Nada como o tempo, Matheus Vidotto

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Revolta do agora 4º goleiro corinthiano pode ter sido seu ponto final no clube (Foto: Daniel Augusto Jr.)
Hoje, enquanto o Corinthians (e a torcida, por tabela) se preparavam para a partida de logo mais, contra o Avaí - que pode nos colocar um pouco mais perto do heptacampeonato brasileiro, uma notícia pegou a todos de surpresa: o goleiro Matheus Vidotto foi afastado do elenco pela diretoria.

O motivo? Simples: após a lesão de Walter, ocorrida no jogo contra o Atlético-PR, e devido à presença de Cássio na Seleção Brasileira, o Corinthians teve que recorrer a um de seus jovens goleiros para enfrentar a equipe catarinense. E o escolhido foi Caíque França, de 22 anos - preterindo, assim, Vidotto, de 24 anos.

Tal fato teria revoltado Matheus, que como resposta, rebelou-se, avisando que se não fosse relacionado como titular para a partida de hoje, preferia ser negociado para outro clube. Assim, como medida medida disciplinar, foi decidido que ele não só não será titular como sequer ficará no banco de reservas, que será ocupado por Felipe, de 19 anos, titular da equipe nas duas últimas edições da Copa São Paulo.

Matheus Vidotto já havia demonstrado na última quarta-feira que se considerava o terceiro goleiro, independente do que a comissão técnica pudesse achar. Quando Walter cai após bater o tiro de meta, ao invés de permanecer treinando (como Caíque fez), ele colocou as luvas e se dirigiu para o lado de Fábio Carille, talvez para receber as instruções. No entanto, o escolhido para substituir Walter foi Caíque, e Vidotto volta para o banco de reservas.

Nunca saberemos o que houve entre a noite de quarta-feira e este sábado, para fazer Vidotto tomar a atitude extrema (e totalmente injustificada) de exigir a titularidade, como se a mesma fosse uma senha de banco onde há uma ordem estabelecida e nada é capaz de mudá-la. O que se sabe muito bem, no entanto, são duas coisas: a primeira é que, em janeiro, o goleiro abriu mão de parte da pré-temporada para tirar seu passaporte italiano, ao contrário de Caíque, que escolheu embarcar para a Flórida junto com o resto do elenco. E a segunda, é que esse rapaz tem uma visão de mundo bem conhecida de todos nós. E sabemos disso muito bem graças aos posicionamentos políticos e ideológicos que o goleiro compartilhou, com afinco, nas suas redes sociais, especialmente ano passado. Vamos relembrar?
Prints de posts do perfil de Vidotto, de 2016, apagados posteriormente (Fonte: Reprodução / Meu Timão)

Prints de posts do perfil de Vidotto, de 2016, apagados posteriormente (Fonte: Reprodução / Meu Timão)
Não é de se estranhar que uma pessoa com essa índole realmente se achasse acima do seu colega Caíque, de tal modo que seria impossível a comissão técnica considerá-lo a terceira opção para o gol, em seu lugar. Não, jamais! Ele, Matheus, era o dono dessa vaga e pronto. aparentemente, nem mesmo os anos de convivência com Tite, pregador fiel da meritocracia, foram capazes de mostrar ao jovem de 24 anos que, no mundo real, você deve fazer por merecer cada conquista. A cada dia. E que nada é "seu" porque você quer que seja.

Coincidência ou não, é curioso que mais um jogador que havia mostrado simpatia ou declarado apoio a Bolsonaro tenha perdido espaço em sua equipe. Primeiro, foi Felipe Melo, no Palmeiras. Depois, Jadson, que nunca mais rendeu como antes depois do lamentável episódio envolvendo o político. E agora, Matheus Vidotto, que a depender do andamento das coisas pode acabar indo embora do Corinthians.

E assim, mais de um ano depois, que provavelmente devem ter sido recheados de demonstrações de descompromisso por parte do rapaz - ninguém é preterido por um atleta menos experiente à toa -, o Corinthians poderá enfim negociar um de seus atletas cuja ideologia mais bate de frente com o que a instituição Corinthians sempre defendeu. E que Matheus Vidotto siga sua vida, "expressar suas opiniões livremente", no clube que aceitá-lo depois dessa crise histérica.

Nada como o tempo!

Não foi aquele Corinthians do primeiro turno, mas foi um Corinthians possível - e vencedor

Marquinhos Gabriel, Clayson e Rodriguinho: três destaques da vitória corinthiana (Foto: Agência Corinthians)
Dizer que o Corinthians entrava pressionado para o jogo contra o Coritiba talvez seja um pouco demais. Mas o fato é que, desde a vitória contra o Sport, no encerramento daquele primeiro turno praticamente perfeito, o time era outro. Em nove jogos desde então, apenas duas vitórias e três derrotas. Somente cinco gols marcados, sete sofridos. Números dignos de um time na zona de rebaixamento. E que, não fosse a mediocridade dos concorrentes ao título, poderiam ter colocado a liderança em risco.

Mas se o Corinthians não estava pressionado, no mínimo estava ciente de que precisava fazer mais. E o jogo era propício para isso: bastava o time querer. Mesmo com desfalques, como Fagner e Pablo. Mesmo com mudanças na equipe titular, como a entrada em definitivo do Marquinhos Gabriel. Todos sabiam que dava pra fazer mais e melhor.

E o que se viu nos primeiros minutos de jogo foi um alento: trocas rápidas de passes, triangulações... um Corinthians que estava sumido fazia tempo! O gol foi questão de tempo: logo aos nove minutos, Balbuena achou Jadson na intermediária, que de primeira - e de calcanhar! - tocou para Jô, que foi certeiro na finalização: Corinthians 1x0. Um gol com a rapidez e eficiência que foi a tônica do primeiro turno.

Seria uma pena se o time tivesse meio que parado por aí. Jadson, por exemplo, pareceu esgotar todo o futebol da noite naquele passe. Depois, morreu. O título de craque do meio-campo, que podia ser dele, acabou entregue a Marquinhos Gabriel, que definitivamente voltou a merecer o apelido de Messinho Gabriel! Onde você estava esse tempo todo, rapaz? Felizmente para o Corinthians, o meia vem melhorando seu futebol a cada jogo que passa, e ontem, como titular, deu outra cara ao meio-campo alvinegro. Até mesmo Rodriguinho jogou melhor com ele do lado. E isso é excelente para o time.

A acomodação da equipe bem que poderia ficar reservada ao ataque, e assim o primeiro tempo terminaria com a vantagem mínima do Corinthians no placar. Mas nem tudo é como queremos, e a desatenção foi transmitida aos defensores. Não apenas no final do primeiro tempo, como no começo do segundo, Cássio se viu forçado a fazer dois verdadeiros milagres, mas infelizmente não evitou o gol de empate do Coritiba, ainda aos 39 minutos da primeira etapa, graças a uma incrível falha de marcação que permitiu a Henrique Almeida subir sozinho para marcar na cobrança de escanteio. Lá se foi a vantagem no placar.

