Fábio Carille: a prova que o dinheiro venceu o amor à camisa

♠ Publicado por Arthur Kartalian em ,,,
Fábio Carille agradecendo a Fiel Torcida na festa pós-título do Campeonato Brasileiro (Foto: Reprodução)

"Era uma proposta para sair agora. Não sei qual clube que era, só sei que era para a China. Mas chance nenhuma de sair do Corinthians. Só saio do Corinthians quando for mandado embora. Pode vir um caminhão de dinheiro" disse o então treinador do Corinthians, Fábio Carille, no dia 17/07/2017. Porém, bastou-se apenas 309 dias e uma proposta milionária do mundo árabe para essa frase ir para os ares: o treinador anunciou hoje, 22/05/2018, que saíra do Corinthians para ir rumo ao clube árabe, Al-Wehda, recém promovido à primeira divisão da Arábia Saudita.

Cifras acima da gratidão e voos mais altos.

Um dos principais pontos que Carille disse para ficar no Corinthians era a “gratidão”. Afinal, foi o clube que lhe deu sua primeira oportunidade como treinador efetivo de uma equipe principal de futebol. Após praticamente um ano e meio com o técnico de 44 anos no comando da equipe, o clube venceu três títulos, incluindo um bicampeonato paulista, algo que não acontecia desde a época da famosa Democracia Corinthiana.

O Al-Wehda, clube que Carille irá, é recém promovido à elite árabe e tem apenas um título na sua história, sendo este na década de 1960. São mais de 58 anos sem um título sequer. Apenas como treinador do Corinthians, Carille tem 3 vezes mais títulos. Qual projeto seria esse que ele aceitou? Claramente, o dinheiro foi o único fator para a decisão do técnico. Anos e anos enchendo o bolso compensam mais que grandes títulos?

Confiamos em você. E você nos traiu.

No último domingo, escrevemos aqui no blog que as coisas mudarame talvez Carille ficasse, e perguntamos até quando. Mal sabíamos que seria apenas até a próxima terça.

No mesmo dia, na coletiva de imprensa pós-jogo contra o Sport, Carille declarou que “grande parte da imprensa mente”, que não havia nenhuma proposta oficial do Al-Hilal (outro clube árabe que Carille estava sendo sondado) e pediu a Fiel Torcida para confiar nele. E confiamos.

Passamos as próximas 36 horas criticando a imprensa, que já dava como certa a saída de Carille para o clube árabe. Foi uma declaração polêmica, tão polêmica que a ACEESP (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) repudiou a declaração do treinador e o mesmo pediu desculpas, por meio de nota oficial publicada hoje.


E hoje, por volta das 20:30, recebemos a notícia que você tinha saído, que tudo o que você disse e pediu para nós domingo, não valia de nada.

Pode ir, Carille... muito obrigado por tudo. Porém, de mercenários, aqui, nós não necessitamos. O Corinthians é maior que tudo isso.

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As coisas mudaram e talvez Carille fique. Mas, até quando?

♠ Publicado por Daniel Keppler em ,,,,
Carille deverá ficar no Corinthians. Mas somente porque outro vai para onde ele já tinha aceito ir (Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians)
Desde quinta-feira o assunto central de qualquer conversa entre corinthianos tem sido praticamente um só: a possível ida de Fabio Carille para o Al-Hilal, da Arábia Saudita, após receber uma proposta fora dos padrões do nosso futebol: 2 anos de contrato e € 3 milhões de salário por ano - praticamente R$ 1 milhão por mês, mais ou menos o triplo do que ele recebe no Corinthians.

No mesmo dia, o Corinthians enfiou 7x2 no Deportivo Lara pela Libertadores e o clima entre os torcedores ficou menos pesado - mas era difícil esquecer da situação envolvendo nosso técnico. O que só piorou com as declarações do mesmo após o jogo, onde disse que tudo não passava de especulação - ao mesmo tempo em que seus próprios pais já haviam confidenciado que a proposta existia sim e que Carille a considerava "irrecusável" e que dessa vez "ele achava que tinha que sair". Porque os pais mentiriam?
Começou aí uma guerra de informações, que vem rendendo discussões e mais discussões entre torcedores e jornalistas, todos querendo estar um passo à frente e tentar cravar uma decisão que, ao que tudo indicava, só seria divulgada nessa segunda-feira (21), mas que nos bastidores já parecia ter sido tomada. Alguns, mais ousados, também falavam em substitutos para seu lugar, defendendo a efetivação do Osmar Loss, e inclusive detalhavam como a proposta do clube árabe tinha vindo a calhar, já que parte da própria direção queria "se livrar" do Carille mas não sabiam como fazê-lo. Até em brigas com o Andres Sanchez chegaram a falar. Verdade? Mentira? Não sei dizer.

Mas outro detalhe importante poderia fazer toda a diferença nessa novela: Carille não era a primeira opção dos árabes. O Al-Hilal também estava sondando o treinador do Sporting, Jorge Jesus, para a vaga. E a proposta a ele era ainda maior, de € 7 milhões de salário por ano. Houve há algum tempo uma primeira sondagem, que ele havia recusado, mas depois disso um grave episódio ocorreu em Lisboa: vândalos invadiram o vestiário do clube e promoveu uma série de depredações e agressões, a jogadores e funcionários. Começou a circular que Jesus talvez não quisesse mais ficar por lá. E o Al-Hilal aproveitou para tentar de novo.

Chegamos então na grande nova informação, que surgiu nessa madrugada de domingo: um portal árabe chamado Al-Watan soltou uma matéria afirmando que Jorge Jesus teria acertado sua ida para o Al-Hilal. A notícia "quebrou a internet" dos corinthianos, aliviados por saber que, se o português aceitou ir para a Arábia, então Carille ficaria. Alguns outros resolveram cobrar os que criticaram a suposta decisão do técnico de sair, e criticar os veículos que haviam dado essa notícia.
Portal Al-Watan dá como certa a ida do técnico português Jorge Jesus para o Al-Hilal (Foto: Reprodução)
É nesse ponto que eu desejo chegar, sem querer defender ninguém, e muito menos julgar Carille. Independente do que o treinador falou, existem dois fatos nessa história que parecem certos:

1 - Os pais de Carille afirmaram com todas as letras que o filho recebeu SIM uma proposta e estava propenso a aceitá-la por achar "irrecusável" do ponto de vista financeiro;
2 - Se o Al-Watan estiver certo e Jorge Jesus tiver mesmo aceito a proposta do Al-Hilal, isso terá sido a ÚNICA coisa a impedir a saída de Carille do Corinthians. 

Em outras palavras: se Carille realmente ficar no Timão, não terá sido porque ele rejeitou o clube árabe, e sim porque outro técnico, que era mais desejado, também aceitou ir. Se dependesse dele, e tão somente dele, as malas estavam prontas e a passagem comprada. E é muito difícil não se preocupar com isso.

O Corinthians tem metade da temporada pela frente. Vem de um primeiro semestre onde, apesar de tudo, foi vencedor: conquistou o bicampeonato paulista e não foi eliminado de nenhum torneio, portanto ainda disputa três competições importantes: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. Um 2018 de grandes perspectivas, certo? Mas não pareceu muito difícil para o Al-Hilal fazer Carille "esquecer" disso para ir embora, em nome da tal "independência financeira" que incrivelmente ele não parece conseguir fazer aqui, ganhando R$ 300 mil ou algo parecido.

Meu ponto aqui é: Carille pode até ficar no Corinthians agora. Mas, ele realmente ESTÁ no Corinthians? Se hoje ele foi impedido de sair porque outro técnico quis a mesma vaga que ele no clube árabe, o que vai impedi-lo se amanhã outro clube oferecer a ele um salário milionário? Sim, pois a decisão dele certamente não foi motivada por projeto, certo? Se ele fosse para o Al-Hilal, não seria pelo desafio de conquistar a liga saudita. Era dinheiro, sempre foi dinheiro. E se o que move suas decisões é o dinheiro, então o Corinthians está sujeito a perder o treinador literalmente A QUALQUER MOMENTO. Que clube consegue planejar seu futuro vivendo essa ameaça diária? Dá pra planejar um segundo semestre, ou mesmo um 2019, com essa corda no pescoço?

Enfim. A ideia desse post era fazer uma reflexão e externar uma profunda preocupação com nosso treinador e com o nosso Corinthians. Pois se tem uma coisa que fez diferença ao Timão nos últimos anos foi comprometimento e foco totais. Distrações sempre nos levaram a algum fracasso. E como o próprio Carille disse, ele pode não sair do Corinthians por um caminhão de dinheiro, mas dois caminhões o forçariam a pensar. Quando será que os próximos caminhões chegam?

Com direito a goleada histórica e vitória no Derby, Corinthians sobrevive à semana mais difícil do ano

Jadson comemorando um de seus três gols no jogo de ontem (Foto: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians)

Semana passada, escrevemos aqui no blog a importância da semana que viria a seguir. Seriam três confrontos importantíssimos, por três competições diferentes. O primeiro, contra o Vitória, pela Copa do Brasil. O segundo, derby contra o Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro. E por último, o confronto de ontem contra o Deportivo Lara, pela Libertadores.

A equipe de Fábio Carille, que recebeu proposta milionária do mundo Árabe e pode estar de saída, fez três atuações exemplares, garantindo as classificações na Copa do Brasil e Libertadores e ficando em segundo lugar no Brasileiro, com a mesma pontuação do líder, o Flamengo.

Corinthians x Vitória – classificação com C maiúsculo

No jogo do último dia 10, o Corinthians enfrentou a equipe baiana em casa, pelo jogo de volta das oitavas-de-final da Copa do Brasil. Após um empate por zero a zero no jogo de ida, uma simples vitória garantia o Timão na próxima fase.

