Corinthians, mais coragem e menos média, por favor



Não ando com muito tempo pra escrever, ultimamente, mas de vez em quando surge algum tema que me força a interromper meus afazeres e vir aqui. Adoraria que a motivação tivesse sido positiva, como a bela vitória do último fim de semana - mas aí seria fácil, né não?

Infelizmente, e para minha decepção enquanto corinthiano, o post de hoje serve para expressar minha frustração e revolta pela nota oficial totalmente covarde e chapa-branca publicada pelo Corinthians, em resposta às cenas de violência gratuita protagonizada pela Polícia Militar no último sábado, contra aqueles que os mesmos deviam defender: os torcedores. Não bastasse a demora de dois dias para se posicionar, o texto é frio, distante e digno de quem está mais preocupado em lavar as mãos do que qualquer outra coisa - e como isso é triste de perceber.

Nós corinthianos, sabemos o quanto nossa torcida é politizada, e também sabemos o quão rica é nossa origem. Somos um clube criado pelo povo, e que trouxe ao futebol a democratização que fez desse esporte o que ele é hoje. Ao longo das décadas, o Corinthians foi um verdadeiro bálsamo para o sofrimento dessa torcida, que sempre viu no seu time uma forma de esquecer os problemas e ser feliz, nem que fosse por 90 minutos. Somos o clube que resistiu à ditadura e defendeu abertamente a luta pela redemocratização política do Brasil.

E justamente por sabermos de tudo isso, é que me pergunto: onde está esse Corinthians agora? Quando foi exatamente que esse Corinthians morreu e foi trocado por um clube que, ao ver seu torcedor apanhar de policiais por exercer seu direito de protestar, prefere fechar os olhos?

Desde que parte da torcida - principalmente a Gaviões da Fiel - iniciou os protestos contra CBF, Globo e Governo de SP (na figura de Fernando Capez, o ladrão de merenda), as reações têm sido as mais diversas. Muitos apóiam a iniciativa, por entenderem a importância do momento e saberem que se posicionar é preciso. Outros veem hipocrisia na atitude, por acharem que corinthiano não pode protestar contra a Globo pois o clube recebe dinheiro da Globo. A ideia não poderia ser mais errada, mas isso é tema para outro texto. O ponto aqui é o direito de se expressar - e de não sofrer represálias por isso!

A nota oficial, publicada há cerca de duas horas, parece ter sido escrita junto com o comando da PM. Chama de "tumulto" o abuso cometido pelos policiais contra homens, mulheres e crianças inocentes, diz que o clube pediu uma reunião com a PM para "esclarecimentos" e não dedica uma linha sequer em defesa de sua torcida. Texto frio, omisso e covarde, que não só não conforta o torcedor, mas deixa claro de que lado o clube parece estar.

No entanto, se formos pensar bem, que a atual diretoria do Corinthians não tem lá o hábito de defender com veemência sequer o próprio clube, quanto mais o seu torcedor, disso não tenho dúvidas há tempos. Se assim fosse, o nome da instituição não seria tão achincalhado como é na mídia, sem nenhuma reação minimamente decente. Se assim fosse, o clube não seria tão facilmente vitimizado por empresários de ocasião que só pensam em enriquecer, sem dar nada em troca. Se assim fosse, o torcedor não continuaria sendo segregado por status social e excluído da rotina do seu time de coração, graças a uma política de distribuição de ingressos na Arena totalmente desigual (ainda que já tenha sido pior).

O que não sabia, mas agora já sei, é que o grau de abandono chegou a um nível tal que nem mesmo dentro de nossa própria casa, existe segurança para se expressar. O recado está sendo dado: ou os protestos páram por bem, ou a polícia faz parar - tendo o Corinthians como espectador de luxo.

Corinthians, por favor, mais respeito à sua história. Tá ficando impossível te defender.


Quando as torcidas viram militância


Lembro-me do auge da minha adolescência, na escola, quando, ao mesclar minhas paixões ideológicas e futebolísticas, conversava com meus amigos de sala sobre como as torcidas organizadas brasileiras dariam grandes tropas revolucionárias: desde sempre oprimidos e recriminados, organizadíssimos e completamente unidos, ideologicamente bem orientados e carregados daquela pitada de radicalismo necessário para tal.

É claro, eram elucidações radicais, próprias de um jovem indignado com muita coisa e com bastante disposição para tentar abraçar o mundo. E, como palmeirense, ao frequentar o estádio, afastava-me desse pensamento ao observar uma oligárquica Mancha Verde, que vira e mexe tomava más decisões.
Porém, há pouco tempo, a Gaviões da Fiel ressuscitou aquele meu pensamento de anos atrás. Logo a Gaviões, tão criticada, tão rival. Mas isso se dissipou instantaneamente quando vi os uniformizados alavancando temas que de tão sociais, afugentam qualquer mínimo sentimento clubista.

Os protestos da torcida corintiana, a princípio, me geraram dois raciocínios. Primeiro: é importante demais ver o futebol entrando na luta. O esporte, sempre tão julgado por intelectuais um pouco mais conservadores (e chatos) como algo ignorante, reduzido à simploriedade de “pão e circo”, colocando Fernando Capez e sua quadrilha na parede e partindo pra cima de seus dois ‘opressores naturais’, CBF e Globo. Uma verdadeira realização para os fãs do esporte que não se contentavam em ficar apenas sabendo a nova affair do Pato.

Segundo: finalmente, é a ‘quebrada’ chegando para falar algo. Sem coletivos universitários ou militâncias partidárias, e sim o verdadeiro ‘povão’, aquele que prima tanto pelo jogo das 16h no domingo quanto por um prato de comida. Que acorda cedo na segunda sem tempo para reclamar, que tem (com justiça, e como eu) receio da polícia e sabe o que e quando algo cheira mal. O que faltou sempre foi instrução, organização e motivação – ou um estopim, melhor dizendo, afinal, motivação melhor que nosso cotidiano não existe. E o que melhor que uma torcida organizada?

No caso da Globo, a emissora só tem a perder. Deu as costas aos outros três grandes de São Paulo (que já flertam com outras emissoras), e o único clube a quem ela decidiu dar “privilégios” (muito menores do que os merecidos), a torcida deste a ataca como nunca antes. O monopólio das transmissões, pela primeira vez em muitos anos, é abalado.