Gols do Corinthians na partida

Mas, quem diria, depois de um susto logo nos primeiros minutos do segundo tempo, o Corinthians cresceu. Dominou o jogo, e começou a criar chances. Só faltava aquela atenção maior no último passe. Aos nove, Léo Príncipe cruzou e Jô tentou - ficou no quase. Aos 13, Camacho fez boa jogada, mas Wilson impediu a finalização do atacante. Foi quando ele entrou em cena: o cara que, pelo visto, vai ser o xodó desse título, se o hepta for confirmado: Clayson, que substituiu Maycon aos 15 minutos. 

Rodriguinho foi recuado; na frente, um quarteto composto por Clayson, Jadson, Marquinhos Gabriel e Jô. Com essa formação, o Corinthians se impôs de vez e incendiou o jogo - e, por tabela, os 36439 torcedores que foram à Arena. É verdade que não foi AQUELE Corinthians do primeiro turno... mas foi um Corinthians possível. E que se resolver aparecer mais vezes no futuro, nos garante o troféu sem sombra de dúvidas.

O Coritiba não ficava com a bola, e isso finalmente não pareceu ser um problema para o líder do campeonato, que sabia muito bem o que fazer com ela. As chances eram perdidas uma atrás da outra, com Clayson (mais de uma vez), Marquinhos Gabriel (que quase fez um golaço do meio da rua), Jô... o gol novamente parecia ser questão de tempo. E era: aos 33, Jô recuperou a bola na linha de fundo e todou para Léo Príncipe, que cruzou para Rodriguinho desviar na cabeça de Clayson, o iluminado da noite: Corinthians 2x1, enfim. Nada mais do que o merecido.

Foi um gol nascido em uma jogada aérea, e isso foi um dos pontos altos da noite. O Corinthians, finalmente, pareceu ser um pouco mais certeiro (um pouco!) nos cruzamentos do que ultimamente. Pelo menos ontem, nem todos eram interceptados pela defesa do Coritiba; muitos encontraram algum corinthiano na área, e isso é essencial para um time que passou a depender muito mais de jogadas aéreas do que antes.

O jogo ficou morno no terço final do segundo tempo. Carille sacou Jadson para colocar Fellipe Bastos (lembram dele?), e o fato de isso não ter mudado em nada o jogo mostra o quanto nosso Magic Jadson tem sido um jogador mais que comum. Poucos minutos depois, Jô saiu para a entrada de Kazim. Nesse meio-tempo, um susto: gol do Coritiba, bem anulado por impedimento. Foram dois na noite, aliás. Mas sem polêmica, dessa vez.

Ainda houve tempo para deixar o placar mais realista sobre o que foi o jogo: aos 43, Rodriguinho avançou pelo meio-campo, driblou o defensou e chutou forte de fora da área: a bola explodiu na trave e, mansamente, procurou os pés dele, Clayson, que só precisou empurrar para o gol: Corinthians 3x1, com dois gols do novo xodó da Fiel.

Com a vitória, o Corinthians chegou aos 58 pontos, e abriu (provisoriamente) 11 pontos do vice-líder, que joga hoje. Segundo o técnico Fabio Carille, a comissão técnica projeta mais cinco vitórias nos 11 jogos restantes para garantir o heptacampeonato brasileiro. Se continuar jogando como no segundo tempo, não há porque não imaginar que esse objetivo é perfeitamente alcançável.

No entanto, para isso, é urgente que Marquinhos Gabriel e Clayson integrem definitivamente a equipe titular. Ambos têm feito o Corinthians evoluir a olhos vistos, e vêm acumulando exibições individuais que simplesmente não podem ser ignoradas! As opiniões sobre quais jogadores deveriam sair para a entrada de ambos são as mais diversas, mas eu tenho dificuldades de ver Romero fora dessa equipe, mesmo sabendo de seu jejum no ataque, que já dura quatro meses. É um dos atletas mais defensivamente eficientes do Corinthians e do Brasileirão! Preferia dar um chá-de-banco no Jadson, por exemplo, que quando não tá a fim de jogo faz o time jogar com um a menos. Não podemos passar por isso. Outro jogador teria que sair do time, mas hoje não tenho opinião formada sobre quem deveria ser.

Agora são três dias até o jogo contra o Bahia, na Fonte Nova. Podemos sair de lá com no mínimo um ponto, ou mesmo com os três. Nem precisamos ser o Corinthians do primeiro turno... sendo o "Corinthians possível" de Clayson e Marquinhos Gabriel, conseguimos a vitória! Vai Corinthians!

Malcom: mais um que vendemos por dinheiro de pinga. Até quando?

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Malcom: promessa no Corinthians, realidade no Bordeaux (Foto: Agência Corinthians)
Acabou de sair na imprensa: o Corinthians não tem mais nenhuma porcentagem dos direitos do atacante Malcom, cria do clube e que atraiu a atenção dos franceses do Bordeaux, que acabaram acertando sua compra no início do ano passado. Não custa lembrar os termos do negócio firmado à época: o clube europeu desembolsou € 5,5 milhões (ou cerca de R$ 22 milhões) para tirar o atacante do Parque São Jorge, dos quais apenas 30% seriam destinados ao Corinthians. Como o clube escolheu vender apenas metade dos seus direitos, acabou ficando com apenas R$ 3,3 milhões. Ou cerca de seis meses de salários do Cristian, por exemplo. Por uma das nossas maiores promessas da base. Enfim!

Continuar com metade dos direitos sobre o Malcom (15%) foi um lapso de bom senso de uma diretoria que vem se destacando pela competência em fazer maus negócios. Um alento, digamos assim, diante de um cenário sombrio vivido pelo clube, que arrepia qualquer corinthiano. Empresários ainda detendo influência e participações quase obscenas nos direitos dos nossos atletas; uma demora inexplicável para fechar qualquer negociação de reforços ou renovação de contrato; comercialmente, uma flagrante desvalorização da nossa marca, que tornou a tarefa de fechar acordos robustos de patrocínio em algo hercúleo; sem falar no clima de total instabilidade política que insiste em rondar o clube. Vamos convir que é um cenário tenso, então qualquer sinal de uma decisão sensata dessa diretoria merece destaque...

Não vou questionar muito o fato de termos nos desfeito, na época, de um jogador que havia acabado de ser eleito uma das 10 maiores promessas sub-18 do mundo, em lista produzida pelo portal Goal.com - à frente, inclusive, do badalado Gabriel Jesus, comprado a peso de ouro pelo Manchester City. Isso pois o Corinthians detinha uma minoria dos direitos do rapaz, e certamente a negociação teve dedo de seu empresário. Creio que se o Corinthians tem alguma culpa nisso, foi em permitir que Fernando Garcia detivesse 35% dos direitos do Malcom. Por isso, exalto tanto a decisão de se manter com os tais 15% do jogador.