O Corinthians dominou o primeiro tempo, criou boas chances e abriu o placar aos 39 minutos, gol de Maycon. O time seguiu dominando e aos 13 minutos e aos 21 minutos da segunda etapa, Angel Romero fez dois gols e garantiu a classificação alvinegra. Aos 32, André Lima diminuiu, com um gol de bola área (mais um que o Corinthians toma) mas não adiantou... 3 a 1, Corinthians classificado. Ótima atuação da equipe e boas atuações individuais de Romero e Pedrinho. Nesse jogo, era nítido o quão importante foi poupar alguns jogadores no jogo anterior e deu para sentir que o time melhorou por conta disso.

Corinthians x Palmeiras – vitória (mais uma) no Derby aumenta confiança

Não, não é notícia velha. Pela terceira vez no ano (e a sexta entre 2017 e 2018) o Corinthians venceu o seu maior rival. A equipe teve atuação mediana, com lindos lances individuais de Romero e Pedrinho (de novo) e bateu seu principal rival por 1 a 0, com gol de Rodriguinho (de novo), aos 37 do primeiro tempo. No segundo tempo, poderia ter aumentado a vantagem, porém o goleiro palmeirense, Jaílson, realizou boas defesas e evitou outros gols corinthianos. Mais uma vitória, mesma pontuação do líder e confiança alta. O sentimento de ganhar mais uma vez do maior rival aumentou a autoestima e a confiança do torcedor em relação ao time.

Deportivo Lara x Corinthians – atuação magistral em meio ao caos

No dia de ontem (17), caiu uma bomba no Parque São-Jorge: o clube árabe Al-Hilal estaria interessado no técnico Fábio Carille, seu auxiliar, Leandro da Silva (conhecido como Cuca) e o preparador físico Walmir Cruz, além de ter rumores que os árabes também estariam interessados no meia Rodriguinho, e fez uma proposta milionária a eles. Antes de um jogo importantíssimo, fora de casa, pela Libertadores, que uma derrota poderia significar grandes dificuldades para se classificar às oitavas-de-final da competição continental. Porém, a equipe não se abalou, e fez uma atuação que parecia ter a mensagem “Fica, Carille”!

O meia Jadson abriu o placar aos 11 da primeira etapa, em um contra-ataque fatal. Aos 32, após um pênalti ingênuo cometido pelos venezuelanos em Rodriguinho, e uma breve paralisação de 4 minutos por conta de objetos atirados em campo pela torcida local, Jadson fez mais um. Depois do segundo gol, a equipe pareceu dar uma relaxada e tomou o gol aos 46 da primeira etapa. Logo no início do segundo tempo, Jadson fez o terceiro, algo que não acontecia com um jogador do Corinthians desde 01/04/2015, quando Paolo Guerrero também fez 3 gols. Após o terceiro gol, a torcida venezuelana, novamente, atirou objetos ao gramado, dessa vez, mirando o goleiro corinthiano, Cássio. O árbitro decidiu paralisar o jogo por 12 minutos. Quando o jogo retornou, o Deportivo Lara abriu e Sidcley fez o quarto aos 25 minutos, em um lance com o gol aberto. Sete minutos depois, a equipe de Cabudare diminuiu, com Jesús Hernandez. Aos 37, Romero, após belo cruzamento de Mantuan, fez um gol de “bike”, aumentando para 5 a 2. Ainda deu tempo de Júnior Dutra entrar e fazer mais dois, finalizando a goleada por 7 a 2. Com essa vitória de ontem, o Corinthians se tornou o primeiro time da história da competição a fazer sete gols fora de casa. Além de golear, o Corinthians ainda garantiu sua classificação às oitavas-de-final da competição. Dava para sentir que a equipe melhorou muito nos últimos jogos e que a goleada apenas coroou essa melhora.

A minha expectativa para os próximos jogos, contra Sport (Campeonato Brasileiro) e Millionarios (Libertadores) é que a equipe faça boas atuações e garanta pelo menos mais um ponto contra a equipe pernambucana e confirme a primeira colocação no grupo contra o Millionarios.

E você, torcedor, o que achou? Quais são suas expectativas para os próximos jogos? Comente!
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Fake news e ameaças: afinal, até onde a torcida do Palmeiras será capaz de ir?

♠ Publicado por Daniel Keppler em ,,,,,,
CBF sorteou no dia 8 os árbitros para as partidas da 5ª a 6ª rodadas do Brasileirão (Foto: Reprodução/CBF TV)
No último dia 8, a CBF fez o sorteio dos árbitros para os jogos das próximas rodadas do Brasileirão, entre eles a 5ª a 6ª rodadas da Série A. Incluiu, portanto, a escolha de quem vai apitar o Dérbi deste domingo, que no caso será Anderson Daronco.

Esses sorteios são feitos ao vivo pelo ex-árbitro Cláudio Vinícius Cerdeira e pelo presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Marcos Marinho, e transmitidos pelo Youtube. Já faz algum tempo que é assim, aliás. E antes de toda cerimônia, é feita uma explicação de como ele funciona: é feita uma pré-seleção de árbitros, onde dois árbitros são encaminhados para cada uma das partidas da rodada. Essa pré-seleção considera alguns critérios, que acabam excluindo muitos nomes - muito mais por precaução do que qualquer outra coisa. Os critérios são esses:

  • Fase da competição;
  • Importância de grau de complexidade da competição;
  • Qualificação, condicionamento físico e performance dos árbitros;
  • Jogos de clubes da federação de origem;
  • Jogos de clubes da federação atual;
  • Atuação em partidas de uma das equipes na rodada anterior;
  • Árbitros cuja designação se mostrar desaconselhável aos interesses do futebol ou à carreira do próprio árbitro;
  • Demanda jurídica entre as partes.


No sorteio (que você pode ver no vídeo acima), os árbitros pré-selecionados são colocados em duas colunas, chamadas pela CBF de "Alfa" e "Beta". A assistente, então, escolhe aleatoriamente seis bolinhas para fazer o sorteio - as ímpares representam a coluna "Alfa", e as pares a "Beta". Depois que todas são colocadas no globo, três são retiradas de lá, sendo que as duas primeiras são descartadas e a terceira é a usada para selecionar os árbitros. Se a escolhida é ímpar, os árbitros da coluna "Alfa" apitam a rodada, e se ela é par, os da coluna "Beta" apitam.
Print do relatório da CBF sobre o sorteio dos árbitros para as 5ª e 6ª rodadas do Brasileirão
Foi exatamente assim no dia 8. Tudo ocorreu como deveria, até que ao final do sorteio dos jogos da primeira divisão a bolinha 11 foi a sorteada e os árbitros da coluna "Alfa" foram escolhidos - entre eles, Anderson Daronco para a o Dérbi. Tudo OK, certo? Para os palmeirenses, não.

Dois dias depois do sorteio, uma página de palmeirenses no Facebook selecionou um trecho do final do sorteio, onde Cerdeira repassa os nomes dos árbitros sorteados para a rodada e erradamente lê os nomes da coluna "Beta". Marinho percebe o erro durante a leitura do nome de Wilton Sampaio para Corinthians x Palmeiras e corrige o colega, que em meio a uma crise de tosse interrompe sua leitura e se afasta do processo. Pois bem: a página palmeirense teve a cara-de-pau de extrair do vídeo apenas os segundos onde essa correção acontece para supostamente "denunciar" uma "marmelada" na escolha de quem apitaria o jogo, neste domingo. Irresponsabilidade ou má-fé? Nunca saberemos. Mas que é mentira, isso sabemos.
Print do vídeo que "denuncia" a "marmelada" no sorteio de árbitros da CBF
O post teve, até as 19h deste sábado, mais de 170 mil visualizações, e acumula comentários e compartilhamentos de torcedores alviverdes destilando ódio contra "mais um favorecimento" ao Corinthians (?). Alguns incitam a violência contra o juiz, inclusive.

Rotina de ameaças

O que mais preocupa, no fim das contas, é que esse comportamento virou rotina recente dessa torcida, infelizmente. Em 31 de março, causou choque a declaração de um integrante da Mancha, antes do jogo de ida da final do Paulista, falando abertamente em compra de árbitro e até mesmo no sequestro da mãe do técnico Fábio Carille. O árbitro desse jogo, Leandro Bizzio Marinho, relatou ter recebido nada menos que 25 mil mensagens ameaçadoras a ele e à sua família antes da partida - onde, aliás, teve atuação exemplar.

Já no jogo de volta, mais ataques por parte de palmeirenses, dessa vez através de uma fake news. Segundo várias mensagens veiculadas por WhatsApp e redes sociais, Marcelo Aparecido de Souza seria "corinthiano declarado", e dono de um bar "frequentado por Andres Sanchez e jogadores do Corinthians". O endereço do comércio foi espalhado, funcionários do local foram ameaçados. Familiares do árbitro, idem.

Após o jogo de 8 de abril, mais revolta e violência: a equipe de arbitragem recebeu tantas ameaças que não estavam trabalhando, seus filhos não estavam estudando e suas famílias sequer conseguiam sair de casa, o que motivou o Sindicato dos Árbitros a pedir ao Palmeiras que apelasse junto à sua torcida para que parassem com as ameaças. Não custa lembrar que, no entanto, mesmo um mês após o jogo, o clube insiste em questionar a isenção dos profissionais, desqualificando as decisões dos mesmos no caso da suposta "interferência externa".

Sem limites

Não há como saber até onde a intransigência e arrogância do presidente palmeirense Mauricio Galliotte, em não aceitar a perda do Campeonato Paulista, pode estar influenciando a torcida de seu clube a distorcer a verdade até as últimas consequências e fazer de tudo para pressionar a arbitragem antes da partida deste domingo. Mas que influencia, é certo.