A CBF permanece intocável pela frouxidão dos clubes, que permanecem omissos e submissos em meio a tantos escândalos e arbitrariedades da federação. E quando me refiro a clubes, me refiro a suas diretorias aristocráticas e poderosas, pois os verdadeiros representantes das agremiações são as torcidas, que agora começam a ter um novo e importante papel no processo de desconstrução da entidade que comanda o futebol. Em meio a tantos trâmites políticos, era o que faltava, e precisa ser mais forte.

A reivindicação por ingressos baratos é parte de uma corrente que vai ganhando mais partidários a cada dia, que é a contra o futebol moderno. Já com um discurso basicamente pronto, com pontos claros e uma retórica bem interessante, o movimento contra o futebol moderno não necessariamente assume um caráter conservador, e sim contra a segregação futbolística – afinal, quem se opôs ao apartheid sul-africano não poderia e nem deveria ser chamado de conservador.

A Gaviões novamente coloca para fora um grito sufocado de torcedores que querem de volta um bem que está sendo tirado de si. O futebol, a cada dia mais elitizado, é tomado abruptamente daqueles que o criaram e, dessa vez, o “espelho” que os exploradores nos dão em troca são bancos acolchoados, telões de última geração, escadas rolantes, cobertura contra chuva e cantinas gourmet. Pura ilusão frente à alma futebolística, que está sendo surrupiada – mas esse assunto vai longe, e pode render muitas e muitas teses.

E talvez a mais importante questão levada à tona pelos Gaviões foi a de Fernando Capez e a máfia da merenda. O mesmo Capez que, há alguns anos, conseguiu se eleger como Deputado Estadual apoiado no discurso pelo fim das torcidas organizadas. Sim, eles guardaram isso. E quando quase tudo deles foi tirado, eles resolveram ir um pouco além de pichações de muro, briga de porrete e destruição de carros alheios. A cobrança dessa vez não foi ao jogador que está fazendo corpo mole, e sim ao político que leva ao pé da letra a expressão “fácil como tirar doce de criança”. Ainda no ritmo do Carnaval, a torcida alvinegra tem feitos os desfiles da democracia, com cantos de reinvindicação e indignação. Com esclarecimento para não baixar mesmo com o verdadeiro boicote do Fantástico, que mostrou no último domingo apenas o que era conveniente em relação ao comportamento da torcida na última rodada.

E assim podemos até elucidar uma nova era nas manifestações Brasil à fora. Será que com torcidas organizadas participando de manifestações como aquelas contra o aumento da passagem de ônibus e metrô, o massacre policial aplicado nos manifestantes, em sua maioria estudantes, teria sido tão ‘bem sucedido’? É um novo tipo de massa que é chamado para o debate social. E em número suficiente para causar terror no até mais bem assessorado engravatado.

Só clamo para que a Gaviões do Fiel não deixe sua pequena revolução descambar unicamente para o lado pessoal. Que o ímpeto pela justiça social se mantenha e, quem dera, se una a outras torcidas. Todos nós, apaixonados por futebol, pedimos por paz nos estádios, mas em frente à sede da FPF e de outras organizações sanguessugas... Ah! O que menos queremos é a paz dos cartolas! Façam, com integridade, valer as palavras:

“Eu não roubo merenda, eu não sou deputado, trabalho todo dia, não roubo meu Estado [...] É guerra, é guerra, é guerra... liberdade ou guerra!”

Gabriel Proiete, 19 anos, é palmeirense, estudante de jornalismo da Universidade São Judas (SP) e fã de esportes americanos. Escreve periodicamente no Torcedores.com, é interessado em antropologia esportiva e na capacidade do futebol em mudar a vida das pessoas

Pós-jogo: Corinthians 2 x 0 São Paulo Mais do mesmo, mais uma vez

Pós-jogo: Corinthians 2 x 0 São Paulo Mais do mesmo, mais uma vez

Mais do mesmo, mais uma vez. Corinthians vence São Paulo no primeiro clássico de 2016 e mantém freguesia tricolor em Itaquera. Agora é a Libertadores.

Quatro Majestosos em Itaquera com 100% de aproveitamento, 13 gols feitos e 3 sofridos, saldo 10. O Corinthians tem uma invencibilidade incontestável quando é mandante contra o São Paulo e, ontem, mais uma vez, mostrou quem manda no confronto direto.

O jogo em si foi muito pegado, mostrando que o São Paulo não iria ser goleado como naquela memorável atuação corintiana no Campeonato Brasileiro do ano passado, inclusive, houveram alguns lances mais violentos que o comum, por parte do Corinthians já que o time são paulino possui este estilo de jogo, mais pegado.
 

O primeiro gol alvinegro surgiu de uma falha grotesca (no mínimo) do zagueiro Lucão que deu um passe espetacular para Luca que acabou abrindo o placar. Depois isso, o time deu uma recuada, esperando que o São Paulo se abrisse para contra atacar o tricolor. O rival até tentou, com dois lances de perigo, mas nada que deixasse Alvinegro ou a Fiel assustada.

Na segunda etapa o São Paulo continuou ameaçando com mais força que na primeira parte do jogo, forçando o goleiro Cássio (o melhor do jogo, a meu ver) a realizar brilhantes defesas. E, pra variar, aquela velha frase "Quem não faz, toma" virou realidade. No final da partida, bola alçada na área e Yago (zagueiro que anda se desenvolvendo, cada vez mais, mesmo com uma falha no primeiro tempo que culminou a grande defesa de Cássio em chute de Calleri) fez seu primeiro gol com a camisa do Corinthians, selando a vitória na partida.

Quanto aos estreantes, André e Giovanni Augusto, o primeiro se destacou pela disposição e por ter participado da jogada do primeiro gol mosqueteiro e o segundo por ter arriscado alguns dribles e jogadas mais ofensivas. Além disso, acredito que Yago e Guilherme Arana tiveram uma oportunidade para testar seus nervos com os argentinos Calleri e Centúrion, sendo um grande exercício para a Copa Libertadores que está para começar.

Após a vitória no clássico, o Corinthians deixa de lado o estadual para tentar iniciar com o pé direito sua jornada em mais uma Libertadores da América, contra o Cobresal nesta quarta-feira.