Vamos avançar no tempo: janeiro desse ano. Depois de muito fuçar o mercado, o Corinthians encontra no próprio Bordeaux o nome que buscava para reforçar a defesa: o zagueiro Pablo, de 25 anos. O negócio foi fechado por empréstimo, com valor de compra pré-fixado no contrato. Não demorou muito para que o jogador caísse nas graças de Carille e da torcida: virou titular absoluto, e jogador fundamental para que o Corinthians se tornasse uma das defesas mais seguras do país. A certeza de que se tratava de um jogador especial fez com que, já em abril, o clube começasse a admitir a vontade de adquirir o zagueiro em definitivo.

A partir de então, as idas e vindas foram muitas: em junho, o clube francês tentou envolver Guilherme Arana no negócio, o que felizmente foi rechaçado pela diretoria corinthiana (às vezes eles pensam). Mas foi no mês seguinte que as partes chegaram mais perto de um acordo, quando o Corinthians propôs incluir os 15% de Malcom no negócio - e o Bordeaux chegou a aceitar, tanto que o negócio chegou a ser anunciado como concretizado. Mas em seguida, melou, por conta de divergências na forma de pagamento do agente do zagueiro, pelo que parece. E, desde então, o assunto morreu.

Só que em agosto a temporada europeia começou. E qual não foi nossa surpresa ao vermos como ela começou para Malcom: o brasileiro vem brilhando na Ligue 1. Só nas primeiras seis rodadas, foram três gols e três assistências. Nem mesmo o fracasso de seu time na Liga Europa serviu para minar o seu sucesso, de público e crítica, que esse mês foi coroado por mais um veículo de imprensa: o L'Equipe emplacou o jovem no 21º lugar de uma lista dos 50 melhores jogadores sub-21 do mundo. Já era certo de que Malcom havia deixado de ser uma promessa e se tornado uma realidade no Bordeaux. E que realidade!

E justamente nesse contexto, quando finalmente ficou claro o quanto Malcom evoluiu, quando todos estão vendo o tipo de jogador que ele está se tornando e pode se tornar em um futuro muito próximo, vem a bomba: o Corinthians aceitou se desfazer dos seus últimos 15% sobre o jogador por ridículos € 4,5 de euros (ou R$ 16 milhões). Somando as duas negociações, o clube não levou sequer R$ 20 milhões por um jogador que, do passado pra cá, já foi apontado como um dos 10 melhores jogadores sub-18 e um dos 20 melhores jogadores sub-21 do mundo. É mole ou não é?

O primeiro pensamento que me vem à mente é que, de fato, não aprendemos absolutamente NADA com o caso Marquinhos. A menos que o Malcom esqueça seu futebol da noite para o dia, será questão de tempo até que algum clube mais gabaritado o tire do Bordeaux, gerando aos franceses um lucro estratosférico. E a nós, restará as migalhas do mecanismo de solidariedade da FIFA - que no caso dele, representam 3% de qualquer futura transação. Nem um pouco suficiente pra aplacar a frustração pelo péssimo negócio.

O segundo pensamento que me vem à mente é sobre o que justifica se desfazer dos 15% de Malcom por um valor que é tão escancaradamente abaixo do que ele vale. Nosso rombo financeiro é muito maior do que esses R$ 16 milhões; além do mais, o clube ainda não parece ter esgotado todas as opções de enxugamento das receitas. E pra piorar, nem mesmo a questão Pablo foi resolvida com esse negócio. Ou seja, foi bom pra quem?

Por fim, só me resta lamentar profundamente que o Corinthians continue achando OK dilapidar seu patrimônio dessa forma. Podemos ter evoluído muito nos últimos anos, aumentado nossa reputação, nos organizado em diversos aspectos. Mas se tem algo que ainda não sabemos fazer, é negociar atletas. Relembrar, por exemplo, que já em 2012 o São Paulo conseguiu receber R$ 108 milhões do PSG por Lucas Moura, e que há pouco mais de um ano o Palmeiras levou R$ 121 milhões do Manchester City por Gabriel Jesus só faz aumentar essa minha certeza, e a vergonha por ver nossa diretoria se contentar com somas tão menores por um jogador de potencial similar. Dinheiro de pinga, não tem outra definição.

Até quando, Corinthians?

Que as polêmicas furadas do Majestoso não desviem o foco da nossa situação: precisamos debater o Corinthians

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A derrota para o lanterna Atlético-GO foi apenas um dos vários resultados desastrosos do Corinthians nos últimos 40 dias (Foto: Uol)
É hora de voltar a falar do Corinthians. Faz pouco mais de um mês desde meu último texto, e naquela época tudo parecia muito bem: equipe líder, com apenas um tropeço grave (a derrota para o Vitória), e a caminho de um título brasileiro que parecia questão de tempo para muitos.

Só que de lá pra cá muita coisa mudou, ainda que nossa liderança não tenha sido ameaçada. Perdemos mais dois jogos, contra Atlético-GO e Santos. Os gols marcados se tornaram produto escasso. Caímos na Copa Sul-Americana após dois empates diante dos argentinos do Racing. E hoje, novamente tropeçamos contra um time da zona de rebaixamento, o São Paulo.

Como se não bastasse a fase não ser das melhores, o desenrolar do jogo nessa manhã ajudou bastante para que nós, corinthianos, discutíssemos de tudo um pouco nessa tarde de domingo: a pedrada no ônibus do Corinthians, ao chegar no Morumbi; o gesto obsceno de Gabriel ao comemorar nosso gol de empate; os lances polêmicos da partida, como o gol anulado do São Paulo; e por fim, o show de choradeira dos atletas adversários (capitaneados pelo seu treinador) ao comentar o resultado. E não seria nenhum problema debater todos esses lances, se isso não estivesse nos impedindo de debater o fundamental: nosso próprio time!

Nosso senso de corinthianismo nos obriga, naturalmente, a fazer defesas enfáticas e imediatas do time, especialmente porque é impossível se manter calado diante de declarações como as de Petros, que disse que seu time "deu uma aula de futebol no líder". Ou se Hernanes, que cravou que há "mãozinhas beneficiando o Corinthians". Isso sem falar no eternamente vitimista Dorival, que desde a época de Santos gosta de jogar na arbitragem a culpa pelos seus próprios fracassos. Apesar disso, nosso foco não deveria ser esse... afinal sempre haverá profissionais frustrados à procura de uma conspiração para chamar de sua. Nós, aqui, temos um time pra analisar. E precisamos realmente fazer isso.

Os números mostram que o Corinthians passou por uma oscilação em julho, quando empatou contra Atlético-PR e Avaí. Mas ultrapassou por isso, recuperando o bom futebol e vencendo quatro dos cinco jogos seguintes - sendo o último deles o 3x1 sobre o Sport. Então veio a pausa de 14 dias, no meio de agosto, e com ela a dúvida: o time voltaria melhor ou pior? Afinal, o time estava sofrendo com desfalques, muitos provocados por lesões, e era a chance de ter todo mundo 100% de novo.

