manifestações como aquelas contra o aumento da passagem de ônibus e metrô, o massacre policial aplicado nos manifestantes, em sua maioria estudantes, teria sido tão ‘bem sucedido’? É um novo tipo de massa que é chamado para o debate social. E em número suficiente para causar terror no até mais bem assessorado engravatado.

Só clamo para que a Gaviões do Fiel não deixe sua pequena revolução descambar unicamente para o lado pessoal. Que o ímpeto pela justiça social se mantenha e, quem dera, se una a outras torcidas. Todos nós, apaixonados por futebol, pedimos por paz nos estádios, mas em frente à sede da FPF e de outras organizações sanguessugas... Ah! O que menos queremos é a paz dos cartolas! Façam, com integridade, valer as palavras:

“Eu não roubo merenda, eu não sou deputado, trabalho todo dia, não roubo meu Estado [...] É guerra, é guerra, é guerra... liberdade ou guerra!”

Gabriel Proiete, 19 anos, é palmeirense, estudante de jornalismo da Universidade São Judas (SP) e fã de esportes americanos. Escreve periodicamente no Torcedores.com, é interessado em antropologia esportiva e na capacidade do futebol em mudar a vida das pessoas

Pós-jogo: Corinthians 2 x 0 São Paulo Mais do mesmo, mais uma vez

Pós-jogo: Corinthians 2 x 0 São Paulo Mais do mesmo, mais uma vez

Mais do mesmo, mais uma vez. Corinthians vence São Paulo no primeiro clássico de 2016 e mantém freguesia tricolor em Itaquera. Agora é a Libertadores.

Quatro Majestosos em Itaquera com 100% de aproveitamento, 13 gols feitos e 3 sofridos, saldo 10. O Corinthians tem uma invencibilidade incontestável quando é mandante contra o São Paulo e, ontem, mais uma vez, mostrou quem manda no confronto direto.

O jogo em si foi muito pegado, mostrando que o São Paulo não iria ser goleado como naquela memorável atuação corintiana no Campeonato Brasileiro do ano passado, inclusive, houveram alguns lances mais violentos que o comum, por parte do Corinthians já que o time são paulino possui este estilo de jogo, mais pegado.
 

O primeiro gol alvinegro surgiu de uma falha grotesca (no mínimo) do zagueiro Lucão que deu um passe espetacular para Luca que acabou abrindo o placar. Depois isso, o time deu uma recuada, esperando que o São Paulo se abrisse para contra atacar o tricolor. O rival até tentou, com dois lances de perigo, mas nada que deixasse Alvinegro ou a Fiel assustada.

Na segunda etapa o São Paulo continuou ameaçando com mais força que na primeira parte do jogo, forçando o goleiro Cássio (o melhor do jogo, a meu ver) a realizar brilhantes defesas. E, pra variar, aquela velha frase "Quem não faz, toma" virou realidade. No final da partida, bola alçada na área e Yago (zagueiro que anda se desenvolvendo, cada vez mais, mesmo com uma falha no primeiro tempo que culminou a grande defesa de Cássio em chute de Calleri) fez seu primeiro gol com a camisa do Corinthians, selando a vitória na partida.

Quanto aos estreantes, André e Giovanni Augusto, o primeiro se destacou pela disposição e por ter participado da jogada do primeiro gol mosqueteiro e o segundo por ter arriscado alguns dribles e jogadas mais ofensivas. Além disso, acredito que Yago e Guilherme Arana tiveram uma oportunidade para testar seus nervos com os argentinos Calleri e Centúrion, sendo um grande exercício para a Copa Libertadores que está para começar.

Após a vitória no clássico, o Corinthians deixa de lado o estadual para tentar iniciar com o pé direito sua jornada em mais uma Libertadores da América, contra o Cobresal nesta quarta-feira.

E viva a Democracia e a Liberdade

Durante a partida, mais uma vez, a Gaviões da Fiel estendeu faixas para protestar contra problemas que envolvem o futebol e política. Uma das faixas, inclusive, criticou a postura da Rede Globo que, preferiu evitar, ao máximo, a transmissão das faixas. Porém, deixo aqui minha satisfação e alegria pois a liberdade de expressão dos torcedores foi respeitada.

fiel-protesta-democraticamente-no-classico

Pós-jogo: Corinthians 2 x 1 Capivariano. Liberdade somente quando interessa

Pós-jogo: Corinthians 2 x 1 Capivariano. Liberdade somente quando interessa

O Corinthians venceu o Capivariano, ontem à noite, na Arena Corinthians, pelo placar de 2x1 e mantém os 100% de aproveitamento. Porém, o jogo teve um destaque negativo, não somente pelo desempenho no gramado, mas sim por um tema delicado e que, nem sempre é respeitado: a Liberdade de expressão e o livre pensamento.