E viva a Democracia e a Liberdade

Durante a partida, mais uma vez, a Gaviões da Fiel estendeu faixas para protestar contra problemas que envolvem o futebol e política. Uma das faixas, inclusive, criticou a postura da Rede Globo que, preferiu evitar, ao máximo, a transmissão das faixas. Porém, deixo aqui minha satisfação e alegria pois a liberdade de expressão dos torcedores foi respeitada.

fiel-protesta-democraticamente-no-classico

Pós-jogo: Corinthians 2 x 1 Capivariano. Liberdade somente quando interessa

Pós-jogo: Corinthians 2 x 1 Capivariano. Liberdade somente quando interessa

O Corinthians venceu o Capivariano, ontem à noite, na Arena Corinthians, pelo placar de 2x1 e mantém os 100% de aproveitamento. Porém, o jogo teve um destaque negativo, não somente pelo desempenho no gramado, mas sim por um tema delicado e que, nem sempre é respeitado: a Liberdade de expressão e o livre pensamento.

A terceira rodada do Campeonato Paulista poderia ter terminado como um mero jogo onde os comandados de Tite comemorariam mais uma sofrida (literalmente) vitória contra o aguerrido Capivariano. De fato, ganhar sempre é interessante, o que dá confiança para o elenco e torcida que, aos poucos, vê um novo time sendo mondado.
Porém, gostaria de pedir ao leitor que entendesse que este texto não abordará análises táticas e nada além do que houve dentro das quatro linhas mas sim, e infelizmente, o que houve na arquibancada.
Durante a partida, a Torcida Organizada Gaviões da Fiel estendeu duas faixas em protesto sendo que uma se referia às contas do estádio alvinegro escrito "Cadê a$ conta$ do e$tádio?" e a outra "Jogo às 22h também merece punição", claramente criticando o atual sistema de transmissão do futebol onde quem mais sai prejudicado é, ainda, quem deveria ser tratado como o principal bem de qualquer clube: o torcedor.
Como se não bastasse, a Polícia Militar e alguns torcedores (não se sabe quem iniciou, de fato) entraram em conflito onde alguns torcedores acabaram se machucando.

Liberdade de expressão limitada é censura.
Liberdade de expressão limitada é censura (Créditos: worldsofleisure.com).

Dúvidas que dificilmente serão respondidas

Ao ler os sites sobre este conflito, pude perceber algo que me deixou bastante perplexo. A matéria do  Globo Esporte menciona o Estatuto do Torcedor artigo de número 13-IX é proibido "portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo" (sic).

Porém, minha dúvida é a seguinte: onde as faixas estendidas pela torcida possuem conteúdo racista ou, pior, xenófobo? Cobrar transparência na prestação de contas do nosso estádio; pedir horários melhores para o torcedor, por acaso, é um algo ofensivo a uma determinada parte da sociedade ou é pensar mais nos torcedores?

Sou crítico ferrenho das administrações dos clubes e, a meu ver, elas são as principais responsáveis pela situação do futebol nacional. Acredito, inclusive, que, se os clubes tivessem uma administração mais responsável, os horários das partidas seriam diferentes. Em outras palavras: o principal culpado não é a emissora mas sim quem não tem a menor responsabilidade de cuidar do clube do seu coração(?) com gastos absurdos e irresponsáveis. E quem paga por tudo isso? Não responderei mas tenho certeza que você, amigo(a) leitor(a), acertou.



♠ Publicado por Renato Ragazzini em ,,,,,,,,,

Pós-jogo: Corinthians 1 x 0 XV de Piracicaba - Isso é Corinthians!

 O Corinthians sofreu, demorou, mas conseguiu os três pontos em sua primeira partida oficial de 2016. O jogo teve aquele gosto especial que a torcida corintiana esteve, por muitos anos, acostumada: sofrimento (com perca de penal e gol corretamente anulado do adversário, marcação forte e muita emoção.

Os mais de 30.000 que foram matar a saudade do Corinthians depois de um longo período sem futebol presenciaram uma partida com aquele gostinho que a torcida sempre esteve acostumada: marcação forte, retranca adversária e muita, mas muita emoção e sofrimento. Nem mesmo o mais pessimista corintiano (se é que isso existe) esperaria tanto tempo para o time abrir o placar, que deixou de ser inaugurado devido a uma má cobrança de penal feita por Rodriguinho no primeiro tempo.

Pra aumentar a adrenalina, houve um gol corretamente anulado pela arbitragem do time de Piracicaba onde o jogador adversário estava em clara posição irregular, após o rebote de Cássio.

No segundo tempo, a marcação do XV continuou muito eficiente e conseguiu segurar o time mosqueteiro até o finalzinho quando, em passe inteligente de Elias para Romero que conseguiu abrir o placar e assegurar a primeira vitória em um jogo oficial do ano.

Romero faz primeiro gol do Corinthians pelo estadual
Romero faz o primeiro gol do Corinthians do Estadual (Creditos: Agência Corinthians).


Analisando taticamente, há pouco o que se destacar, pois o esquema continua o mesmo independente do contexto, o que pode ser um trunfo para o elenco que vem demonstrando muita garra neste início de ano.

Destaques do Corinthians

Se no aspecto tático não há muito o que dizer, individualmente devo mencionar dois jogadores que, a meu ver, se destacaram positivamente, Rodriguinho e Yago, um pela superação, após perder a penalidade, não se abater e ter intermediado a jogada que culminou o gol alvinegro, e Yago, pela seriedade que vem demonstrando no setor defensivo, eliminando, pouco a pouco, as dúvidas sobre nosso setor defensivo.

Nota de esclarecimento

Gostaria de pedir desculpas ao amigo(a) leitor(a) devido a não postagem deste texto na data certa (dia 1/2) devido a falta de tempo.

Pós-jogo: Corinthians 3x2 Shakhtar Donetsk (UCR) - Um fio de esperança

Romero marcou dois gols na vitória do Corinthians
Corinthians vence nos EUA com dois gols de Romero deixa a torcida mais animada para 2016 (Foto: Globo Esporte)
Por Renato Ragazzini

Em dois jogos, o Corinthians acumulou uma vitória e uma derrota, com três gols feitos e sofridos, ou seja, saldo zero. Provavelmente esta análise seria a mais simplista, e menos completa, que poderíamos fazer sobre este início de temporada do time alvinegro.

Mas temos que destacar outros pontos que deixaram o torcedor mais animado para esta temporada, apesar de mais uma perda para o futebol da China. Sim, infelizmente, perdemos nosso zagueiro Gil para o futebol asiático e suas fortunas intermináveis, mas isso é passado, bola pra frente pois temos que seguir, como sempre fizemos.

O jogo de ontem, apesar de um amistoso, se destacou, não somente pelos momentos de tensão entre Bruno Henrique e Taison, pela ótima postura tática que mantivemos, elo que insiste em permanecer no Corinthians graças ao método de trabalho e seriedade do nosso treinador.