A derrota de 19 de agosto para o Vitória, em plena Arena, foi um choque. Esperava-se que fosse apenas um outro acidente de percurso, tal qual o empate com o Atlético-PR. Mas então veio a vitória no Sul, contra a Chapecoense, graças a um gol fantasma de Jô nos acréscimos do segundo tempo. E então mais duas derrotas, uma delas imperdoável (contra o lanterna Atlético-GO) e outra inexplicável (devido à falta de vontade demonstrada contra o Santos). Depois disso, mais quatro jogos, nos quais o Corinthians acumulou três empates e apenas uma vitória. É, aquela com o gol de braço do Jô. Resumo da ópera: nos últimos 40 dias, o ainda líder do Brasileirão acumula oito jogos, dos quais venceu dois e perdeu três. Marcou apenas quatro gols, e sofreu seis. E caiu fora da Copa Sul-Americana.
Talvez eu esteja sendo previdente em excesso por ver esses números como desastrosos. Talvez eu devesse, realmente, olhar o copo meio cheio, como muitos me recomendam, e ponderar que instabilidades estão sendo a tônica desse campeonato, e que a única coisa fora do normal era a campanha invicta do primeiro turno (o que não é uma mentira). Mas eu não consigo ver essa queda de produção e simplesmente relevar, como se uma hora ela acabasse e o time voltasse a render. E me preocupo que a torcida, em grande parte, não pareça se preocupar tanto assim com o desempenho do time, preferindo continuar batendo na tecla da tal vantagem na liderança sobre o Grêmio. Afinal de contas, não é mais relevante o modo como o time se comporta em campo? A vontade passou a ser dispensável? O que importa de verdade, agora, é manter a vantagem pra poder dizer "segue o líder" e comemorar o hepta em dezembro?

Não sou o mais fanático dos corinthianos. Mas eu sou de uma época em que a torcida não era complacente com uma série tão grande de jogos ruins do time. Estamos falando aqui de duas vitórias em um mês e meio, com média de 0,5 gol marcado por jogo. Tudo isso sendo relevado porque o time acumulou uma vantagem na ponta, que só não se desfez totalmente graças ao abandono do Brasileirão promovido pelo único time capaz de nos fazer frente, o Grêmio. Me pergunto o que será necessário acontecer para que a torcida acorde desse transe. Teremos que perder a liderança?

Que São Jorge nos ajude e isso não seja necessário. O time não pode ter se esquecido de como joga. Minha esperança, pessoalmente, é que Carille encontre uma maneira de reinventar seu esquema, talvez fazendo Jadson esquentar o banco por um tempo. Precisamos urgentemente recuperar a eficiência do setor de criação, que claramente está destoando do resto da equipe. Isso já seria meio caminho andado para voltarmos a ser o líder seguro de antes, e não esse líder vacilante que depende de tropeços alheios para manter a vantagem.

Teremos uma sequência de seis jogos até o Derby contra o Palmeiras, sendo dois em casa e quatro fora. Não deixa de ser uma boa notícia, já que o estilo de jogo do Corinthians se encaixa melhor longe de Itaquera. Entre esses jogos, um é especialmente importante: contra o Grêmio, dia 18 de outubro, em São Paulo. Será a hora de vencer e mostrar porque merecemos esse troféu, mais que qualquer outro time!

Corinthian-Casuals inicia bem a temporada 2017/18

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Equipe do Casuals que foi a campo contra o Hythe Town, pela estreia na FA Cup (Foto: Stuart Tree)
A tristeza pelo final da última temporada do Corinthian-Casuals ainda não passou direito... afinal, perder a última vaga do acesso à sétima divisão nos pênaltis não é fácil. No entanto, vida que segue: após pouco mais que três meses, nosso time inglês preferido voltou às competições, buscando manter a boa forma. E por enquanto, não está fazendo feio!

Foram exatos 102 dias entre a derrota para o Dorking Wanderers na final dos playoffs de acesso, em maio, e a estreia na edição seguinte da liga, que ocorreu no último dia 12, fora de casa, contra o Hastings United pela Bostik League South Division. Nesse meio-tempo, muitas mudanças no elenco: nove jogadores deixaram o Casuals, entre eles o artilheiro Shaun Okojie, e outros chegaram para preencher o espaço deixado. Como se a busca por entrosamento não fosse desafio suficiente para a partida inaugural da temporada, o Casuals ainda precisou cumprir uma punição, e por isso não teve o manager James Bracken à disposição para o jogo.
Defesa do Casuals se protege de ataque do Hastings United (Foto: Stuart Tree)
O Casuals foi a campo com uma mescla de jogadores veteranos e iniciantes, e até começou o jogo superior ao Hastings (teve um gol anulado nos primeiros minutos, inclusive), mas acabou sofrendo um gol na sequência, perdeu forças na partida e ainda viu os donos da casa ampliarem o placar antes do intervalo. No segundo tempo, conseguiu diminuir com um gol de Mu Maan aos 33 minutos e pressionou muito, principalmente após a entrada da lenda Jamie Byatt - mas não conseguiu o empate. Final de jogo: Hastings United 2x1 Corinthian-Casuals.

Três dias depois (dia 15), ocorreu a estreia do Casuals em casa, pela segunda rodada da liga! Foi o último jogo da punição do manager James Bracken, e o primeiro após a saída do assistente técnico Joe Davies. Sendo assim a equipe foi treinada pelo assistente técnico substituto, Dan Pringle, que enviou a campo uma equipe semelhante à da estreia. O jogo em si foi tecnicamente pobre, com pouquíssimas chances de gol... não foi à toa que o 0x0 persistiu por quase toda a partida. Quase: no último minuto, Dave Hodges encontrou Mu Maan livre, que enfim venceu o goleiro do Greenwich Borough: era o gol da vitória do Casuals, garantindo os primeiros pontos na tabela da liga!
Mu Maan celebra o gol salvador contra o Greenwich (Foto: Stuart Tree)
Já no último sábado (19), foi a vez de mudar a chave e estrear por outra competição: a simpática e tradicional Copa da Inglaterra, o torneio entre clubes mais antigo do mundo! Nessa temporada, o Casuals estreou na segunda fase do torneio, a Rodada Preliminar, e o sorteio colocou como adversário uma equipe que disputa a mesma divisão, o Hythe Town. Em jogo, além da vaga para a fase seguinte, um prêmio de £ 1925 - parece pouco, mas para uma equipe amadora toda ajuda é bem vinda!