A terceira rodada do Campeonato Paulista poderia ter terminado como um mero jogo onde os comandados de Tite comemorariam mais uma sofrida (literalmente) vitória contra o aguerrido Capivariano. De fato, ganhar sempre é interessante, o que dá confiança para o elenco e torcida que, aos poucos, vê um novo time sendo mondado.
Porém, gostaria de pedir ao leitor que entendesse que este texto não abordará análises táticas e nada além do que houve dentro das quatro linhas mas sim, e infelizmente, o que houve na arquibancada.
Durante a partida, a Torcida Organizada Gaviões da Fiel estendeu duas faixas em protesto sendo que uma se referia às contas do estádio alvinegro escrito "Cadê a$ conta$ do e$tádio?" e a outra "Jogo às 22h também merece punição", claramente criticando o atual sistema de transmissão do futebol onde quem mais sai prejudicado é, ainda, quem deveria ser tratado como o principal bem de qualquer clube: o torcedor.
Como se não bastasse, a Polícia Militar e alguns torcedores (não se sabe quem iniciou, de fato) entraram em conflito onde alguns torcedores acabaram se machucando.

Liberdade de expressão limitada é censura.
Liberdade de expressão limitada é censura (Créditos: worldsofleisure.com).

Dúvidas que dificilmente serão respondidas

Ao ler os sites sobre este conflito, pude perceber algo que me deixou bastante perplexo. A matéria do  Globo Esporte menciona o Estatuto do Torcedor artigo de número 13-IX é proibido "portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo" (sic).

Porém, minha dúvida é a seguinte: onde as faixas estendidas pela torcida possuem conteúdo racista ou, pior, xenófobo? Cobrar transparência na prestação de contas do nosso estádio; pedir horários melhores para o torcedor, por acaso, é um algo ofensivo a uma determinada parte da sociedade ou é pensar mais nos torcedores?

Sou crítico ferrenho das administrações dos clubes e, a meu ver, elas são as principais responsáveis pela situação do futebol nacional. Acredito, inclusive, que, se os clubes tivessem uma administração mais responsável, os horários das partidas seriam diferentes. Em outras palavras: o principal culpado não é a emissora mas sim quem não tem a menor responsabilidade de cuidar do clube do seu coração(?) com gastos absurdos e irresponsáveis. E quem paga por tudo isso? Não responderei mas tenho certeza que você, amigo(a) leitor(a), acertou.



♠ Publicado por Renato Ragazzini em ,,,,,,,,,

Pós-jogo: Corinthians 1 x 0 XV de Piracicaba - Isso é Corinthians!

 O Corinthians sofreu, demorou, mas conseguiu os três pontos em sua primeira partida oficial de 2016. O jogo teve aquele gosto especial que a torcida corintiana esteve, por muitos anos, acostumada: sofrimento (com perca de penal e gol corretamente anulado do adversário, marcação forte e muita emoção.

Os mais de 30.000 que foram matar a saudade do Corinthians depois de um longo período sem futebol presenciaram uma partida com aquele gostinho que a torcida sempre esteve acostumada: marcação forte, retranca adversária e muita, mas muita emoção e sofrimento. Nem mesmo o mais pessimista corintiano (se é que isso existe) esperaria tanto tempo para o time abrir o placar, que deixou de ser inaugurado devido a uma má cobrança de penal feita por Rodriguinho no primeiro tempo.

Pra aumentar a adrenalina, houve um gol corretamente anulado pela arbitragem do time de Piracicaba onde o jogador adversário estava em clara posição irregular, após o rebote de Cássio.

No segundo tempo, a marcação do XV continuou muito eficiente e conseguiu segurar o time mosqueteiro até o finalzinho quando, em passe inteligente de Elias para Romero que conseguiu abrir o placar e assegurar a primeira vitória em um jogo oficial do ano.

Romero faz primeiro gol do Corinthians pelo estadual
Romero faz o primeiro gol do Corinthians do Estadual (Creditos: Agência Corinthians).


Analisando taticamente, há pouco o que se destacar, pois o esquema continua o mesmo independente do contexto, o que pode ser um trunfo para o elenco que vem demonstrando muita garra neste início de ano.

Destaques do Corinthians

Se no aspecto tático não há muito o que dizer, individualmente devo mencionar dois jogadores que, a meu ver, se destacaram positivamente, Rodriguinho e Yago, um pela superação, após perder a penalidade, não se abater e ter intermediado a jogada que culminou o gol alvinegro, e Yago, pela seriedade que vem demonstrando no setor defensivo, eliminando, pouco a pouco, as dúvidas sobre nosso setor defensivo.