Tite manteve o formato do esquema tático corintiano, o famoso 4-1-4-1 com Malcom e Romero pelas pontas do “segundo 4” ajudando na marcação quando o time estiver sem a posse de bola, Danilo recuando para reforçar a proteção feita por Elias e Rodriguinho mas, quando a bola estiver com a equipe, os pontas sobem junto com Danilo para ter um ataque em bloco e compacto, outra característica no Corinthians de Tite. Mas este ponto eu já salientei em minha primeira análise, postada neste blog na última segunda, e creio que não seja mais um segredo para nós.

Gostaria de destacar os pontos positivos do jogo que foram, a meu ver, dois jogadores da equipe vitoriosa: Yago e Bruno Henrique. Sim, nosso ‘primeiro volante’ vai conquistando, aos poucos, seu lugar de titular na equipe se aperfeiçoando na marcação adversária (coisa que Ralf realizava com muita competência) e auxiliando o meio com sua qualidade em iniciar jogadas (algo que o antigo ‘cão de guarda’ não tinha).

Bruno Henrique destaca corintiano na partida de ontem.
Bruno Henrique, junto com Yago, os principais destaques corintianos na partida de ontem (Créditos: Agência Corinthians).
Yago, jovem revelação corintiana, não comprometeu, atuando de forma segura e confiante, como todo zagueiro deve ser.

Claro que não podemos esquecer das falhas bizonhas do time ucraniano, porém, aproveitamos as oportunidades e Danilo (sempre ele) e Romero, por duas vezes (incrível como ele é esforçado e, aos poucos, mostra que pode ajudar) marcaram para o Corinthians.

No segundo tempo, Tite mudou o posicionamento, colocando Cristian (que ainda não mostrou porque veio), no lugar de Rodriguinho, mais recuado deixando a formação tática no 4-2-3-1. Complementando, sairam Romero, Malcon e Uendel e entraram Lucca, Marlone e Guilherme Arana.

Durante esta etapa, porém, a equipe sentiu desgaste físico típico de início de temporada e acabou levando enorme pressão do time europeu, onde Cássio, que não deixará o Corinthians (Ufa!) fez sua parte atuando de forma primorosa e ajudando a garantir a primeira vitória de 2016.

Em entrevista ao programa ‘Quatro em campo’, da Rádio CBN de SP, no fim do ano passado, Tite admitiu que conseguiu encontrar o time ‘ideal’ durante a segunda partida da temporada, no duelo pelo mesmo torneio, só que contra o Bayern Leverkusen onde acabamos vencendo pelo placar de 2x1. É verdade que os times e o contexto são completamente diferentes, porém, quem sabe, Tite não tenha conseguido encontrar o time ‘ideal’, a princípio, para que possamos recuperar o futebol de qualidade que o elenco desempenhou durante a temporada passada.

Isso só o tempo vai dizer mas o futebol apresentado, com toda certeza, deixou a torcida corintiana mais animada neste início de temporada.

Pós-jogo: Atlético-MG 1x0 Corinthians - Dos males o menor...

Por Renato Ragazzini

Assisti ao jogo atentamente para tentar elaborar minha primeira coluna pós-jogo neste blog. Como torcedor, infelizmente, vi meu time perder a partida, mas farei com que o lado racional fale mais alto do que a pura paixão. Se escrevesse somente com emoção, infelizmente, a corneta soaria contra tudo e todos mas, não seria nada justo com todos que estiveram em campo.

Considerando o contexto pelo qual ainda estamos passando (afinal, não sabemos se o time ainda pode perder ou trazer jogadores), creio que as dificuldades do time foram menores das que esperava. Pude observar o padrão tático do ano passado, no famoso e compacto 4-1-4-1, com os jogadores arriscando triangulações próximas a área adversária, muita vontade e sincronia além do normal para um time que atuou junto pela primeira vez após as férias. Danilo foi escalado como centro avante mas voltava para ajudar na marcação, buscar a bola e Romero, muito esforçado no jogo, avançava para tomar posição de Danilo, que foi feita pelo Love e Bruno Henrique, como primeiro volante, cuidando da defesa mas com um passe mais refinado do que o antigo cão de guarda, Ralf.
Posicionamento corintiano durante partida de ontem.
Posicionamento corintiano durante partida de ontem. (Crédito: Globo Esporte)


Sim, claro, a diferença técnica foi perceptível, porém, devemos considerar que teremos jogadores de qualidade como Guilherme e Luciano – que se recupera de contusão – para dar mais qualidade ao elenco.

Talvez com o conjunto inteiro a disposição, nosso “segundo quatro” seja formado por Marlone em uma ponta, Elias, Rodriguinho e Guilherme, na outra ponta. Adiantado, Luciano poderia muito bem suprir este setor. A partir daí, é deixar o tempo atuar para que busquem entrosamento.

E os reforços?
Com certeza, a meu ver, assim como a maioria de quem acompanhou o jogo, vai apontar Marlone como o principal reforço que atuou na partida de ontem. Voluntarioso e raçudo, fez o que pode para tentar mudar o placar e ajudar os demais. Isso é um excelente cartão de visitas para nosso time. Quanto ao Moisés, pareceu um pouco nervoso e errou alguns lances mas creio que será útil quando começar a conhecer o estilo de jogo dos seus companheiros de equipe.

E você, o que achou da estreia do Corinthians na temporada? Comente!

O que podemos esperar do Corinthians de Tite na temporada 2016?


O que podemos esperar do Corinthians de Tite na temporada 2016?

Menos de vinte dias de existência, 2016 já ficou marcado na memória de qualquer torcedor corintiano, infelizmente, de modo bastante preocupante. Se no segundo semestre do ano passado tivemos a oportunidade de assistir um time técnico, tático e muito unido em 2016 já não podemos ter esta certeza.

Começaremos a temporada jogando o clássico e monótono (mas sempre especial para nós) Campeonato Paulista, com times fracos, além dos grandes tentando pegar uma estrutura básica para começar, de fato, a temporada.

Porém, creio que estamos atrás justamente devido estas saídas repentinas que podem aumentar, caso Gil e Elias aceitem as propostas.

Palmeiras e Santos, até o momento, mantiveram seus elencos e, provavelmente, terão mais entrosamento que as demais equipes da competição. Nosso rival tricolor ainda está em fase de montagem e acredito estar atrás, inclusive do nosso Corinthians, pois tiveram que contratar até um novo técnico.