Também é certo, aliás, que a rivalidade entre os clubes é enorme, mas a escalada de ódio demonstrada desde março pelos rivais não pode deixar de preocupar. Isso pois deixou de ser direcionada apenas ao Corinthians (o que já era ruim) para envolver agora os árbitros. Já são três em sequência, alvos e vítimas de verdadeiros crimes: montagens, edições, ameaças de morte. Difícil não pensar quer o objetivo é garantir uma vitória na base da intimidação, caso falte futebol a Dudu e companhia. Isso é torcer?

Por fim, só resta lamentar que as pessoas que poderiam influenciar a torcida a interromper com essa prática façam, na verdade, o inverso: alimentam as mentiras, pois elas ajudam no clima de guerra. Lamentavelmente, parecem se esquecer da dimensão de sua responsabilidade e das consequências de sua omissão. Lembremos apenas de José Arthur Tavares Martins Silva, que morreu ao ser atropelado por um palmeirense enquanto comemorava o título paulista, em Osasco. O que será que motiva atitudes assim?

Tudo o que resta é rezar para que as mentiras da vez não motivem nenhum ato de loucura neste domingo. Que todos se lembrem do que se trata o futebol. Vocês, torcedores do Palmeiras, se lembram?

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Lições do passado e cuidados a tomar para enfrentar a semana mais decisiva de 2018


Semana pode ser decisiva para o técnico Fábio Carille (Foto: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians)
Hoje (10), o Corinthians enfrenta o Vitória, na sua Arena, em jogo de volta das oitavas-de-finais da Copa do Brasil. O jogo de hoje inicia, talvez, a semana mais difícil da curta carreira do técnico alvinegro Fábio Carille. Sim, mais difícil que a semana que antecedeu seu primeiro derby. Sim, mais difícil que a turbulenta semana da queda da invencibilidade. Sim, essa semana é mais difícil que todas as outras que já se passaram com Carille no comando corinthiano.

A importância da semana

Nos próximos sete dias, o Corinthians entrará em campo três vezes, por três competições diferentes. Hoje, contra o Vitória, pela Copa do Brasil; domingo, contra o Palmeiras, pelo Brasileiro; e por último, quinta-feira, contra o Deportivo Lara, pela Libertadores. Em caso de infelizes três revezes, a equipe entrará em grande crise, afinal estará eliminado da Copa do Brasil, se afastará dos primeiros colocados no Brasileirão e se dificultará para se classificar na competição continental. Entretanto, três vitórias farão com que volte o alívio do torcedor alvinegro. Esses são os três jogos mais importantes da temporada, até o momento.

Os aprendizados

No confronto de ida, onde se iniciou essa péssima sequência de 4 jogos sem vitória, o time já demonstrava claros sinais de cansaço. Era o terceiro jogo fora de casa em uma semana. Milhares de quilômetros viajados, sem voltar para casa, sem treinar, apenas jogar.

O jogo foi 0 a 0, resultado que não traz problemas para o jogo de volta, porém a atuação da equipe foi ruim. Teve maior posse de bola, mas não ofereceu perigo e teve pouca objetividade. O primeiro aprendizado que a equipe ganhou, foi esse: o cansaço interfere no modo de jogar.

O jogo seguinte, também fora de casa, foi contra o Atlético Mineiro, no Independência. Nesse jogo, o Corinthians foi inoperante. Teve menor posse de bola, chutou apenas uma vez - e nem no gol foi -, não conseguiu jogar como o Corinthians e veio a derrota. Eis o segundo aprendizado: nem sempre a mesma estratégia funciona.

Terceiro jogo dessa série, contra o Independiente, pela Libertadores, dessa vez em Itaquera. Caso ganhasse, o Corinthians precisaria de apenas mais um empate para garantir sua classificação às oitavas de finais da competição continental. Porém, com um minuto, os argentinos abriram o placar. Depois do gol relâmpago, o Independiente ainda levou perigo, poderia ter feito mais dois, pelo menos. A equipe alvinegra parecia não ter entrado em campo. Nocauteou-se após o gol, errava tudo que tentava e demorou para se reencontrar.  Pra piorar, Angel Romero ampliou para os argentinos desviando contra a própria meta: caos em Itaquera.

O Timão demorou um pouco para se reencontrar, aos 31 minutos marcou seu único gol com Jadson, e até melhorou na segunda etapa após a entrada de Pedrinho, mas não conseguiu empatar. Para piorar a situação, Sheik, em um lance de juvenil, foi expulso após apenas dois minutos em campo. Esse é o terceiro aprendizado: apostar mais na juventude, que vem dando certo, do que na experiência, que cada vez mais vem falhando.

Por fim, no quarto jogo, o Corinthians enfrentou o Ceará, novamente em sua casa. Dessa vez, Carille optou por um time "alternativo", descansando jogadores que estavam no limite de sua energia. Desatento, voltou a sair atrás, em um golaço de Wescley. Tentativas não faltaram, mas o Corinthians não conseguia marcar o gol de empate. Até pouco antes do gol, a equipe havia tentado 12 jogadas pelo ar, não ganhando nenhuma. Marquinhos Gabriel, que foi bastante criticado pela Fiel, perdeu algumas chances. Roger fez uma atuação na média, apesar de perder dois gols "feitos" no final do jogo, que poderiam ter dado a vitória ao Corinthians. Henrique teve uma atuação defensiva sólida e marcou o gol de empate, aos 30 do primeiro tempo.

A única atuação que realmente foi de se elogiar nesse jogo, novamente, foi a do garoto Pedrinho. O jovem atacante parecia ser o único jogador da equipe incomodado com o empate. Driblava, corria, tentava... a torcida reconheceu o seu esforço e aplaudiu o garoto quando ele foi substituído por Émerson Sheik aos 35 da segunda etapa. Além de tentar, Pedrinho teve dois pênaltis não marcados pelo árbitro Sávio Pereira. Então o quarto aprendizado é: Pedrinho realmente merece sua chance. Merece e conseguiu: para o jogo de hoje, o menino será titular.
Pedrinho melhorou o Corinthians em todos os jogos onde entrou - ganhou a titularidade como prêmio (Foto: AFP)
Os cuidados que a equipe deve ter

Todos sabem que, ano passado, a equipe que tirou a invencibilidade do Corinthians no Campeonato Brasileiro foi o Vitória. Apesar de muito tempo ter passado, a equipe de Fábio Carille parece ainda não saber como jogar contra a equipe comandada por Vágner Mancini. Um cuidado é certo: com os contra-ataques. É muito possível que a equipe baiana deixe que o Corinthians proponha o jogo para buscar os 3 pontos no contragolpe.

É aí entra o primeiro aprendizado: uma equipe cansada é presa fácil no contra-ataque. Carille parece ter percebido isso e a equipe que entra hoje está descansada. Para o jogo de hoje, o xodó da torcida, Pedrinho, será titular. Após uma sequência de ótimas atuações, a comissão técnica achou que está na hora do garoto receber uma sequência de jogos como titular - hoje, será o segundo jogo seguido, e tem tudo para se destacar novamente, como vem fazendo sempre que entra nas partidas!

Tanto o terceiro quando o quarto aprendizados justificam essa escalação: Sheik pouco vem fazendo quando está no time, e algumas vezes até prejudica a equipe. Já Pedrinho sempre muda a equipe para melhor: traz mais imprevisibilidade, dribles e velocidade, que podem ser fundamentais em jogos contra adversários como o de hoje.

Por fim, estratégia - o segundo aprendizado. Os próximos três jogos s podem ser igualmente decisivos, mas compreendem circunstâncias de jogo totalmente diferentes! Enfrentar o Vitória e o Palmeiras em casa não é garantia de que uma mesma abordagem terá sucesso. Nossa Arena não basta, apesar de ser importante. Basta lembrar que nosso rival do domingo é apenas o atual melhor visitante do país: 15 jogos e apenas uma derrota - justamente para o Corinthians. Derrota, aliás, que só ocorreu porque o próprio Timão mudou a estratégia que falhou no jogo de ida da final do Campeonato Paulista, não custa lembrar.

Da mesma forma, é inocência pensar que o jogo em Barquisimeto, contra o Deportivo Lara será sequer parecido com esses dois que acabei de citar. Além de a logística da viagem até a Venezuela ser um verdadeiro pesadelo, os donos da casa sabem como engrossar o jogo. Novamente, saber ajustar a estratégia será a chave de uma possível (e necessária) vitória.

E você, Fiel Torcedor, concorda? O que acha que deve ser feito nos próximos jogos? Comente!

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1 ano de #PrimeiraForça e 1 mês de #PaulistinhaDay: que lições tirar dessas memórias?

♠ Publicado por Daniel Keppler em ,,
As conquistas recentes do Corinthians podem ajudar o clube a saber o que fazer no próximo Derby (Foto: Reprodução/Twitter)
Os últimos dois dias foram marcantes e cheios de lembranças para a Fiel Torcida. E o motivo é simples: ontem, dia 7, nosso título Paulista de 2017 completou um ano; e hoje, dia 8, o título Paulista desse ano completa um mês!

As duas lembranças são muito importantes, para todos nós. A do estadual de 2017, penso eu, nos força a se dar conta de que, em um momento difícil da história do Corinthians, em todos os sentidos, conseguimos comemorar três títulos. Sim, TRÊS troféus em um ano! Quem comemorou tanto em tão pouco tempo?

De certa forma, recordar essa realidade nos faz colocar um pouco as cobranças no lugar. Sim, o Corinthians é um clube gigante e, sim, as expectativas sobre o time nunca podem ser baixas. Afinal, conhecemos os limites do time e sabemos até onde ele pode chegar, se trabalhar duro e aproveitar a força da torcida. Mas, será que às vezes não passamos do ponto? Melhor: será que dava pra fazer muito mais que isso, com o elenco que aí está?