Nota de esclarecimento

Gostaria de pedir desculpas ao amigo(a) leitor(a) devido a não postagem deste texto na data certa (dia 1/2) devido a falta de tempo.

Pós-jogo: Corinthians 3x2 Shakhtar Donetsk (UCR) - Um fio de esperança

Romero marcou dois gols na vitória do Corinthians
Corinthians vence nos EUA com dois gols de Romero deixa a torcida mais animada para 2016 (Foto: Globo Esporte)
Por Renato Ragazzini

Em dois jogos, o Corinthians acumulou uma vitória e uma derrota, com três gols feitos e sofridos, ou seja, saldo zero. Provavelmente esta análise seria a mais simplista, e menos completa, que poderíamos fazer sobre este início de temporada do time alvinegro.

Mas temos que destacar outros pontos que deixaram o torcedor mais animado para esta temporada, apesar de mais uma perda para o futebol da China. Sim, infelizmente, perdemos nosso zagueiro Gil para o futebol asiático e suas fortunas intermináveis, mas isso é passado, bola pra frente pois temos que seguir, como sempre fizemos.

O jogo de ontem, apesar de um amistoso, se destacou, não somente pelos momentos de tensão entre Bruno Henrique e Taison, pela ótima postura tática que mantivemos, elo que insiste em permanecer no Corinthians graças ao método de trabalho e seriedade do nosso treinador.

Tite manteve o formato do esquema tático corintiano, o famoso 4-1-4-1 com Malcom e Romero pelas pontas do “segundo 4” ajudando na marcação quando o time estiver sem a posse de bola, Danilo recuando para reforçar a proteção feita por Elias e Rodriguinho mas, quando a bola estiver com a equipe, os pontas sobem junto com Danilo para ter um ataque em bloco e compacto, outra característica no Corinthians de Tite. Mas este ponto eu já salientei em minha primeira análise, postada neste blog na última segunda, e creio que não seja mais um segredo para nós.

Gostaria de destacar os pontos positivos do jogo que foram, a meu ver, dois jogadores da equipe vitoriosa: Yago e Bruno Henrique. Sim, nosso ‘primeiro volante’ vai conquistando, aos poucos, seu lugar de titular na equipe se aperfeiçoando na marcação adversária (coisa que Ralf realizava com muita competência) e auxiliando o meio com sua qualidade em iniciar jogadas (algo que o antigo ‘cão de guarda’ não tinha).

Bruno Henrique destaca corintiano na partida de ontem.
Bruno Henrique, junto com Yago, os principais destaques corintianos na partida de ontem (Créditos: Agência Corinthians).
Yago, jovem revelação corintiana, não comprometeu, atuando de forma segura e confiante, como todo zagueiro deve ser.

Claro que não podemos esquecer das falhas bizonhas do time ucraniano, porém, aproveitamos as oportunidades e Danilo (sempre ele) e Romero, por duas vezes (incrível como ele é esforçado e, aos poucos, mostra que pode ajudar) marcaram para o Corinthians.

No segundo tempo, Tite mudou o posicionamento, colocando Cristian (que ainda não mostrou porque veio), no lugar de Rodriguinho, mais recuado deixando a formação tática no 4-2-3-1. Complementando, sairam Romero, Malcon e Uendel e entraram Lucca, Marlone e Guilherme Arana.

Durante esta etapa, porém, a equipe sentiu desgaste físico típico de início de temporada e acabou levando enorme pressão do time europeu, onde Cássio, que não deixará o Corinthians (Ufa!) fez sua parte atuando de forma primorosa e ajudando a garantir a primeira vitória de 2016.

Em entrevista ao programa ‘Quatro em campo’, da Rádio CBN de SP, no fim do ano passado, Tite admitiu que conseguiu encontrar o time ‘ideal’ durante a segunda partida da temporada, no duelo pelo mesmo torneio, só que contra o Bayern Leverkusen onde acabamos vencendo pelo placar de 2x1. É verdade que os times e o contexto são completamente diferentes, porém, quem sabe, Tite não tenha conseguido encontrar o time ‘ideal’, a princípio, para que possamos recuperar o futebol de qualidade que o elenco desempenhou durante a temporada passada.

Isso só o tempo vai dizer mas o futebol apresentado, com toda certeza, deixou a torcida corintiana mais animada neste início de temporada.

Pós-jogo: Atlético-MG 1x0 Corinthians - Dos males o menor...