Enquanto isso, iniciaremos mais uma participação na Libertadores, o sonho de qualquer corintiano (afinal, quanto mais, melhor, não?) jogando contra o ‘desconhecido’ – mas atual campeão Chileno– Cobresal, no deserto chileno. Historicamente não tivemos muitas dificuldades em ultrapassar a fase de grupos (afinal, a única vez que fomos eliminados nesta fase foi em 1977, grupo que tinha El Nacional e Deportivo Cuenca, do Equador e o Internacional de Porto Alegre).


Tite terá seu primeiro grande desafio no seu retorno ao Corinthians
Tite, assim como a Fiel, terá um 2016 sabático (Crédito: Site Meu Timão)
Particularmente acredito que o Corinthians conseguirá, sem muito susto, se classificar nas duas competições, porém, devido aos argumentos já expostos, creio que teremos muitos problemas para chegar as finais de ambas já que mata-mata, literalmente, o contexto muda completamente. 

Evidente que este início de temporada nos impediu de sonhar alto, não sendo pessimista, mas realista, creio que este ano deverá ser mais sabático, envolvendo mais uma reformulação no elenco, só que, desta vez, infelizmente, mais profunda que nas últimas (como em 2014 e 2015).
Como torcedor, resta torcer pelo melhor da instituição e também do único ídolo que ainda continua no Corinthians, Tite.

Libertadores 2016: Corinthians é cabeça-de-chave e faz a estreia fora

♠ Publicado por Daniel Keppler em ,,,,,,,
Libertadores e seus times participantes
Libertadores 2016 terá o sorteio dos seus grupos nesta terça-feira (22), às 21 horas
Fala Fiel!

A CONMEBOL divulgou há pouco mais de uma hora o Ranking da Copa Libertadores, que servirá, entre outras coisas, para definir as posições de cada equipe no sorteio dos grupos, a partir da edição 2016.

Segundo a entidade sulamericana, o ranking é formado pela soma de três critérios: a performance dos times nas últimas 10 edições da Libertadores (hoje, de 2006 a 2015); um coeficiente histórico que abrange as edições anteriores (hoje, de 1960 a 2005) e um "bônus" para os campeões nacionais de cada país nas últimas 10 temporadas.

O ranking ainda pontua as equipes de acordo com sua participação (fase de grupos, mata-mata, etc) e também por vitórias e empates conquistados. Também vale ressaltar que a pontuação vai diminuindo conforme a conquista é menos recente. Por exemplo: o campeão da Libertadores-2015 ganhou 1000 pontos, e essa pontuação vai diminuindo 10% até chegarmos ao vencedor da edição 2006, que levou 100 pontos pro ranking.

Vocês podem acessar o top-100 do ranking da Libertadores nesse link, mas confiram abaixo o top-10:
Ranking de clubes da Libertadores
Algumas coisas ficaram definidas ou encaminhadas para o Corinthians, com a divulgação do ranking. São elas:

1 - O Corinthians será cabeça-de-chave no sorteio dos grupos
Graças ao ranking recém-divulgado, o Corinthians foi colocado no Pote 1, no sorteio dos grupos da Libertadores. O cabeça-de-chave tem uma vantagem: joga duas vezes em casa no returno da fase de grupos, incluindo a última partida - que muitas vezes é a decisiva

Os potes do sorteio ficaram assim:
Libertadores 2016 e os times da Primeira Fase
Libertadores 2016 e os times da Segunda Fase

2 - O Corinthians não enfrentará o Palmeiras nos grupos - mas pode enfrentar o São Paulo
A CONMEBOL definiu no regulamento que o sorteio da Libertadores 2016 será dirigido. Isso significa que não será possível a presença de dois times do mesmo país em um mesmo grupo, e isso será feito nos Potes 2 e 3. Caso o Palmeiras, por exemplo, seja sorteado no mesmo grupo que o Corinthians, ele será automaticamente transferido para o grupo seguinte, e um novo time será sorteado.

No entanto, o Pote 4 não terá essa restrição, o que torna possível uma reedição do que houve esse ano, com Corinthians e São Paulo no mesmo grupo. O fato, na realidade, é que é muito provável a formação de pelo menos um grupo com dois brasileiros ou argentinos - ou mais de um grupo, até!
Corinthians contra São Paulo pela Libertadores
Podemos ter Corinthians x São Paulo novamente na Fase de Grupos da Libertadores

3 - O Corinthians pode enfrentar um argentino na fase de grupos pelo 2º ano seguido
Existem duas possibilidades de isso acontecer: uma delas é o Rosario Central cair no nosso grupo, no sorteio do Pote 3. A chance é razoavelmente grande, pois isso pode acontecer diretamente ou indiretamente, caso eles sejam sorteados em um grupo com cabeça-de-chave argentino e acabem direcionados para o grupo seguinte - que pode ser o do Corinthians.

A outra possibilidade de isso ocorrer é se um dos dois argentinos do Pote 4 (Racing ou Huracán) cair no grupo corinthiano. Nesse caso, eles também teriam que passar pela Pré-Libertadores.
Corinthians contra Rosario Central pela Libertadores
Em 2000, o Corinthians eliminou o Rosario Central da Libertadores, nas oitavas-de-final

4 - A estreia do Corinthians será fora de casa, e o último jogo na Arena
Os confrontos dentro de cada grupo seguem uma ordem pré-definida, antes mesmo de o sorteio dos times ser feito. Como já sabemos que o Corinthians é cabeça-de-chave na Libertadores-2016, a ordem das partidas será a seguinte:
Jogos do Corinthians na Libertadores 2016

Já é bastante coisa, não? O resto, vai ser definido HOJE, no sorteio dos grupos, a partir das 21 horas. Vou acompanhar desde o início e, mais tarde, vamos analisar o caminho inicial do Corinthians rumo ao bicampeonato da Libertadores!

Vai Corinthians!
Assinatura de Daniel Keppler

Barcelona: o título mundial e a repercussão na imprensa [Análise]

♠ Publicado por Daniel Keppler em ,,,,
Time do Barcelona comemorando o Mundial
Fala Fiel!

Hoje cedo, aconteceu a final do Mundial de Clubes da FIFA, e deu a lógica: o Barcelona (ESP) venceu o River Plate (ARG) por 3x0, conquistando o 3º título da competição. Assim, agora eles são os maiores campeões mundiais, deixando para trás o Corinthians, bicampeão.