Em 2017 Fábio Carille pegou um elenco desmotivado e vazio de confiança, para transformá-lo na melhor equipe do País. Mesmo ganhando muito menos dinheiro de patrocínio que o Flamengo, sem um dono parceiro trilionário por trás como o Palmeiras, e tendo que lidar com uma dívida como a da Arena, a superioridade foi inevitável. Apenas o Grêmio, talvez, tenha lembranças tão positivas desse ano quanto a gente (e com razão, afinal uma Libertadores é uma Libertadores).
Então vem 2018. A diretoria desafia a capacidade do nosso treinador de fazer o nada render, vendendo nossos principais destaques e demorando a repor (ou sequer repondo, como nos caso do centroavante). Os números pioraram, algumas derrotas estranhas aconteceram, dificuldades táticas permaneceram, mas Carille tirou da cartola um 4-2-4 com Rodriguinho de falso 9 e fez seu Corinthians render o suficiente para calar o Allianz Parque naquele histórico 8 de maio, e fazer o Timão voltar a ganhar um bicampeonato Paulista depois de 35 anos.
Festa à parte, porém, havia trabalho a fazer, e o próprio Carille admitiu isso ao afirmar que o Corinthians concluía o Paulista sem um esquema tático bem definido, como havia acontecido em 2017. Some-se a isso o desgaste, e tivemos dificuldades nesse primeiro mês após o #PaulistinhaDay. Lesões inesperadas parecem ter forçado uma rodagem de elenco que, talvez, não fosse planejada nessa intensidade, e os tropeços previsíveis se confirmaram: já são 4 jogos sem vencer, e os próximos são dois desafios: uma decisão de mata-mata pela Copa do Brasil contra o Vitória, e em seguida nada menos que o reencontro com o Palmeiras - que ainda não parou de chorar pela partida de um mês atrás. Como lidar com uma sequência dessas?

Talvez a resposta possa ser tirada das próprias lembranças recentes. O sucesso dos times que possibilitaram a #PrimeiraForça e o #PaulistinhaDay passou diretamente por uma conjunção de fatores bem conhecidos: autoconhecimento, foco, disciplina tática, sinergia com a torcida e, acima de tudo, muita humildade. O Corinthians venceu rival atrás de rival sabendo onde pisava  e sem salto alto. E conseguiu ter sucesso, mesmo quando ninguém esperava!

Não sei até que ponto algo dessa receita vem faltando ultimamente. De repente, os desfalques fizeram o time perder a liga que o fazia ser exemplar. Mas é possível retomar o desempenho, e nada como um clássico para dar à equipe o gás extra de que precisa. Mesmo que, na pior das hipóteses, o time falhe nesta quarta e saia da Copa do Brasil, voltar a vencer o Palmeiras no domingo pode representar um novo marco na temporada, assim como foi ano passado... poderia, facilmente, ser uma virada rumo a mais conquistas - mais uma de muitas no passado recente do Timão. A conferir!

Corinthians 1x2 Independiente: derrota fora de hora em Itaquera

♠ Publicado por Daniel Keppler em ,,,,
Sheik se tornou o primeiro jogador desde 2013 a ser expulso de um jogo de Libertadores sem tocar na bola (Foto: Reprodução)
Em 2014, a seleção brasileira sofreu um apagão e tomou cinco fatídicos gols em pouquíssimos minutos diante da Alemanha, no Mineirão. Ontem, uma das defesas mais sólidas do país passou pelo mesmo blackout, mas conseguiu se reerguer antes que o vexame batesse na porta.

Corinthians e Independiente inverteram papéis, tanto em Avellaneda, quanto em Itaquera. Lá, o Timão foi argentino. Como se estivesse em casa, se adaptou ao estilo de jogo do adversário, foi copeiro e saiu com a vitória. Aqui, o "Rei de Copas" deu uma de Corinthians. Foi para cima nos primeiros minutos, aproveitou as chances que teve e não vacilou lá atrás. Mortal e sutil.

Depois de um primeiro tempo horrível, o Time do Povo voltou para a segunda etapa abastecido e motivado pelo gol de redenção marcado antes do intervalo. Por alguns instantes, parecia que o Corinthians voltaria a ser Corinthians, mas fantasmas do passado pareciam pairar pela Zona Leste na noite de ontem.

O primeiro a ser assombrado foi Rodriguinho. Desastroso em campo, o meia abandonou o apelido de "Reidriguinho" para reencarnar o famoso "Podriguinho". Depois de errar tudo o que tentou, esperamos que ele tenha conseguido espantar esse fantasma que, ao meu ver, pode ser chamado de desgaste.

Mas um jogador conseguiu ser mais assombrado que o camisa 26. Emerson Sheik recebeu a visita de seu fantasma dos tempos em que não sabia mais o que era futebol. Ídolo indiscutível, o herói da Libertadores de 2012 errou de forma infantil e foi expulso sem ter tocado na bola. Sheik tentou ser malandro, mas foi pego na inocência de achar que sua atitude não teria consequências. Me arrisco a dizer que se ele não tivesse sido explulso, a gente teria empatado.

Salvo o desempenho pífio da equipe no primeiro tempo e o claro cansaço dos jogadores, que tiveram seis jogos em 17 dias, há um lado bom para se resgatar do jogo de ontem. PEDRINHO. O moleque é bom de bola e vem mostrando isso toda vez que entra em campo. Desarmar o jovem atacante parece impossível quando ele vem pela lateral. Que o Carille comece a colocá-lo com mais frequência e com mais tempo para o menino mostrar seu futebol, porque talento e disposição, ele tem.

* Por Caíque Stiva

Entre o nada e a imitação de concreto, uma "homenagem" que beira o deboche

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Corinthians homenageia Sócrates com estátua; Zé Maria e Fágner participam do evento (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
Corinthians e Nike sempre estão buscando inspiração para as camisas de jogo, que são lançadas mais ou menos nessa época do ano. E esse ano, a homenagem foi destinada a Sócrates e à Democracia Corinthiana.

Até aí tudo bem, isso não é problema - muito pelo contrário! O problema é COMO essas homenagens são feitas. Afinal de contas, estamos falando de explorar comercialmente um momento histórico do clube, e nessas horas às vezes o famoso "limite" acaba sendo ultrapassado às vezes. Esse parece ter sido o caso, na homenagem da vez.

O Corinthians anunciou seus novos uniformes nessa tarde. Já havia prints circulando pela internet há alguns dias, debaixo de críticas de parte da torcida, algumas pela simplicidade do design das camisas, outras devido ao fato de absolutamente ninguém entender o que era aquela camisa 2 toda manchada. Hoje, através do site oficial, o Timão enfim explicou como "homenageou" o eterno Doutor e o maior movimento ideológico da história do futebol brasileiro. Era melhor não terem explicado.

Vamos lá: a camisa 1 segundo o Corinthians, foi aquela reservada à homenagem em si. Toda branca, de "inspiração retrô", com gola careca e um botão centralizado, reserva espaço nas costas para listras alvinegras, na parte superior, além da frase "EU SOU CORINTHIANS" na parte interior. Bonita, sim, mas previsível. Não é diferente de tantas outras camisas 1 brancas que já tivemos ao longo dos anos. Não tem um elemento que faça a homenagem ser identificável. Quem vê, pensa que é mais um uniforme do time. E isso é ruim.

A situação piora ao se ver a camisa 2. Era aqui que o Timão tinha a chance perfeita de prestar o tributo ideal. Afinal, quem pensa em Sócrates AUTOMATICAMENTE pensa em camisa preta com listras brancas. E gola "V", se quisessem ousar. Mas não: resolveram, genialmente, criar uma estampa marmorizada, em tons de preto e cinza, para lembrar "o concreto de São Paulo e a origem de luta do clube". Tenha a santa paciência. Daqui a pouco vão fazer uma camisa amarela para homenagear a cor da luz do lampião que iluminou os fundadores naquele 1º de setembro de 1910.
Gabriel e Balbuena posaram com as novas camisas para a campanha de lançamento da Nike (Fotos: Divulgação/Nike)
Mas espera, não é só isso! A parceria Corinthians-Nike ainda preparou outra homenagem na ação: segundo a dupla, o novo uniforme "inova e democratiza o acesso à camisa do Time do Povo". Opa, revolucionário hein? Em tempos de crise, falar em DEMOCRATIZAÇÃO de produtos?

Seria uma pena se essa "democratização" parasse exatamente em R$ 129,90 - que é o novo preço da camisa tipo Estádio - aquela, mais simplezinha, basicona. Se você quiser algo PRÓXIMO do que os jogadores vestem, aí não tem moleza: os preços reduzidos continuam variando de R$ 199,90 a R$ 299,90. Em tempos de crise generalizada, onde viver tem se tornado cada vez mais difícil, e torcer cada vez mais é um ato de resistência, chamar preços como esses de "democráticos" é quase um deboche. Uma risada na cara do Fiel Torcedor. E um convite ao consumo de produtos piratas. Ou seja, uma ofensa que se vira contra a própria empresa... um verdadeiro tiro no pé.

Disso tudo, ficam duas lições e um medo: a primeira lição é a de que a Nike, realmente, nunca vai aprender. Para ela, a história de um clube não é nada mais que um punhado de elementos que ela vai misturando sem muito pudor e respeito, e é por isso que a cada ano o trabalho de criar fica pior e mais acomodado. A segunda lição, é a de que aparentemente nunca teremos uma diretoria com um mínimo de senso crítico para barrar a falta de noção da Nike - pois a camisa não é produzida sem o aval do clube, certo? Então ele tem culpa no cartório.

E o medo, claro, é pelo que vem por aí em setembro/outubro, possível data de lançamento da camisa 3, em homenagem a Ayrton Senna. Afinal, se fizeram o que fizeram nessa homenagem ao Sócrates, o que serão capazes de inventar com nosso eterno piloto? Nem quero imaginar...

O Corinthians não para de desafiar Fábio Carille; o que esperar do futuro?