Só que estamos falando de um Corinthians aqui, inglês mas ainda um Corinthians... e para os corinthianos tudo é mais sofrido. O jogo, que começou com uma homenagem ao ex-jogador do Casuals, Doug Insole, que falecera dias antes aos 91 anos, manteve-se frio no primeiro tempo, com poucas chances criadas. No segundo tempo, o cenário não melhorou - e acabou piorando aos 14 minutos, graças ao gol do Hythe. Nosso goleiro Danny Bracken ainda fez uma grande defesa, minutos depois, evitando o segundo gol dos visitantes, e animou os companheiros a tentar um empate salvador nos minutos finais. E não é que aconteceu? Aos 43 minutos, Jerson dos Santos passou por Sam Adams e encontrou ele, o artilheiro Mu Maan, livre para finalizar com perfeição e salvar o Casuals da derrota, pelo segundo jogo seguido! O resultado, se não eliminou a equipe, também não a classificou: acabou forçando o jogo-desempate (chamado de "replay" por lá), na casa do Hythe Town, e que foi jogado na última terça (22).
Jogadores comemoram mais um gol salvador de Mu Maan, dessa vez pela FA Cup (Foto: Stuart Tree)
Jogando de branco pela primeira vez na temporada, o Casuals começou o replay jogando melhor que os donos da casa, com Jerson dos Santos e Jamie Byatt dando bastante trabalho aos marcadores adversários. No entanto, em um lance inusitado e de muito azar, a equipe acabou sofrendo o primeiro gol, em um chute fraco de Ryan Palmer que (sabe-se lá como) venceu Danny Bracken. Felizmente, os visitantes não sentiram o golpe, e continuaram criando chances de gol; o empate parecia questão de tempo, e enfim foi conquistado aos 40 minutos, em bela jogada individual de Gabriel Odunaike que foi perfeitamente finalizada com um forte chute! Tudo igual no Reachfields Stadium.

O segundo tempo foi mais frio que o primeiro, e certamente mais equilibrado. Enquanto os minutos passavam, sem mudanças no placar, a tensão só aumentava. Mas quando tudo parecia caminhar para uma disputa de pênaltis, um lance aos 40 minutos mudou absolutamente tudo: em um lance de ataque do Casuals, Reyon Dillon se viu frente a frente com o goleiro do Hythe, Will Godmon, que na tentativa de desarmar o atacante, o derrubou na área. O árbitro sequer hesitou: marcou pênalti para o Casuals e expulsou o goleiro, que não questionou. Josh Uzun foi para a cobrança e não desperdiçou: era a virada do Casuals! Com um a mais, ainda houve tempo para Ben Cheklit marcar o terceiro da equipe, aos 45 minutos, garantindo de vez a vitória e selando de vez a classificação para a próxima fase da Copa da Inglaterra!

Confira agora os próximos jogos do Corinthian-Casuals:

26/8 - East Grinstead Town x Corinthian-Casuals (Bostik League South)
28/8 - Corinthian-Casuals x Carshalton Athletic (Bostik League South)
2/9 - Ashford Town (Middlesex) x Corinthian-Casuals (FA Cup - 1ª Rodada de Qualificação)

Nós estaremos aqui, como sempre, torcendo muito! Go Casuals!

Em defesa de Felipe Garraffa

Vagner Mancini na coletiva após o jogo em Itaquera (Foto: Reprodução / YouTube)
Apesar do título desse texto, eu não acho que o Felipe Garraffa precise de alguma defesa. Mesmo que precisasse, creio que ele tem capacidade de fazê-lo. Mas quando um profissional é acuado por quem quer que seja, apenas por estar fazendo seu trabalho, é necessário se posicionar.

O jogo já havia acabado, a invencibilidade do Corinthians havia caído e o Vitória comemorava (com razão). Na coletiva do time baiano, um Vagner Mancini satisfeito com o resultado, respondendo com satisfação às amistosas perguntas dos repórteres. Até que alguém perguntou algo que o incomodou.

O repórter da Rádio Bandeirantes iniciava sua pergunta citando os números do primeiro tempo do jogo, que terminou com o Corinthians acumulando 78% da posse de bola e chutando 12 vezes a gol, contra apenas uma do Vitória (justamente a que entrou na meta de Cássio). Enquanto perguntava, porém, Garrafa acabou cometendo um ato falho e afirmou que os números eram dos 90 minutos - algo que poderia facilmente ser corrigido, se não tivesse sido motivo suficiente para Mancini iniciar um espetáculo de truculência e falta de educação, questionando abertamente a capacidade profissional  do repórter, e sugerindo que ele estava ali como torcedor, e não a trabalho.

O pior de tudo, talvez, tenha sido constatar que a grosseria foi gratuita. Afinal, após Garraffa ter concluído a pergunta, que estava longe de ser clubista ou desrespeitosa ("a estratégia do Vitória era jogar por uma bola?"), Mancini usou seus argumentos para refutá-la. Falou sobre as chances de gol da equipe no segundo tempo, e também sobre o gol mal anulado. Mostrou que poderia simplesmente ter rejeitado a tese apresentada pelo repórter, e que tinha razão de ser ao se olhar o scout do primeiro tempo. Ao invés disso, infelizmente Mancini preferiu colocar em dúvida a boa fé do profissional que ali estava, além de se esconder por detrás de um coitadismo sem sentido, acusando a imprensa de ser parcial e de diminuir o feito do Vitória somente por ser um clube de outro estado.

Desde então, a racionalidade deu espaço à panfletagem, e Mancini se tornou o novo herói (sem capa) dos que vivem para denegrir qualquer um que seja visto como "representante" da chamada "imprensa gambá". A internet já está inundada com memes, gifs e videos sobre como o treinador "humilhou" o "pseudorepórter corinthiano". Outros foram além e desenterraram tweets de 2011 do repórter, onde ele fazia o que praticamente todas as pessoas do Brasil fazem sem merecer condenação: torcia pelo seu time. Mas aparentemente, aos jornalistas não cabe esse direito. Jornalista não pode torcer. Ou será que só não pode se ele for corinthiano?


Enquanto eu assistia novamente o video da coletiva, fiz um exercício de empatia e me coloquei no lugar do Felipe. Especialmente quando ele teve de ouvir o Mancini sugerir que sua pergunta era motivada por corinthianismo. Eu já tive opiniões questionadas da mesma forma. Às vezes, na falta de argumentos, só resta ao outro lado procurar maneiras de desqualificar suas intenções. E não há nada pior para um jornalista do que ver sua capacidade profissional jogada no lixo, apenas porque o entrevistado não gostou da sua abordagem. É uma postura baixa, pequena, e acima de tudo desnecessária, pois o treinador poderia ter refutado a pergunta sem recorrer a isso.

Infelizmente, as pessoas de um modo geral parecem acreditar que nós, jornalistas, somos robôs. Só que não somos. Nós temos gostos, preferências, convicções, opiniões. E mesmo assim, temos a obrigação profissional de apresentar todos os lados de um fato e ouvir todas as versões - mesmo as que vão contra os nossos gostos, preferências, convicções e opiniões. Isso é ser PROFISSIONAL, afinal de contas. Se começarmos a acreditar que as convicções estão acima do profissionalismo, então precisamos colocar em dúvida uma série de classes produtivas. Imaginem se descobríssemos o time de coração do Vagner Mancini e colocássemos em dúvida os resultados das equipes por ele treinada contra esse time?