E pelo terceiro ano seguido, publicamos aqui no blog uma análise da repercussão do título mundial na imprensa - você pode ler o texto de 2013 aqui e o do ano passado aqui. O intuito básico dessa análise é verificar como as mídias em geral analisam o impacto do Mundial da FIFA no cenário do futebol, especialmente em relação à influência que a Copa Intercontinental exerce no meio jornalístico.

Assim como nos outros anos, a análise é dividida em duas partes: mídias nacionais e mídias estrangeiras. Espero que gostem!

Mídias nacionais

Houve uma diferença clara e gritante na abordagem do Mundial de Clubes por parte da imprensa. Já havíamos constatado, ano passado, que cada vez menos veículos tratavam a Copa Intercontinental e o Mundial da FIFA como torneios contínuos, adotando outras linhas de raciocínio - como citar o torneio intercontinental como um precursor da competição da FIFA, ou simplesmente ignorá-lo nas suas matérias.

A grande maioria dos jornais pesquisados exaltaram o tricampeonato do Barcelona, ressaltando que todos os títulos foram obtidos depois que a FIFA começou a organizar o Mundial. Uma parte dos veículos não citam a Copa Intercontinental em nenhum momento: ESPN, O Estado de São PauloTerra, Lance!, Fox Sports, R7, Jornal do Brasil e Metro.

Outros jornais adotaram interpretação parecida, colocando o Mundial de Clubes como uma continuidade da Copa Intercontinental, o que não é verdade - pois a FIFA jamais se envolveu na sua organização. Alguns fazem essa citação de forma indireta, outros de forma direta. Estão nesse grupo: Globo EsporteUOLZero Hora e VAVEL.
Print do Barcelona no Globo Esporte
Globo Esporte exaltou o trio MSN do Barcelona em sua reportagem
Uma minoria dos jornais ainda adota a postura que era majoritária até pouco tempo atrás, de unificar totalmente os dois torneios: O Globo, Folha de São Paulo e Gazeta Esportiva.

Vejam abaixo algumas citações interessantes desses jornais, que esclarecem um pouco de suas opiniões:

Globo Esporte
"(Barcelona é) o primeiro a conquistar torneio três vezes na era Fifa"

Zero Hora
"Com quatro títulos, a Espanha iguala o Brasil com em número de conquistas desde que o Mundial passou a ser organizado pela Fifa"

ESPN 
"(...) o Barça se torna o único clube a conquistar três títulos no Mundial da Fifa desde 2000"

O Estado de São Paulo
"Como venceu em 2009 e 2011, se tornou o time com mais troféus desde 2000, quando a FIFA passou a organizar a competição"

O Globo
"(...) juntando os troféus disputados a partir de 1960, os europeus agora têm 29 títulos mundiais, contra 26 dos sul-americanos."

Folha de São Paulo
"Porém, quando somado as conquistas do torneio quando era disputado no modelo anterior, com somente um confronto, Real Madrid e Milan ainda são os maiores vencedores, com quatro taças cada um."

UOL
"(...) o Barça se isola como o maior vencedor de Mundiais organizados pela Fifa. No entanto, considerando também a antiga Copa Intercontinental, o Barça ainda fica atrás de Milan e Real Madrid (quatro títulos), empatando com São Paulo e Inter de Milão (três títulos).

Resumindo: dos 15 jornais brasileiros pesquisados, somente três somaram os títulos de Copa Intercontinental e Mundial de Clubes nas suas reportagens; quatro fizeram citações, mas diferenciaram os torneios, e oito não fizeram nenhuma citação à Copa Intercontinental, direta ou indireta.

Mídias estrangeiras

Esse ano, pesquisei 45 jornais de 28 países, 80% a mais que em 2014 (os jornais inclusos este ano estão com o nome em azul). Leia abaixo um resumo do que foi publicado:

Washington Post - EUA (link): "Barcelona is the first club to lift the trophy in its modern format three times, following triumphs in 2009 and 2011." (Cita o ineditismo do tri do Barcelona, e que ele ocorreu no "formato atual" do torneio)

The Washington Times - EUA (link): "Barcelona is the first club to lift the trophy in its modern format three times, following its triumphs in 2009 and 2011." (O veículo usou a mesma fonte do Washington Post)

The New York Times - EUA (link): "Barcelona swept to the Club World Cup title by outclassing South American champions River Plate 3-0 on Sunday" (Não faz citação à Copa Intercontinental)

CBS - EUA (link): "Messi and Barcelona win Club World Cup, fifth major title of 2015" (O jornal destaca que foi o quinto título do time espanhol na temporada)

La Nación - Costa Rica (link): "Con este título, el Barcelona alcanza los tres 'Mundialitos' (tras los de 2009 y 2011), superando en el palmarés  al Corinthians, que ganó dos (2000 y 2012).(A matéria destaca que o Barcelona se isolou como maior campeão mundial, deixando o Corinthians isolado no segundo lugar)

El Universal - México (link): "El F.C. Barcelona se convirtió hoy en campeón del Mundial FIFA Clubes Japón 2015 tras vencer en la final al River Plate argentino por 0-3 (...) para ser el primer equipo en ganar tres 'mundialitos'." (O texto aponta o Barça como o primeiro a vencer três Mundiais)

El Comercio - Peru (link): "FC Barcelona alcanzó su tercer Mundial de Clubes, lo que le convierte en el club más laureado en esta competición." (O jornal peruano também afirma que o tricampeonato do Barcelona é inédito)
Print do Barcelona no Clarin
Para o Clarín, Messi destruiu a "ilusão" do River
Clarín - Argentina (link): "Barcelona ganó así el tercer Mundial de Clubes de su historia. El equipo catalán es el máximo campeón en la historia de la competencia que reemplazó a la Copa Intercontinental." (O Clarín coloca o Mundial como torneio substituto da Copa Intercontinental, atestando que o time catalão é o maior campeão do Mundial da FIFA)

Diario Olé - Argentina (link): "Tanto River como Barcelona saben lo que es ser campeón de mundo. El Millo obtuvo el título (por entonces Intercontinental) en 1986; los culés, en 2009 y 2011." (O Olé claramente considera a Copa Intercontinental como Mundial, pois afirma que o River Plate foi o melhor do mundo em 1986)

El País - Uruguai (link): "Ganó Barcelona y por tercera vez en su historia, domina el mundo." (O jornal uruguaio fez um artigo exaltando a artilharia de Suárez, e apenas cita que foi o terceiro troféu catalão na história)

El Gráfico - Chile (link): "Con Claudio Bravo como titular, el Barcelona se corona campeón del Mundial de clubes" (O texto do El Gráfico exalta o goleiro Bravo, e sequer cita que foi o tri mundial do Barça)