O Corinthians já venceu 3 títulos com Carille como técnico; agora terá mais um desafio pela frente (Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians)
O Corinthians tem vivido anos muito diferentes nessa última década. A aparência é de estabilidade, por conta dos títulos e de trabalhos de longo prazo de Mano Menezes e (especialmente) Tite, mas ao olhar o Timão mais de perto, as temporadas que se sucederam têm sido marcadas por muitas mudanças.

Pra ilustrar isso, fiquemos apenas nas três últimas. Em 2015, tivemos a volta de Tite, que trouxe da Europa pensamentos táticos diferenciados que demoraram um pouco a surtir efeito, mas que quando encaixaram de vez fizeram o time simplesmente esbanjar futebol no Brasileiro. Partidas brilhantes, toque de bola envolvente, a um nível tal que já em agosto todos sabiam que aquela taça tinha dono. O 6x1 na Arena contra o São Paulo, com time reserva e requintes de crueldade, foi apenas a cereja no bolo.

Então vem 2016, que antes mesmo de começar já foi sendo atrapalhado por um inacreditável desmanche do time campeão brasileiro. Mesmo sem reposições 100% à altura, os resultados continuavam acontecendo. Só que em abril veio o choque, com as eliminações: para o Audax no Paulista e para o Nacional (URU) na Libertadores.  Dois meses depois, outro baque: a saída de Tite, rumo à Seleção Brasileira. A partir daí, só tragédia: Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira contratados e demitidos (com justiça), e assim um ano promissor foi jogado totalmente no lixo.

2017 chega, e a autoestima do corinthiano na lama. Sem opções, a diretoria efetiva Fábio Carille no comando do time, mas sem um pingo de confiança. Nas mãos dele, um elenco de qualidade duvidosa, a ponto de ser chamado sem muitas objeções de "quarta força do futebol paulista". Quem diria que, em questão de meses, Carille faria um verdadeiro milagre e, do nada, construiria um time valente, comprometido e pragmático? Como prêmio, duas taças: o Paulista em maio, e o Brasileiro em dezembro. Incontestável!

E então chegamos a 2018. Que começa um pouco como 2017: algumas dúvidas e poucas esperanças no futuro. Afinal, dois destaques da equipe iam embora (Jô e Arana) e a reposição não aconteceu à altura. Outros que chegavam, como Mateus Vital e Henrique, eram incógnitas. Até mesmo depois da eleição de Andres à presidência, o cenário continuou igual: o Corinthians não tinha um centroavante.

Nada que fizesse o time perder o pique dentro de campo. De alguma maneira, o Corinthians iniciava a temporada como terminou a anterior: sem fazer brilhar os olhos de ninguém, mas vencendo. Eficiente em seu pragmatismo. Nos clássicos pelo Paulista, duas vitórias e um empate. E com o tempo, as dúvidas foram se dissipando, uma a uma: Henrique vem se adaptando na zaga, Vital cada vez mais se destaca nas partidas, Sidiclei (que chegou um pouco depois) ganhou a titularidade na esquerda e não perdeu mais; e Carille, mais uma vez, fez milagre: na falta de um centroavante para escalar, mudou o esquema e abriu mão dele. O resultado disso? O bicampeonato paulista, naquele 8 de abril que já ficou para a História.

Um novo momento, então, começou. Todo o trabalho passaria a ser colocado à prova em uma maratona difícil de lidar: três torneios importantes e jogos em sequência, sem folga. Como rodar o elenco sem perder qualidade? Como encarar as partidas com a devida seriedade sem perder jogadores lesionados?

Sim, todos sabem que a estrutura de recuperação física do Corinthians é de primeiro mundo, e que o Carille conta com todos os tipos de avaliações e diagnósticos antes de definir sua equipe. Prova disso foi o leve revezamento de titulares por ele promovido nas primeiras partidas dessa nova etapa da temporada. Mas problemas acontecem, e eles vêm acontecendo: contra o Vitória, pela Copa do Brasil, o time perdeu Ralf e Renê Júnior; contra o Atlético-MG, foi a vez de Fágner. E nosso banco de reservas não é exatamente um poço de variedades.

O Corinthians fará nada menos que 13 jogos nas próximas 6 semanas. Alguns muito importantes: o resto da fase de grupos da Libertadores, a decisão das oitavas da Copa do Brasil e dois clássicos pelo Brasileirão. Baixar a guarda em qualquer uma dessas frentes pode se traduzir em um fracasso precoce, ou em perdas importantes de pontos (algo que os pontos corridos não perdoam). Como manter o desempenho sem falhar onde não se pode de forma alguma?

Fábio Carille sinalizou que pode ampliar o revezamento de titulares em partidas menos "exigentes", como a que o Corinthians fará contra o Ceará no próximo domingo. Será um desafio, pois exigirá muita disciplina tática dos reservas que entrarão, e muito foco na equipe como um todo, para levar o jogo com a devida seriedade. Já temos tradição em perder pontos "fáceis" em casa, e isso às vezes é fatal... basta nos lembrarmos de 2010, por exemplo.

Fica a expectativa para que, a partir de hoje, o Timão saiba aproveitar as oportunidades. Vencer o Independiente pode dar um quê de tranquilidade para manter em alta o foco nos torneios nacionais. E se tranquilidade já é algo bom normalmente, será ainda mais bem vinda em um Corinthians onde nada pode sair do lugar. Então, que não saia.

Kazim, para o seu bem, vá embora

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Kazim treina e se dedica em campo de forma exemplar, mas não consegue colher os frutos do esforço (Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians)
Neste sábado, o Corinthians voltou a jogar mais ou menos como se esperava - especialmente no primeiro tempo e considerando que a temporada começou há pouco - e acabou por vencer o São Paulo. Foi a terceira vitória seguida, o que garantiu ao clube paulista a liderança (um pouco) folgada do grupo A, e assim, uma tranquilidade extra para continuar ajustando o time para o torneio que importa, a Libertadores.

Durante o jogo, porém, além da tensão natural de se encarar um rival que precisava da vitória tanto quanto nós, havia outra no ar, deixando apreensivos boa parte dos 34358 torcedores que compareceram ao Pacaembu para apoiar o Timão: Kazim. Afinal, o que seria de Kazim no Majestoso?

Apoiado pelo elenco, bancado mais uma vez por Fábio Carille, o "Gringo da Favela" teria uma vez mais, mais uma vez, a chance de fazer a diferença e de mostrar que pode ser útil ao elenco. Na verdade, tudo parece se tratar de equilibrar sua vontade, que sabemos que não falta, a uma técnica que pouco aparece.

Um minuto de jogo, gol de Jadson. Mas não com assistência do turco - como aconteceu contra o São Caetano - e sim de Rodriguinho. O São Paulo parecia menos organizado em campo, e o Corinthians conseguia ameaçar sempre que chegava na área. Em duas dessas chegadas, a bola parou nos pés de Kazim. Aos 13 minutos, disputa com Rodrigo Caio, e tem uma falta contrária marcada pela arbitragem. E aos 20, não domina um chutão de Juninho Capixaba em direção à entrada da área, conseguindo apenas o escanteio.

Na sequência, os lances que definiram o placar: o São Paulo empatou o jogo aos 25 minutos, com Brenner, e o Corinthians marcou o segundo aos 32 com Balbuena (sempre ele!). Entre os dois gols, mais um lance do "Gringo", que o levou à loucura junto com a torcida: Jadson cobrou falta direto para a meta de Sidão, que espalmou para a frente. A bola bateu no braço esquerdo de Kazim e ficou livre para ele finalizar e marcar o que seria seu segundo gol na temporada (o primeiro foi contra o Rangers, na Florida Cup). Foi explícita a decepção do turco ao ver que seu gol havia sido anulado. Confira no vídeo:


Depois disso, houve somente mais uma participação ofensiva a se destacar: uma boa tabela com Rodriguinho, onde o meio-campo acabou perdendo a bola ao tentar cortar para o meio. Fim de primeiro tempo, intervalo, e a torcida já implorava por sua substituição.

No entanto, a Fiel ainda precisou esperar mais 15 minutos para saudar a saída de Kazim do time (com aplausos tão verdadeiros quanto os abraços que se dá no fim daquela festa da firma) e, em seguida, ovacionar a entrada de Júnior Dutra (com uma recepção de dar inveja a qualquer supercraque). Apesar de não ter comprometido a equipe, ajudando nas recomposições da equipe e chamando a atenção dos zagueiros são-paulinos em lances-chave (como no gol de Balbuena), o inglês não conseguiu seu gol, e com isso mais uma vez a sensação final é de fracasso. Para a torcida, e para Kazim.

Seu abatimento já ficou claro para todos. Se antes Kazim se destacava pela alegria e pelo modo como interagia com o elenco (o que hoje tem lhe garantido um grande apoio dos colegas), nas últimas semanas o comportamento mudou. Há algum tempo suas mídias sociais não são renovadas. Declarações à imprensa têm sido raras, e quando ocorrem são clichês, vazias.

Mas, pensando bem, é possível se manter alegre sabendo que ninguém te quer onde você está? 

Entre os torcedores, duas opiniões são unânimes sobre Colin Kazim-Richards: uma é a de que ele é um cara bom de grupo, brigador e que faz de tudo pra honrar a camisa que veste; a outra é a de que, apesar de tudo isso, ele estar no Corinthians é uma aberração. O que ninguém entende, ao que parece, é que essas duas opiniões são completamente conflitantes! Pois, afinal de contas, se ele não merece estar no Corinthians porque não se pede sua saída? Se ele é bom de grupo e merece ter seu espaço, porque não apoiá-lo como todos os outros jogadores são apoiados?

Jogador de futebol, não é de hoje, não vive em uma bolha. Tudo o que se posta, comenta e compartilha sobre ele acaba chegando ao seu conhecimento. E é óbvio que, independente do grau de inteligência emocional que o atleta possa ter, ninguém é de pedra. Como se motivar nos treinos sabendo que ninguém te quer em campo? E como se motivar em campo sabendo que todos contam os segundos pra você sair?