Por Renato Ragazzini

Assisti ao jogo atentamente para tentar elaborar minha primeira coluna pós-jogo neste blog. Como torcedor, infelizmente, vi meu time perder a partida, mas farei com que o lado racional fale mais alto do que a pura paixão. Se escrevesse somente com emoção, infelizmente, a corneta soaria contra tudo e todos mas, não seria nada justo com todos que estiveram em campo.

Considerando o contexto pelo qual ainda estamos passando (afinal, não sabemos se o time ainda pode perder ou trazer jogadores), creio que as dificuldades do time foram menores das que esperava. Pude observar o padrão tático do ano passado, no famoso e compacto 4-1-4-1, com os jogadores arriscando triangulações próximas a área adversária, muita vontade e sincronia além do normal para um time que atuou junto pela primeira vez após as férias. Danilo foi escalado como centro avante mas voltava para ajudar na marcação, buscar a bola e Romero, muito esforçado no jogo, avançava para tomar posição de Danilo, que foi feita pelo Love e Bruno Henrique, como primeiro volante, cuidando da defesa mas com um passe mais refinado do que o antigo cão de guarda, Ralf.
Posicionamento corintiano durante partida de ontem.
Posicionamento corintiano durante partida de ontem. (Crédito: Globo Esporte)


Sim, claro, a diferença técnica foi perceptível, porém, devemos considerar que teremos jogadores de qualidade como Guilherme e Luciano – que se recupera de contusão – para dar mais qualidade ao elenco.

Talvez com o conjunto inteiro a disposição, nosso “segundo quatro” seja formado por Marlone em uma ponta, Elias, Rodriguinho e Guilherme, na outra ponta. Adiantado, Luciano poderia muito bem suprir este setor. A partir daí, é deixar o tempo atuar para que busquem entrosamento.

E os reforços?
Com certeza, a meu ver, assim como a maioria de quem acompanhou o jogo, vai apontar Marlone como o principal reforço que atuou na partida de ontem. Voluntarioso e raçudo, fez o que pode para tentar mudar o placar e ajudar os demais. Isso é um excelente cartão de visitas para nosso time. Quanto ao Moisés, pareceu um pouco nervoso e errou alguns lances mas creio que será útil quando começar a conhecer o estilo de jogo dos seus companheiros de equipe.

E você, o que achou da estreia do Corinthians na temporada? Comente!

O que podemos esperar do Corinthians de Tite na temporada 2016?


O que podemos esperar do Corinthians de Tite na temporada 2016?

Menos de vinte dias de existência, 2016 já ficou marcado na memória de qualquer torcedor corintiano, infelizmente, de modo bastante preocupante. Se no segundo semestre do ano passado tivemos a oportunidade de assistir um time técnico, tático e muito unido em 2016 já não podemos ter esta certeza.

Começaremos a temporada jogando o clássico e monótono (mas sempre especial para nós) Campeonato Paulista, com times fracos, além dos grandes tentando pegar uma estrutura básica para começar, de fato, a temporada.

Porém, creio que estamos atrás justamente devido estas saídas repentinas que podem aumentar, caso Gil e Elias aceitem as propostas.

Palmeiras e Santos, até o momento, mantiveram seus elencos e, provavelmente, terão mais entrosamento que as demais equipes da competição. Nosso rival tricolor ainda está em fase de montagem e acredito estar atrás, inclusive do nosso Corinthians, pois tiveram que contratar até um novo técnico.

Enquanto isso, iniciaremos mais uma participação na Libertadores, o sonho de qualquer corintiano (afinal, quanto mais, melhor, não?) jogando contra o ‘desconhecido’ – mas atual campeão Chileno– Cobresal, no deserto chileno. Historicamente não tivemos muitas dificuldades em ultrapassar a fase de grupos (afinal, a única vez que fomos eliminados nesta fase foi em 1977, grupo que tinha El Nacional e Deportivo Cuenca, do Equador e o Internacional de Porto Alegre).


Tite terá seu primeiro grande desafio no seu retorno ao Corinthians
Tite, assim como a Fiel, terá um 2016 sabático (Crédito: Site Meu Timão)
Particularmente acredito que o Corinthians conseguirá, sem muito susto, se classificar nas duas competições, porém, devido aos argumentos já expostos, creio que teremos muitos problemas para chegar as finais de ambas já que mata-mata, literalmente, o contexto muda completamente. 

Evidente que este início de temporada nos impediu de sonhar alto, não sendo pessimista, mas realista, creio que este ano deverá ser mais sabático, envolvendo mais uma reformulação no elenco, só que, desta vez, infelizmente, mais profunda que nas últimas (como em 2014 e 2015).
Como torcedor, resta torcer pelo melhor da instituição e também do único ídolo que ainda continua no Corinthians, Tite.