Mundo Deportivo - Espanha (link): "Los azulgrana estaban igualados a dos títulos con el Corinthians, campeón en 2000 y 2012, pero ahora ya comandan el ránking de una competición que a partir de 2005 es la hederera de la Copa Intercontinental." (A matéria coloca o Mundial de Clubes como um torneio sucessor da Copa Intercontinental)

ABC - Espanha (link): "El conjunto azulgrana conquista en Yokohama su tercer título mundial después de golear a un River Plate impotente frente al juego del campeón de Europa" (O diário espanhol cita que foi o terceiro mundial do Barcelona)

Marca - Espanha (link): "El Barcelona no falló en su cita con la historia en Yokohama y se proclamó campeón del mundo tras arrollar a River Plate en la final." (Esse ano o Marca não fez citações aos Intercontinentais, afirmando apenas que a equipe cumpriu com seu papel no torneio)

Sport - Espanha (link): "El tercer Mundial de Clubs da brillo a un palmarés tan extraordinario como sorprendente." (O jornal cita o título do Barcelona como extraordinário e surpreendente, considerando o modo conturbado como a temporada se iniciou para o clube)
Print do Barcelona no AS
Para o AS, o Barcelona foi tricampeão intercontinental...
AS - Espanha (link): "Luis Suárez firmó el doblete y el Barça sumó su tercer título intercontinental.(A postura do AS foi interessante, pois colocou o título do Barcelona como um troféu intercontinental, e não mundial)

France 24 - França (link): "Barcelona thump River Plate 3-0 to clinch third Club World Cup" (Assim como em 2014, o jornal francês não fez menção ao torneio intercontinental)

France Football - França (link): "Le club brésilien du Corinthians de Sao Paulo est la seule autre équipe à avoir gagné la compétition, créée en 2000, plus d’une fois." (A publicação francesa não faz citação à Copa Intercontinental; afirma que o Mundial foi criado em 2000 e que apenas o Corinthians possui mais de um título, além do Barcelona)

L'Équipe - França (link): "Le Barça est devenu le premier club à remporter trois fois le Mondial des clubs en battant River Plate en finale (3-0)." (A matéria destaca que o tri mundial do Barça é inédito)

Bild - Alemanha (link): "Der FC Barcelona hat als erster Verein zum dritten Mal die Club-Weltmeisterschaft gewonnen" ("O FC Barcelona tornou-se a primeira equipe a vencer por três vezes o Mundial de Clubes" - tradução livre)

Kicker - Alemanha (link): "Für Barça ist es nach 2009 und 2011 der dritte Sieg bei der Klub-WM. Ein Novum: Kein anderer Klub konnte diesen Wettbewerb so häufig für sich entscheiden." (O Kicker preferiu dar destaque ao fato de que os três Mundiais do Barcelona foram conquistados em sete anos, e que nenhum outro time é tricampeão do mundo como os espanhóis)

Dagens Nyheter - Suécia (link): "2009, 2011 – och 2015. Efter 3–0 mot River Plate blev Barcelona den första klubben att vinna klubblags-VM för tredje gången." ("2009, 2011 - e 2015. Após vencer o River Plate por 3x0, o Barcelona tornou-se o primeiro clube a vencer a Copa do Mundo pela terceira vez" - tradução livre)

BBC - Reino Unido (link): "Barcelona won their fifth trophy of 2015 after clinching the Fifa Club World Cup for a third time with a comprehensive victory over River Plate." (A BBC destacou a quinta conquista do time catalão na temporada)

The Guardian - Reino Unido (link): "Barcelona become the first team to win the trophy three times, surpassing the two titles won by Corinthians" (O texto reforçou que o Barcelona foi o primeiro a se tornar tricampeão, deixando o Corinthians sozinho com duas conquistas)

Telegraph - Reino Unido (link): "Barcelona become the first team to win the trophy three times, surpassing the two titles won by Corinthians" (O Telegraph usou a mesma fonte que o The Guardian)

Daily Mail - Reino Unido (link): "Almost symbolically of how things have changed, Messi and Neymar were declared fit just 90 minutes before kick-off, and the Ballon d'Or nominated team-mates ran the show to seal Barcelona's record third Club World Cup triumph." (O jornal inglês ressaltou que Messi e Neymar só foram declarados aptos para o jogo minutos antes da final)

The Mirror - Reino Unido (link): "In the tournament’s predecessor, the Inter Continental Cup, only one player managed to score three times in 90 minutes: Pele." (O Mirror apontou a Copa Intercontinental como "predecessora" do Mundial ao citar que Suárez igualou um feito de Pelé, ao marcar três gols em um só jogo de Mundial)
Print do Barcelona no FourFourTwo
O FourFourTwo destaca o reinado global do Barcelona
FourFourTwo - Reino Unido (link): "the first club to win three Club World Cups, following successful 2009 and 2011 campaigns." (A reportagem deu destaque aos três títulos mundiais do time catalão)

The Independent - Irlanda (link): "Barcelona become the first team to win the trophy three times, surpassing the two titles won by Corinthians" (O texto também destacou que o Barça se isolou como o maior campeão mundial de clubes)

A Bola - Portugal (link): "O Barcelona venceu este domingo o River Plate, por 3-0, no Japão, e tornou-se o primeiro clube a conquistar o Mundial de Clubes em três ocasiões (2009, 2011 e 2015)." (Outro jornal que aborda o ineditismo da conquista blaugrana)

DN Desporto - Portugal (link): "o 'Barça', de Luis Enrique, que só perdeu a Supertaça espanhola, tornou-se o primeiro a somar três títulos mundiais de clubes, repetindo 2009 e 2011." (Mesma abordagem do "A Bola")

La Gazzetta dello Sport - Itália (link): "Barcelona beat Copa Libertadores champions River Plate 3-0 in Yokohama on Sunday to claim their third Club World Cup title." (Outro veículo que não unifica os torneios e coloca o Barcelona como único tricampeão mundial)

Radio Télévision Suisse - Suíça (link): "Le FCB, déjà titré en 2009 et 2011, devient ainsi le 1er club à remporter ce trophée 3 fois." (O site suíço também coloca o Barcelona como única equipe a conquistar três mundiais)

Radio-Televizija Srbije - Sérvia (link): "Fudbaleri Barselone po treći put u istoriji osvojili su trofej Svetskog klupskog prvaka, pošto su u finalnoj utakmici savladali argentinski River Plejt sa 3:0 (1:0)." (O RTS destaca o tricampeonato mundial do Barça, após a vitória sobre os argentinos do River Plate)