Como se manter em um time onde só te querem para fazer figuração?

Kazim chegou a disputar a semifinal da Eurocopa 2008,
quando a Turquia perdeu para a Alemanha (Foto: Getty)
Para entender o momento de Kazim, no entanto, talvez seja importante entender quem ele é e como tem sido sua carreira. Ele surgiu para o futebol aos 15 anos, quando iniciou sua carreira na base do Bury e avançou até chegar ao time principal, na temporada 2004/05. Nos anos seguintes, passou por Brighton & Hove Albion e Sheffield United, onde em 2007 chamou a atenção do Fenerbahçe, um dos maiores clubes da Turquia. Nesse mesmo ano, ele estreou pela seleção principal do mesmo país, jogando por 38 minutos em um amistoso contra (adivinhem) o Brasil!

Em 2008 foram mais 14 jogos pela seleção turca, incluindo todas as partidas pela Eurocopa - sendo titular três vezes, incluindo na derrota diante da Alemanha por 3x2, nas semifinais. Enquanto isso, continuava atuando pelo Fenerbahçe, onde após duas temporadas inteiras como jogador de rotação, enfim conseguiu conquistar a titularidade para a temporada 2009/10.

Em novembro de 2009, no entanto, um problema disciplinar iniciou uma sequência de temporadas turbulentas para o inglês: após xingar o árbitro durante um jogo contra o Besiktas e, por conta disso, ser suspenso por quatro jogos, Kazim mentiu ao clube sobre sua localização e o fez emitir declarações falsas à imprensa. Ele perdeu espaço, foi emprestado para o Toulouse (França) e, meses depois, foi dispensado. Mas não perdeu tempo, assinando rapidamente com o rival local Galatasaray, por três anos.

Mas, novamente, não se passou muito tempo até que os empréstimos ocorressem. Primeiro para o Olympiakos (Grécia), em 2012, e depois para o Blackburn Rovers (Inglaterra), em 2012/13. Lá, protagonizou outro grave incidente: foi detido pela polícia de Sussex em maio de 2013, por suspeita de fazer um gesto homofóbico a torcedores. No julgamento, ocorrido 11 meses depois, foi considerado culpado e condenado a pagar multa de £750.

Enquanto isso, ele assinava contrato de dois anos com o Bursaspor (Turquia). No primeiro ano, atuou pela equipe 21 vezes. No segundo, foi emprestado para o Feyernood (Holanda). Lá, enfim, voltou a fazer uma boa temporada, marcando 12 gols em 35 jogos - o suficiente para convencer o clube holandês a comprá-lo em definitivo. Poderia ter sido o fim da má fase - se Kazim não tivesse sido afastado da equipe em janeiro de 2016, após ameaçar um jornalista holandês. Uma passagem curta pelo Celtic (Escócia), e então o inglês desembarca no Brasil, onde atuou pelo Coritiba, até ser comprado pelo Corinthians - em meio a uma chuva de críticas- em janeiro de 2017 por R$ 1,2 milhão.

Esse curto resumo da carreira de Kazim escancara algo que era de se supor, mas que muitos preferem ignorar: equilíbrio mental não é um detalhe, não é mimimi, não é algo dispensável. Sem equilíbrio mental, não há técnica que resista. E não há jogador que consiga manter uma carreira estável.

Kazim teve, ao longo dos anos, sua carreira marcada por sucessivas sabotagens inconscientemente auto-infligidas. Até por isso, talvez, tenha atualmente comportamento tão exemplar no Corinthians: ele sabe o peso da chance que está tendo. Não há um jogador no Parque São Jorge disposto a tecer uma crítica sequer à postura do "Gringo" nos treinamentos. Assim como não há na Fiel um torcedor sequer disposto a questionar a sua garra e entrega em campo - mesmo entre os críticos mais ácidos. O problema é que nada disso parece suficiente... o resultado não vem. Até quando ele terá forças para prosseguir, rumo à volta por cima?
Foi nítido como Kazim tirou um peso das costas no gol salvador contra o Avaí. Quando será o próximo? (Foto: Getty)
Não tenho certeza se Kazim é de fato um jogador ruim ou se a pressão imposta para que ele substitua Jô à altura o impede de apresentar mais futebol. Não sei se as perdas de bola, as dificuldades de domínio e as faltas de ataque são frutos de incapacidade técnica ou de puro desespero. O que eu sei é que me tornei um profundo admirador da forma como ele faz de tudo para fazer jus à camisa que veste. E justamente por admirá-lo tanto é que digo: Kazim, vá embora do Corinthians.

Não é justo, Kazim, que você passe por isso. A rejeição ao seu nome chegou a um nível tal que, independente do que aconteça, jamais será suficiente. E ter de atuar sob esse nível de terror psicológico durante todo um ano, sendo questionado a cada segundo, sendo atacado a cada erro... você não merece.

Você merece ter a chance de brilhar em um time onde a pressão por resultados não seja tão imediata e gigantesca quanto a que o Corinthians atualmente vive. Onde você tenha tempo para recuperar o futebol que te fez atuar na Champions League e ser um dos jovens destaques de uma Eurocopa. Onde você não precise sair dos jogos cabisbaixo, por ver que ninguém queria te ver em campo.

Você merece todo o sucesso pelo qual tanto luta, Kazim. E merece um clube que possa ser seu parceiro nessa jornada. Infelizmente, o Corinthians não é esse clube. Torço para que você não demore a perceber isso. Para o seu próprio bem, e de sua carreira. Boa sorte, "Gringo".

Nada como o tempo, Matheus Vidotto

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Revolta do agora 4º goleiro corinthiano pode ter sido seu ponto final no clube (Foto: Daniel Augusto Jr.)
Hoje, enquanto o Corinthians (e a torcida, por tabela) se preparavam para a partida de logo mais, contra o Avaí - que pode nos colocar um pouco mais perto do heptacampeonato brasileiro, uma notícia pegou a todos de surpresa: o goleiro Matheus Vidotto foi afastado do elenco pela diretoria.

O motivo? Simples: após a lesão de Walter, ocorrida no jogo contra o Atlético-PR, e devido à presença de Cássio na Seleção Brasileira, o Corinthians teve que recorrer a um de seus jovens goleiros para enfrentar a equipe catarinense. E o escolhido foi Caíque França, de 22 anos - preterindo, assim, Vidotto, de 24 anos.

Tal fato teria revoltado Matheus, que como resposta, rebelou-se, avisando que se não fosse relacionado como titular para a partida de hoje, preferia ser negociado para outro clube. Assim, como medida medida disciplinar, foi decidido que ele não só não será titular como sequer ficará no banco de reservas, que será ocupado por Felipe, de 19 anos, titular da equipe nas duas últimas edições da Copa São Paulo.

Matheus Vidotto já havia demonstrado na última quarta-feira que se considerava o terceiro goleiro, independente do que a comissão técnica pudesse achar. Quando Walter cai após bater o tiro de meta, ao invés de permanecer treinando (como Caíque fez), ele colocou as luvas e se dirigiu para o lado de Fábio Carille, talvez para receber as instruções. No entanto, o escolhido para substituir Walter foi Caíque, e Vidotto volta para o banco de reservas.

Nunca saberemos o que houve entre a noite de quarta-feira e este sábado, para fazer Vidotto tomar a atitude extrema (e totalmente injustificada) de exigir a titularidade, como se a mesma fosse uma senha de banco onde há uma ordem estabelecida e nada é capaz de mudá-la. O que se sabe muito bem, no entanto, são duas coisas: a primeira é que, em janeiro, o goleiro abriu mão de parte da pré-temporada para tirar seu passaporte italiano, ao contrário de Caíque, que escolheu embarcar para a Flórida junto com o resto do elenco. E a segunda, é que esse rapaz tem uma visão de mundo bem conhecida de todos nós. E sabemos disso muito bem graças aos posicionamentos políticos e ideológicos que o goleiro compartilhou, com afinco, nas suas redes sociais, especialmente ano passado. Vamos relembrar?
Prints de posts do perfil de Vidotto, de 2016, apagados posteriormente (Fonte: Reprodução / Meu Timão)

Prints de posts do perfil de Vidotto, de 2016, apagados posteriormente (Fonte: Reprodução / Meu Timão)
Não é de se estranhar que uma pessoa com essa índole realmente se achasse acima do seu colega Caíque, de tal modo que seria impossível a comissão técnica considerá-lo a terceira opção para o gol, em seu lugar. Não, jamais! Ele, Matheus, era o dono dessa vaga e pronto. aparentemente, nem mesmo os anos de convivência com Tite, pregador fiel da meritocracia, foram capazes de mostrar ao jovem de 24 anos que, no mundo real, você deve fazer por merecer cada conquista. A cada dia. E que nada é "seu" porque você quer que seja.

Coincidência ou não, é curioso que mais um jogador que havia mostrado simpatia ou declarado apoio a Bolsonaro tenha perdido espaço em sua equipe. Primeiro, foi Felipe Melo, no Palmeiras. Depois, Jadson, que nunca mais rendeu como antes depois do lamentável episódio envolvendo o político. E agora, Matheus Vidotto, que a depender do andamento das coisas pode acabar indo embora do Corinthians.

E assim, mais de um ano depois, que provavelmente devem ter sido recheados de demonstrações de descompromisso por parte do rapaz - ninguém é preterido por um atleta menos experiente à toa -, o Corinthians poderá enfim negociar um de seus atletas cuja ideologia mais bate de frente com o que a instituição Corinthians sempre defendeu. E que Matheus Vidotto siga sua vida, "expressar suas opiniões livremente", no clube que aceitá-lo depois dessa crise histérica.

Nada como o tempo!