Enfim. Eu não conheço o repórter. Mas deixo aqui todo meu apoio a ele, e ao direito dele de exercer sua função sem sofrer questionamentos por causa do time que torce. Ele certamente estudou muito para isso, e não merece sofrer qualquer descrédito porque um treinador não consegue controlar a grosseria. Siga firme, Felipe.

EDIT: Enquanto escrevia esse tempo, li essa notícia sobre um suposto áudio vazado do Vagner Mancini, onde ele celebra a vitória da sua equipe e celebra o fato de ter "dado uma patada" em um "jornalista babaca corinthiano". Ainda não se confirmou se o áudio é de fato do treinador, mas vale o registro. A conferir.

EDIT 2: A veracidade do áudio foi confirmada, e sua repercussão provocou um pedido público de desculpas do treinador. Na declaração, ele diz que "respeita" o Corinthians e sua torcida e "não quis ofender" ninguém, apesar das palavras ofensivas usadas. Pena que só tenha admitido que se excedeu diante do vazamento das ofensas... aí é fácil. Mas fica o registro, também.

As manchas que não interessa repercutir

♠ Publicado por Daniel Keppler em ,,,
Jô lamenta anulação de seu gol contra o Coritiba (Foto: Daniel Augusto Jr )
11 de junho, Arena Corinthians. O Corinthians recebe o São Paulo pela 6ª rodada. Aos 17 do primeiro tempo, Júnior Tavares cobra falta para a área e encontra Gilberto, impedido, que cabeceia para empatar o jogo em 1x1. O gol ilegal só não prejudicou mais o Corinthians pois Gabriel marcou o segundo aos 40, e no fim o Timão acabou vencendo a partida por 3x2.
Lance do impedimento de Gilberto no gol do São Paulo (Foto: Reprodução / YouTube)
18 de junho, Couto Pereira. A partida contra o Coritiba, pela 8ª rodada, segue sem gols. Até que aos 44 do segundo tempo, Jô tabela com Maycon dentro da área do Coritiba e marca o gol que seria o da vitória corinthiana. Seria, se o árbitro Marcelo de Lima Henrique não marcasse impedimento inexistente do atacante e anulasse o gol. Como o jogo terminou 0x0, esse erro causou a perda de dois pontos ao Corinthians.
Gol mal anulado de Jô contra o Coritiba

25 de junho, Arena do Grêmio. Jogo de seis pontos entre líder e vice-líder pela 10ª rodada. Já no final do primeiro tempo, Rodriguinho tenta alcançar bola alçada na área, mas é agarrado pelo pescoço por Luan. Pênalti não marcado para o Corinthians, que só não fez a diferença no placar pois Jadson marcou na segunda etapa, e Cássio defendeu um pênalti já nos minutos finais do jogo.
Rodriguinho é agarrado dentro da área contra o Grêmio (Foto: Reprodução / Torcedores UOL)
23 de julho, Maracanã. Pela 16ª rodada, o Corinthians vai enfrentar o Fluminense pressionado após dois empates seguidos. Aos 33 do primeiro tempo, Giovanni Augusto cobra escanteio na área, e Jô é acintosamente puxado pela camisa por Léo. Pênalti não marcado, que só não prejudicou mais o Corinthians por causa do gol de Balbuena, no início do segundo tempo, que deu mais uma vitória ao líder do campeonato.
Jô é puxado na área contra o Fluminense (Foto: Reprodução / YouTube)
30 de julho, Arena Corinthians. Buscando abrir mais vantagem na ponta, o Timão recebe o Flamengo, pela 17ª rodada. Aos 12 minutos, Maycon recebe belo passe de Rodriguinho, invade a área pela direita e encontra Jô, que manda para o gol. O auxiliar, no entanto, levanta a bandeira e acusa impedimento do atacante em erro totalmente grosseiro (Jô estava 3,3 metros atrás da linha da bola), levando o árbitro a anular o gol. Erro que influenciou diretamente no resultado, pois a partida terminou empatada em 1x1.
Gol mal anulado de Jô contra o Flamengo

Esses cinco erros repercutiram pouco (ou quase nada) nas redes sociais, ou nos programas de TV. Quando repercutem, sempre vêm acompanhados dos comentários irônicos de sempre sobre como o Corinthians também é tão ajudado pela arbitragem (dane-se os números, o que importa é a falácia). A conclusão a que eles chegam é tão óbvia quanto cretina: errar contra o Corinthians é OK. Porque, afinal de contas, é o Corinthians né?

Outros elevam a cara-de-pau a outro nível, ponderando que o Corinthians não deveria reclamar tanto de uns erros de arbitragem, afinal é líder do Brasileirão, isolado e invicto. Para esses, parece pouco relevante que a pontuação atual do clube (41) poderia ser maior (45) e que a vantagem atual sobre o Grêmio poderia ser maior tanto em pontos (12 ao invés de 8) quanto em três critérios de desempate: vitórias, saldo de gols e gols pró.

A grande realidade, no entanto, é que isso tudo não repercute porque não interessa a ninguém - a não ser o próprio Corinthians. Afinal que campeonato seria esse onde um clube abre 12 pontos na liderança com 17 jogos? Não pode. Ainda mais sendo o clube que é... inadmissível!

Tamanha vantagem incomoda muito, e a muitos. Mas ela se mantém, mesmo depois de terem feito um dossiê de "como marcar gols no Corinthians". Mesmo depois de terem conseguido arrancar alguns detalhes da preparação tática do clube, através de uma entrevista com o auxiliar Osmar Loss.

Como o time não parou, começaram a lançar dúvidas sobre a escalação dos árbitros - né, Alex Müller?
Como isso também não deu certo, sobrou a histeria dos que não querem o título corinthiano pois, afinal de contas, outros jogam mais bonito e merecem mais. A plasticidade dando espaço à meritocracia em nome do anticorinthianismo.

Fica a dúvida sobre o que mais faltará fazer para tentar desestabilizar esse time fora de campo, pois dentro de campo já sabemos o que anda acontecendo: erros e mais erros, a maioria decisivos, sendo cometidos sem qualquer embaraço ou discrição. Afinal, não é erro quando é contra o Corinthians!

Resta a nós, corinthianos, continuar alertas, e já a partir do próximo jogo, contra o Atlético-MG fora de casa. O árbitro escalado foi Anderson Daronco, aquele mesmo que no Brasileirão do ano passado validou três gols irregulares contra o Corinthians. Não um, muito menos dois: foram três gols. Mais "manchas invisíveis" à vista?

Corinthians 2017: presente e futuro em quatro gráficos

Guilherme Arana comemora seu gol na vitória sobre o Palmeiras (Foto: Ale Vianna / Eleven)
Difícil encontrar algum corinthiano, atualmente, que não esteja em êxtase pelo que está acontecendo. Justamente em um ano que não parecia reservar nada de bom para o torcedor, com a gestão convivendo no caos administrativo, as finanças permanentemente sufocadas e a torcida afastada do estádio, o elenco formado "do jeito que deu" e liderado pelo técnico "que sobrou" está, jogo a jogo, desbancando todos os rivais e devolvendo à torcida o orgulho e o direito de sonhar!