Gazzetta - Grécia (link): "Όχι μονάχα η Ευρώπη, αλλά ο κόσμος ολόκληρος υποκλίνεται στη Μπαρτσελόνα που μέσα στο 2015 δεν άφησε... κορυφή για κορυφή και με το 3-0 επί της Ρίβερ Πλέιτ στη Γιοκοχάμα, κατέκτησε και το Παγκόσμιο Κύπελλο Συλλόγων!" (O jornal grego diz que 'o mundo se curvou' ao Barcelona, após a conquista em Yokohama)

The NZ Herald - Nova Zelândia (link): "Barcelona is the first club to lift the trophy in its modern format three times, following its triumphs in 2009 and 2011." (O NZ Herald unificou Mundial e Copa Intercontinental em 2014, e esse ano colocou o torneio da FIFA como um "novo formato" de seu predecessor)

BSS - Bangladesh (link): "Barcelona will be bidding to become the first team to win the Club World Cup three times in the final" (O jornal de Bangladesh ainda não havia publicado matéria sobre a final, mas em reportagem anterior ao jogo, o site colocou o Barcelona como o primeiro time a ter a chance de conquistar o tri mundial)

Bong Da Plus - Vietnã (link): "Với chiếc cúp vừa đạt được, Barca đã có được danh hiệu thứ 5 trong năm 2015, qua đó cũng trở thành CLB đầu tiên có đến 3 lần giành FIFA Club World Cup." (O texto aponta que o Barça foi o primeiro clube a vencer o Mundial por três vezes, e destacou que foi o quinto título da equipe na temporada)

The Japan Times - Japão (link): "Argentine superstar Lionel Messi recovered from illness to lead Barcelona to a record third Club World Cup title with a 3-0 win over River Plate in Sunday’s final." (O Japan Times não repete abordagem do ano passado, deixando de citar a Copa Intercontinental esse ano e colocando o tri mundial do Barça como inédito)

Shanghai Daily - China (link): "Barca captures 3rd Club World Cup" (O texto é sucinto, apenas afirmando que é o terceiro mundial dos catalães)

The National - Emirados Árabes Unidos (link): "The European champions (...) sliced through the River defence and looked as if they could score with almost every attack as they went on to win the title for the third time." (A matéria discorre sobre a superioridade dos espanhóis na partida, e também cita que foi o tri mundial do Barça)

ABC - Austrália (link): "The European champions, fielding six South American players in their starting lineup, sliced through the River defence and looked as if they could score with almost every attack as they went on to win the title for the third time." (O ABC também usou texto da Reuters, assim como o The National, adotando portanto a mesma abordagem)

Nigeria Nation - Nigéria (link): "Barcelona have now equaled the record of Egypt’s Ahly, reaching the 20th international title after winning the Club World Cup title." (A matéria do jornal nigeriano cita que foi o 20º título internacional do Barcelona, o que fez a equipe espanhola se igualar ao Ah-Alhy, do Egito, como o clube mais vencedor do mundo em torneios desse segmento)

Ahram Online - Egito (link): "The European champions, fielding six South American players in their starting lineup, sliced through the River defence and looked as if they could score with almost every attack as they went on to win the title for the third time." (Mais um jornal que usou o texto padrão da Reuters)

Digital Congo - Congo RD (link): "Le FC Barcelone s’est propulsé en finale de la 12ème Coupe du monde des clubs de la FIFA au terme de sa victoire par 3-0 face à Guangzhou Evergrande, dans la deuxième demi-finale jouée jeudi au stade International de Yokohama, au Japon." (O jornal do Congo RD ainda não havia postado sobre a final, mas em texto anterior, cita que o Mundial está em sua 12ª edição e falava sobre a classificação espanhola para a final do torneio)

Comentários

As abordagens são muito diversas, mas resumindo: nada menos que 37 dos 45 jornais pesquisados não fazem absolutamente nenhuma citação à Copa Intercontinental, direta ou indireta. Podemos separar esse grupo em dois: 18 deles se resumiram a descrever o título do Barcelona, ou apontar que se trata do tricampeonato; os outros 19 vão um pouco além, destacando o tri mundial do Barça como "inédito" ou nomeando o time como "o maior campeão mundial".

Dos oito jornais restantes, três não citam a Copa Intercontinental nominalmente, mas apontam o Mundial de Clubes como um "novo formato" da competição - são o Washington Post e o Washington Times (ambos dos EUA) e o NZ Herald (Nova Zelândia). Outros três têm a mesma opinião, mas citam a Copa Intercontinental nominalmente: Clarín (Argentina), Mundo Deportivo (Espanha) e The Mirror (Reino Unido). Por fim, o Olé (Argentina) unifica sem ressalvas as competições, e o AS (Espanha) estranhamente foge à regra e se refere ao Barcelona como um "tricampeão intercontinental".

Considerações pessoais

Analisando toda a pesquisa feita esse ano, verifiquei que 45 dos 60 veículos não fizeram simplesmente nenhuma citação à Copa Intercontinental. Motivos para fazer a citação não faltariam, afinal, segundo os que defendem o caráter mundial do torneio, o Barcelona não teria feito nada mais do que igualar outros seis supostos tricampeões mundiais (no caso, Peñarol-URU, São Paulo-BRA, Internazionale-ITA, Boca Juniors-ARG, Bayern de Munique-ALE e Nacional-URU). Logo, ignorar isso e apontar o time catalão como único tricampeão do mundo é, sim, uma grande mudança de postura.

Na Europa, isso é reforçado pelos dois supostos tetracampeões mundiais, ainda segundo a tese pró-Intercontinental: Real Madrid-ESP e Milan-ITA. Mesmo assim, somente a Folha de São Paulo e o UOL citaram essas equipes nominalmente. Nos jornais europeus, silêncio absoluto.

Também é interessante observar que a tendência de 2014 prosseguiu, no que se refere aos jornais de países que não tinham acesso à Copa Intercontinental. Todos eles apontam o Mundial de Clubes como o único possível - a única exceção é o NZ Herald, da Nova Zelândia.

Vamos ver como será a abordagem ano que vem, mas vai ficando claro que, cada vez mais, a Copa Intercontinental é parte do passado - e será uma página cada vez mais virada, conforme o Mundial de Clubes da FIFA ganha corpo e tradição.
Assinatura de Daniel Keppler