Não foi aquele Corinthians do primeiro turno, mas foi um Corinthians possível - e vencedor

Marquinhos Gabriel, Clayson e Rodriguinho: três destaques da vitória corinthiana (Foto: Agência Corinthians)
Dizer que o Corinthians entrava pressionado para o jogo contra o Coritiba talvez seja um pouco demais. Mas o fato é que, desde a vitória contra o Sport, no encerramento daquele primeiro turno praticamente perfeito, o time era outro. Em nove jogos desde então, apenas duas vitórias e três derrotas. Somente cinco gols marcados, sete sofridos. Números dignos de um time na zona de rebaixamento. E que, não fosse a mediocridade dos concorrentes ao título, poderiam ter colocado a liderança em risco.

Mas se o Corinthians não estava pressionado, no mínimo estava ciente de que precisava fazer mais. E o jogo era propício para isso: bastava o time querer. Mesmo com desfalques, como Fagner e Pablo. Mesmo com mudanças na equipe titular, como a entrada em definitivo do Marquinhos Gabriel. Todos sabiam que dava pra fazer mais e melhor.

E o que se viu nos primeiros minutos de jogo foi um alento: trocas rápidas de passes, triangulações... um Corinthians que estava sumido fazia tempo! O gol foi questão de tempo: logo aos nove minutos, Balbuena achou Jadson na intermediária, que de primeira - e de calcanhar! - tocou para Jô, que foi certeiro na finalização: Corinthians 1x0. Um gol com a rapidez e eficiência que foi a tônica do primeiro turno.

Seria uma pena se o time tivesse meio que parado por aí. Jadson, por exemplo, pareceu esgotar todo o futebol da noite naquele passe. Depois, morreu. O título de craque do meio-campo, que podia ser dele, acabou entregue a Marquinhos Gabriel, que definitivamente voltou a merecer o apelido de Messinho Gabriel! Onde você estava esse tempo todo, rapaz? Felizmente para o Corinthians, o meia vem melhorando seu futebol a cada jogo que passa, e ontem, como titular, deu outra cara ao meio-campo alvinegro. Até mesmo Rodriguinho jogou melhor com ele do lado. E isso é excelente para o time.

A acomodação da equipe bem que poderia ficar reservada ao ataque, e assim o primeiro tempo terminaria com a vantagem mínima do Corinthians no placar. Mas nem tudo é como queremos, e a desatenção foi transmitida aos defensores. Não apenas no final do primeiro tempo, como no começo do segundo, Cássio se viu forçado a fazer dois verdadeiros milagres, mas infelizmente não evitou o gol de empate do Coritiba, ainda aos 39 minutos da primeira etapa, graças a uma incrível falha de marcação que permitiu a Henrique Almeida subir sozinho para marcar na cobrança de escanteio. Lá se foi a vantagem no placar.

Gols do Corinthians na partida

Mas, quem diria, depois de um susto logo nos primeiros minutos do segundo tempo, o Corinthians cresceu. Dominou o jogo, e começou a criar chances. Só faltava aquela atenção maior no último passe. Aos nove, Léo Príncipe cruzou e Jô tentou - ficou no quase. Aos 13, Camacho fez boa jogada, mas Wilson impediu a finalização do atacante. Foi quando ele entrou em cena: o cara que, pelo visto, vai ser o xodó desse título, se o hepta for confirmado: Clayson, que substituiu Maycon aos 15 minutos. 

Rodriguinho foi recuado; na frente, um quarteto composto por Clayson, Jadson, Marquinhos Gabriel e Jô. Com essa formação, o Corinthians se impôs de vez e incendiou o jogo - e, por tabela, os 36439 torcedores que foram à Arena. É verdade que não foi AQUELE Corinthians do primeiro turno... mas foi um Corinthians possível. E que se resolver aparecer mais vezes no futuro, nos garante o troféu sem sombra de dúvidas.

O Coritiba não ficava com a bola, e isso finalmente não pareceu ser um problema para o líder do campeonato, que sabia muito bem o que fazer com ela. As chances eram perdidas uma atrás da outra, com Clayson (mais de uma vez), Marquinhos Gabriel (que quase fez um golaço do meio da rua), Jô... o gol novamente parecia ser questão de tempo. E era: aos 33, Jô recuperou a bola na linha de fundo e todou para Léo Príncipe, que cruzou para Rodriguinho desviar na cabeça de Clayson, o iluminado da noite: Corinthians 2x1, enfim. Nada mais do que o merecido.

Foi um gol nascido em uma jogada aérea, e isso foi um dos pontos altos da noite. O Corinthians, finalmente, pareceu ser um pouco mais certeiro (um pouco!) nos cruzamentos do que ultimamente. Pelo menos ontem, nem todos eram interceptados pela defesa do Coritiba; muitos encontraram algum corinthiano na área, e isso é essencial para um time que passou a depender muito mais de jogadas aéreas do que antes.

O jogo ficou morno no terço final do segundo tempo. Carille sacou Jadson para colocar Fellipe Bastos (lembram dele?), e o fato de isso não ter mudado em nada o jogo mostra o quanto nosso Magic Jadson tem sido um jogador mais que comum. Poucos minutos depois, Jô saiu para a entrada de Kazim. Nesse meio-tempo, um susto: gol do Coritiba, bem anulado por impedimento. Foram dois na noite, aliás. Mas sem polêmica, dessa vez.

Ainda houve tempo para deixar o placar mais realista sobre o que foi o jogo: aos 43, Rodriguinho avançou pelo meio-campo, driblou o defensou e chutou forte de fora da área: a bola explodiu na trave e, mansamente, procurou os pés dele, Clayson, que só precisou empurrar para o gol: Corinthians 3x1, com dois gols do novo xodó da Fiel.

Com a vitória, o Corinthians chegou aos 58 pontos, e abriu (provisoriamente) 11 pontos do vice-líder, que joga hoje. Segundo o técnico Fabio Carille, a comissão técnica projeta mais cinco vitórias nos 11 jogos restantes para garantir o heptacampeonato brasileiro. Se continuar jogando como no segundo tempo, não há porque não imaginar que esse objetivo é perfeitamente alcançável.

No entanto, para isso, é urgente que Marquinhos Gabriel e Clayson integrem definitivamente a equipe titular. Ambos têm feito o Corinthians evoluir a olhos vistos, e vêm acumulando exibições individuais que simplesmente não podem ser ignoradas! As opiniões sobre quais jogadores deveriam sair para a entrada de ambos são as mais diversas, mas eu tenho dificuldades de ver Romero fora dessa equipe, mesmo sabendo de seu jejum no ataque, que já dura quatro meses. É um dos atletas mais defensivamente eficientes do Corinthians e do Brasileirão! Preferia dar um chá-de-banco no Jadson, por exemplo, que quando não tá a fim de jogo faz o time jogar com um a menos. Não podemos passar por isso. Outro jogador teria que sair do time, mas hoje não tenho opinião formada sobre quem deveria ser.

Agora são três dias até o jogo contra o Bahia, na Fonte Nova. Podemos sair de lá com no mínimo um ponto, ou mesmo com os três. Nem precisamos ser o Corinthians do primeiro turno... sendo o "Corinthians possível" de Clayson e Marquinhos Gabriel, conseguimos a vitória! Vai Corinthians!

Malcom: mais um que vendemos por dinheiro de pinga. Até quando?

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Malcom: promessa no Corinthians, realidade no Bordeaux (Foto: Agência Corinthians)
Acabou de sair na imprensa: o Corinthians não tem mais nenhuma porcentagem dos direitos do atacante Malcom, cria do clube e que atraiu a atenção dos franceses do Bordeaux, que acabaram acertando sua compra no início do ano passado. Não custa lembrar os termos do negócio firmado à época: o clube europeu desembolsou € 5,5 milhões (ou cerca de R$ 22 milhões) para tirar o atacante do Parque São Jorge, dos quais apenas 30% seriam destinados ao Corinthians. Como o clube escolheu vender apenas metade dos seus direitos, acabou ficando com apenas R$ 3,3 milhões. Ou cerca de seis meses de salários do Cristian, por exemplo. Por uma das nossas maiores promessas da base. Enfim!

Continuar com metade dos direitos sobre o Malcom (15%) foi um lapso de bom senso de uma diretoria que vem se destacando pela competência em fazer maus negócios. Um alento, digamos assim, diante de um cenário sombrio vivido pelo clube, que arrepia qualquer corinthiano. Empresários ainda detendo influência e participações quase obscenas nos direitos dos nossos atletas; uma demora inexplicável para fechar qualquer negociação de reforços ou renovação de contrato; comercialmente, uma flagrante desvalorização da nossa marca, que tornou a tarefa de fechar acordos robustos de patrocínio em algo hercúleo; sem falar no clima de total instabilidade política que insiste em rondar o clube. Vamos convir que é um cenário tenso, então qualquer sinal de uma decisão sensata dessa diretoria merece destaque...

Não vou questionar muito o fato de termos nos desfeito, na época, de um jogador que havia acabado de ser eleito uma das 10 maiores promessas sub-18 do mundo, em lista produzida pelo portal Goal.com - à frente, inclusive, do badalado Gabriel Jesus, comprado a peso de ouro pelo Manchester City. Isso pois o Corinthians detinha uma minoria dos direitos do rapaz, e certamente a negociação teve dedo de seu empresário. Creio que se o Corinthians tem alguma culpa nisso, foi em permitir que Fernando Garcia detivesse 35% dos direitos do Malcom. Por isso, exalto tanto a decisão de se manter com os tais 15% do jogador.

Vamos avançar no tempo: janeiro desse ano. Depois de muito fuçar o mercado, o Corinthians encontra no próprio Bordeaux o nome que buscava para reforçar a defesa: o zagueiro Pablo, de 25 anos. O negócio foi fechado por empréstimo, com valor de compra pré-fixado no contrato. Não demorou muito para que o jogador caísse nas graças de Carille e da torcida: virou titular absoluto, e jogador fundamental para que o Corinthians se tornasse uma das defesas mais seguras do país. A certeza de que se tratava de um jogador especial fez com que, já em abril, o clube começasse a admitir a vontade de adquirir o zagueiro em definitivo.