Os números são inquestionáveis: 117 dias de invencibilidade, ou 27 jogos (sendo 17 vitórias e 10 empates); liderança isolada e com pontuação recorde no Brasileiro, torneio pelo qual o time não sofre um gol sequer há inacreditáveis 637 minutos; imbatível no ano contra os rivais (já são oito jogos contra Palmeiras, São Paulo e Santos, e zero derrotas); tudo isso conquistado com extrema organização tática, trabalho em equipe e confiança na filosofia implementada por Fabio Carille.

É fácil explicar como essa equipe, formada quase que por acidente, tornou-se em poucos meses a mais eficiente do Brasil? Não. Na verdade, é quase impossível entender. Poucas vezes na nossa história o Corinthians conseguir suplantar com tanta competência as deficiências técnicas individuais que existem no elenco (convenhamos, elas existem). Se em janeiro, por exemplo, alguém nos dissesse que Jô seria uma referência no ataque, ou que Romero se tornaria uma peça fundamental na equipe titular, ou ainda que o time teria vários jogadores da base jogando regularmente (e muito bem), talvez esse alguém seria motivo de risos. No entanto, o que vemos hoje é exatamente esse cenário.

Se é tão difícil explicar e decifrar o que é esse Corinthians, nos resta analisar o contexto que o cerca, para tentarmos imaginar até onde podemos ir. Para isso, preparei cinco gráficos que abordam alguns pontos interessantes sobre o Timão 2017!

1 - A "gordura" na tabela nunca foi tão precoce 
Comparativo entre as campanhas dos últimos três campeões brasileiros e o Corinthians de 2017
Analisando a campanha dos últimos três campeões brasileiros, e comparando os números com os do Corinthians esse ano, verificamos um fato claro: o desempenho é tão superior que até mesmo a comparação dos números é prejudicada. Até a 4ª rodada, por exemplo, ainda era possível fazer paralelos, mas a partir da rodada seguinte o Corinthians já passa a ter uma campanha melhor - e essa "vantagem" no rendimento só aumentou a cada rodada... e de tal forma que o Corinthians, com seus atuais 35 pontos, tem seis a mais que o Cruzeiro de 2014, até então a melhor campanha dos últimos anos.

Ao projetarmos esse comparativo até o final do primeiro turno, reforçamos a sensação de que a campanha corinthiana é histórica. Desde 2014, a equipe que mais rapidamente chegou aos 35 pontos foi o Cruzeiro de 2014, e isso ocorreu apenas na 16ª rodada - três jogos depois do Corinthians de 2017! Em 2014, a equipe mineira terminou o turno com 43 pontos, o que significa que basta ao Timão vencer metade dos seis próximos jogos para continuar com a melhor campanha da história.

2 - O favoritismo ao título também nunca foi tão precoce
Chances de título no Campeonato Brasileiro, calculadas por três instituições diferentes
A partir da 12ª rodada, já era possível encontrar alguns estudos e análises sobre as probabilidades de cada equipe para o título do Brasileirão, bem como as disputas por vagas na Libertadores e Sul-Americana e também na luta contra o rebaixamento. Três dos mais famosos e conceituados são feitos pelo Departamento de Matemática da UFMG, pelo Chance de Gol e pelo Infobola. Os três concordam que o favoritismo corinthiano é enorme, e nunca foi tão grande.

Com chances variando entre 70,5% e 84%, o Corinthians é colocado como principal postulante ao título nacional, sendo que há divergências sobre quem é o principal concorrente: para o Chance de Gol é o Flamengo, mas para UFMG e Infobola, é o Grêmio. O Santos é citado por todos como a quarta equipe com mais chances.

Claro, são apenas estatísticas, que não consideram fatos novos ou incidentes que não podem ser medidos por números. Mas não deixam de ser uma grande evidência de que estamos longe de ser um cavalo paraguaio. Se nada excepcional ocorrer, tudo indica que o hepta vem!

3 - A solidariedade ofensiva segue em alta
Artilheiros do Corinthians em 2017 (em jogos oficiais)
O Corinthians de Carille é forjado em fundamentos muito sólidos: uma defesa leal e quase intransponível (comete apenas 12 faltas por jogo, em média, e sofreu apenas cinco gols nos 13 jogos disputados) e um ataque que, se não produz em quantidade, compensa em eficiência (a equipe tem feito um gol a cada 5,69 finalizações, a melhor média do Brasileirão).

No entanto, a equipe não é apenas eficiente ao marcar gols. Também é extremamente solidária. Até o momento, em 40 jogos oficiais na temporada, o Timão fez 56 gols, marcados por um total de QUINZE jogadores! O artilheiro, Jô, tem apenas 25% desse total (14 gols). Da equipe considerada "ideal", apenas Cássio e Fagner ainda não marcaram. Isso é importante, fundamental, pois mostra que o Corinthians não tem dependido de apenas um jogador para decidir todos os jogos. Que continue assim!

4 - A torcida voltou a apoiar o Corinthians na Arena
Público pagante na Arena Corinthians em 2017 (a linha vermelha representa a média variável de público)
No início da temporada, chamou a atenção o baixíssimo público de alguns jogos do Timão em Itaquera. Por duas vezes, inclusive, o recorde negativo de público foi quebrado. No entanto, conforme o tempo passou, a torcida foi voltando a se empolgar, e isso vem ajudando demais a equipe a vencer os jogos como mandante!

O jogo contra o Botafogo de Ribeirão Preto, em abril, iniciou uma série com público pagante superior a 30 mil. Com isso, a média de público no ano, que estava girando nos 22 mil, subiu quase 40%. No ano, já foram exatos 580238 torcedores presentes nos 19 jogos em casa, uma média de 30539 por partida! E esse número vai se elevar, pois para o jogo contra o Atlético-PR já foram vendidos com 34500 ingressos!

Conclusão

Muito embora o Corinthians esteja vivendo há algum tempo com problemas financeiros, políticos e administrativos, dentro de campo a equipe não se deixa influenciar, certamente graças ao excelente trabalho de Carille. O time demonstra, a cada jogo, absoluta obediência à sua filosofia e respeito à sua autoridade, o que vem se mostrando decisivo em campo. Afinal, mesmo quando o time não joga tão bem, a vontade e eficiência acabam premiando o esforço, e a equipe sai vencedora.

Una-se a isso o apoio da torcida, que voltou a acumular bons públicos na Arena, e uma perspectiva no Campeonato Brasileiro que vai deixando o clube em situação cada vez mais favorável: com 35 pontos na tabela, até mesmo uma queda de produção, com alguns tropeços, poderá ao fim ser campeão - especialmente porque todos os outros times seguem muito irregulares.

Resta a nós continuar torcendo muito, e ao Corinthians manter o foco e rendimento! Rumo ao hepta!