A partir de então, as idas e vindas foram muitas: em junho, o clube francês tentou envolver Guilherme Arana no negócio, o que felizmente foi rechaçado pela diretoria corinthiana (às vezes eles pensam). Mas foi no mês seguinte que as partes chegaram mais perto de um acordo, quando o Corinthians propôs incluir os 15% de Malcom no negócio - e o Bordeaux chegou a aceitar, tanto que o negócio chegou a ser anunciado como concretizado. Mas em seguida, melou, por conta de divergências na forma de pagamento do agente do zagueiro, pelo que parece. E, desde então, o assunto morreu.

Só que em agosto a temporada europeia começou. E qual não foi nossa surpresa ao vermos como ela começou para Malcom: o brasileiro vem brilhando na Ligue 1. Só nas primeiras seis rodadas, foram três gols e três assistências. Nem mesmo o fracasso de seu time na Liga Europa serviu para minar o seu sucesso, de público e crítica, que esse mês foi coroado por mais um veículo de imprensa: o L'Equipe emplacou o jovem no 21º lugar de uma lista dos 50 melhores jogadores sub-21 do mundo. Já era certo de que Malcom havia deixado de ser uma promessa e se tornado uma realidade no Bordeaux. E que realidade!

E justamente nesse contexto, quando finalmente ficou claro o quanto Malcom evoluiu, quando todos estão vendo o tipo de jogador que ele está se tornando e pode se tornar em um futuro muito próximo, vem a bomba: o Corinthians aceitou se desfazer dos seus últimos 15% sobre o jogador por ridículos € 4,5 de euros (ou R$ 16 milhões). Somando as duas negociações, o clube não levou sequer R$ 20 milhões por um jogador que, do passado pra cá, já foi apontado como um dos 10 melhores jogadores sub-18 e um dos 20 melhores jogadores sub-21 do mundo. É mole ou não é?

O primeiro pensamento que me vem à mente é que, de fato, não aprendemos absolutamente NADA com o caso Marquinhos. A menos que o Malcom esqueça seu futebol da noite para o dia, será questão de tempo até que algum clube mais gabaritado o tire do Bordeaux, gerando aos franceses um lucro estratosférico. E a nós, restará as migalhas do mecanismo de solidariedade da FIFA - que no caso dele, representam 3% de qualquer futura transação. Nem um pouco suficiente pra aplacar a frustração pelo péssimo negócio.

O segundo pensamento que me vem à mente é sobre o que justifica se desfazer dos 15% de Malcom por um valor que é tão escancaradamente abaixo do que ele vale. Nosso rombo financeiro é muito maior do que esses R$ 16 milhões; além do mais, o clube ainda não parece ter esgotado todas as opções de enxugamento das receitas. E pra piorar, nem mesmo a questão Pablo foi resolvida com esse negócio. Ou seja, foi bom pra quem?

Por fim, só me resta lamentar profundamente que o Corinthians continue achando OK dilapidar seu patrimônio dessa forma. Podemos ter evoluído muito nos últimos anos, aumentado nossa reputação, nos organizado em diversos aspectos. Mas se tem algo que ainda não sabemos fazer, é negociar atletas. Relembrar, por exemplo, que já em 2012 o São Paulo conseguiu receber R$ 108 milhões do PSG por Lucas Moura, e que há pouco mais de um ano o Palmeiras levou R$ 121 milhões do Manchester City por Gabriel Jesus só faz aumentar essa minha certeza, e a vergonha por ver nossa diretoria se contentar com somas tão menores por um jogador de potencial similar. Dinheiro de pinga, não tem outra definição.

Até quando, Corinthians?

Que as polêmicas furadas do Majestoso não desviem o foco da nossa situação: precisamos debater o Corinthians

♠ Publicado por Daniel Keppler em ,,,
A derrota para o lanterna Atlético-GO foi apenas um dos vários resultados desastrosos do Corinthians nos últimos 40 dias (Foto: Uol)
É hora de voltar a falar do Corinthians. Faz pouco mais de um mês desde meu último texto, e naquela época tudo parecia muito bem: equipe líder, com apenas um tropeço grave (a derrota para o Vitória), e a caminho de um título brasileiro que parecia questão de tempo para muitos.

Só que de lá pra cá muita coisa mudou, ainda que nossa liderança não tenha sido ameaçada. Perdemos mais dois jogos, contra Atlético-GO e Santos. Os gols marcados se tornaram produto escasso. Caímos na Copa Sul-Americana após dois empates diante dos argentinos do Racing. E hoje, novamente tropeçamos contra um time da zona de rebaixamento, o São Paulo.

Como se não bastasse a fase não ser das melhores, o desenrolar do jogo nessa manhã ajudou bastante para que nós, corinthianos, discutíssemos de tudo um pouco nessa tarde de domingo: a pedrada no ônibus do Corinthians, ao chegar no Morumbi; o gesto obsceno de Gabriel ao comemorar nosso gol de empate; os lances polêmicos da partida, como o gol anulado do São Paulo; e por fim, o show de choradeira dos atletas adversários (capitaneados pelo seu treinador) ao comentar o resultado. E não seria nenhum problema debater todos esses lances, se isso não estivesse nos impedindo de debater o fundamental: nosso próprio time!

Nosso senso de corinthianismo nos obriga, naturalmente, a fazer defesas enfáticas e imediatas do time, especialmente porque é impossível se manter calado diante de declarações como as de Petros, que disse que seu time "deu uma aula de futebol no líder". Ou se Hernanes, que cravou que há "mãozinhas beneficiando o Corinthians". Isso sem falar no eternamente vitimista Dorival, que desde a época de Santos gosta de jogar na arbitragem a culpa pelos seus próprios fracassos. Apesar disso, nosso foco não deveria ser esse... afinal sempre haverá profissionais frustrados à procura de uma conspiração para chamar de sua. Nós, aqui, temos um time pra analisar. E precisamos realmente fazer isso.

Os números mostram que o Corinthians passou por uma oscilação em julho, quando empatou contra Atlético-PR e Avaí. Mas ultrapassou por isso, recuperando o bom futebol e vencendo quatro dos cinco jogos seguintes - sendo o último deles o 3x1 sobre o Sport. Então veio a pausa de 14 dias, no meio de agosto, e com ela a dúvida: o time voltaria melhor ou pior? Afinal, o time estava sofrendo com desfalques, muitos provocados por lesões, e era a chance de ter todo mundo 100% de novo.

A derrota de 19 de agosto para o Vitória, em plena Arena, foi um choque. Esperava-se que fosse apenas um outro acidente de percurso, tal qual o empate com o Atlético-PR. Mas então veio a vitória no Sul, contra a Chapecoense, graças a um gol fantasma de Jô nos acréscimos do segundo tempo. E então mais duas derrotas, uma delas imperdoável (contra o lanterna Atlético-GO) e outra inexplicável (devido à falta de vontade demonstrada contra o Santos). Depois disso, mais quatro jogos, nos quais o Corinthians acumulou três empates e apenas uma vitória. É, aquela com o gol de braço do Jô. Resumo da ópera: nos últimos 40 dias, o ainda líder do Brasileirão acumula oito jogos, dos quais venceu dois e perdeu três. Marcou apenas quatro gols, e sofreu seis. E caiu fora da Copa Sul-Americana.
Talvez eu esteja sendo previdente em excesso por ver esses números como desastrosos. Talvez eu devesse, realmente, olhar o copo meio cheio, como muitos me recomendam, e ponderar que instabilidades estão sendo a tônica desse campeonato, e que a única coisa fora do normal era a campanha invicta do primeiro turno (o que não é uma mentira). Mas eu não consigo ver essa queda de produção e simplesmente relevar, como se uma hora ela acabasse e o time voltasse a render. E me preocupo que a torcida, em grande parte, não pareça se preocupar tanto assim com o desempenho do time, preferindo continuar batendo na tecla da tal vantagem na liderança sobre o Grêmio. Afinal de contas, não é mais relevante o modo como o time se comporta em campo? A vontade passou a ser dispensável? O que importa de verdade, agora, é manter a vantagem pra poder dizer "segue o líder" e comemorar o hepta em dezembro?

Não sou o mais fanático dos corinthianos. Mas eu sou de uma época em que a torcida não era complacente com uma série tão grande de jogos ruins do time. Estamos falando aqui de duas vitórias em um mês e meio, com média de 0,5 gol marcado por jogo. Tudo isso sendo relevado porque o time acumulou uma vantagem na ponta, que só não se desfez totalmente graças ao abandono do Brasileirão promovido pelo único time capaz de nos fazer frente, o Grêmio. Me pergunto o que será necessário acontecer para que a torcida acorde desse transe. Teremos que perder a liderança?

Que São Jorge nos ajude e isso não seja necessário. O time não pode ter se esquecido de como joga. Minha esperança, pessoalmente, é que Carille encontre uma maneira de reinventar seu esquema, talvez fazendo Jadson esquentar o banco por um tempo. Precisamos urgentemente recuperar a eficiência do setor de criação, que claramente está destoando do resto da equipe. Isso já seria meio caminho andado para voltarmos a ser o líder seguro de antes, e não esse líder vacilante que depende de tropeços alheios para manter a vantagem.

Teremos uma sequência de seis jogos até o Derby contra o Palmeiras, sendo dois em casa e quatro fora. Não deixa de ser uma boa notícia, já que o estilo de jogo do Corinthians se encaixa melhor longe de Itaquera. Entre esses jogos, um é especialmente importante: contra o Grêmio, dia 18 de outubro, em São Paulo. Será a hora de vencer e mostrar porque merecemos esse troféu, mais que qualquer outro time!