Pós-jogo: Corinthians 2x0 Ponte Preta - Vitória de líder

♠ Publicado por Andrade em ,,,,,
Jô em ação na vitória corintiana (Marcello Zambrana/AGIF)

Após folgar no meio de semana, o Corinthians recebeu a Ponte Preta em Itaquera pela 12a rodada do Campeonato Brasileiro.

Os primeiros minutos foram muito disputados, com o Timão tendo a posse e o time visitante bem definido em 2 linhas na defesa, esperando o contragolpe com Sheik, velho conhecido do torcedor corintiano.

E foi outro atleta com passado no Corinthians o responsável pelo primeiro lance de perigo do jogo: Lucca disparou bom chute de fora da área aos 15 minutos para assustar o goleiro Cássio.

Após ter dificuldade para finalizar, o Corinthians criou mais chances nos últimos 15 minutos da primeira etapa. Numa dessas chegadas, Romero cruzou para Jô cabecear e exigir grande defesa de Aranha. Na sequência, a bola cruzada por Arana chegou a Jadson do outro lado da área que chutou forte para abrir o marcador, no lance derradeiro do primeira metade.

Placar que rapidamente foi ampliado. Depois de bola roubada, Rodriguinho foi acionado e cruzou para Jô finalizar com categoria, antes dos dois minutos da etapa final.

O resultado parecia proporcionar mais gols e uma vitória tranquila, já que o time de Campinas iria se abrir tentando reduzir o prejuízo.. E numa dessas investidas, Arana cometeu pênalti bobo em Sheik. Lucca cobrou e Cássio defendeu mais uma vez.

Daí em diante o ritmo do jogo caiu bastante, com o Corinthians controlando a vantagem e a Ponte tentando algo, mas esbarrando em suas limitações.

Mais uma vez os comandados de Fábio Carille fizeram um jogo consciente, de muita inteligência e imposição tática, contra um adversário que amarrou bastante o andamento da partida.

O Corinthians volta a campo pelo Campeonato Brasileiro na quarta-feira, visitando o Palmeiras.

CORINTHIANS 2 X 0 PONTE PRETA

Local: Estádio de Itaquera, em São Paulo (SP)
Data: 8 de julho de 2017, sábado
Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (Fifa-MG)
Assistentes: Guilherme Dias Camilo (Fifa-MG) e Pablo Almeida da Costa (MG)
Público e renda: 32.877 pagantes/R$ 1.974.902,30
Cartões amarelos: Pablo, Arana (COR); Jadson, Emerson Sheik (PON)
GOLS: Jadson, 46'/1ºT (1-0); Jô, 1'/2ºT (2-0)

CORINTHIANS: Cássio; Léo Príncipe, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana; Gabriel, Maycon (Camacho, aos 31'/2ºT), Jadson (Pedrinho, aos 38'/2ºT), Rodriguinho e Romero; Jô (Kazim, aos 27'/2ºT)
Técnico: Fábio Carille

PONTE PRETA: Aranha; Nino Paraíba, Marllon, Rodrigo e Fernandinho; Fernando Bob, Jadson (Lins, aos 30'/2ºT), Elton (Wendel, aos 10'/2ºT) e Renato Cajá (Claudinho, 35'/2ºT); Lucca e Emerson Sheik
Técnico: Gilson Kleina






Pós-jogo: Grêmio 0x1 Corinthians - Siga o líder!

Cássio em ação contra o Grêmio (Fabio Gomes / Raw-Image)

No jogo mais esperado do Campeonato Brasileiro até o momento, o Corinthians visitou o Grêmio em Porto Alegre e saiu vencedor. Com gol de Jadson e Cássio defendendo pênalti de Luan nos minutos finais, o time de Fábio Carille ampliou sua vantagem na liderança e atingiu a marca de 23 partidas invictas na temporada.

Em um cenário esperado, o time da casa teve mais posse no início do embate e ameaçou muito no primeiro tempo. O Alvinegro, organizado como sempre, não desgrudava o olho do camisa 7 adversário - um atacante que se movimenta muito, atuando entre as linhas adversarias e criando chances para os companheiros. O melhor momento corintiano foi em grande jogada de Paulo Roberto, que Marcelo Grohe defendeu bem.

Paulo Roberto que merece um destaque à parte. Após um inicio em que aparentava nervosismo - errando passes em duas saídas de bola consecutivas - o volante subiu de produção e foi um dos destaques da partida, marcando bem e chegando ao ataque com intensidade.

A segurança do sistema defensivo corintiano prevaleceu e mesmo contra o melhor ataque da competição, a primeira etapa terminou sem gols.

Para a etapa final uma ordem de Carille se fez notar: o time foi mais agressivo quando o Grêmio tinha a bola, adiantando a marcação e pressionando mais. Mudança que surtiu efeito logo aos seis minutos.

Em grande jogada de Paulo Roberto que disparou pela esquerda e cruzou, Jô tentou dominar e errou, mas sua ação serviu de corta-luz para Jadson chegar sozinho de trás e vencer Grohe. A vantagem necessária para o Corinthians administrar o jogo à sua maneira e fazer o Grêmio se lançar ao ataque em busca da vitória e da liderança.

E foi aí que outro destaque corintiano apareceu: Cássio, que já tinha sido exigido nos primeiros 45 minutos, foi decisivo. Primeiro com um uma defesa impressionante em chute à queima roupa de Luan, e depois em um confronto particular com o craque gremista.

Quando o jogo se encaminhava para seu final, Marquinhos Gabriel cometeu uma penalidade infantil ao puxar Geromel em escanteio. Luan foi para o cobrança, diminuiu sua passada ao máximo e chutou no canto direito de Cássio, que foi bem e fez a defesa.

O Grêmio ainda ameaçaria nos acréscimos, mas Cássio mais uma vez evitou o gol em chute de Fernández. O Corinthians atuou bem, não sentiu a pressão de colocar a liderança em disputa fora de seus domínios e venceu com méritos.

O próximo confronto do Corinthians é na quarta-feira, contra o Patriotas pela Copa Sul-Americana na Colômbia. Pelo Brasileiro volta a campo contra o Botafogo no domingo em Itaquera.


GRÊMIO 0 x 1 CORINTHIANS

Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)
Data/hora: 25/6/17 (domingo), às 16h
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (Fifa-GO)
Assistentes: Bruno Raphael Pires (Fifa-GO) e Leone Carvalho Rocha (GO)
Público/Renda: 50.116 pagantes/R$ 2.093.208,00
Cartões amarelos: Kannemann, Geromel, Edilson (Grêmio), Rodriguinho, Romero, Jô e Cássio (Corinthians)
GOLS: Jadson, aos 6/1ºT (0-1)

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Edilson (Everton, aos 33/2ºT), Pedro Geromel, Kannemann e Cortez; Michel, Arthur (Fernandinho, aos 22/2ºT) e Ramiro; Luan, Pedro Rocha (Gastón Fernández, aos 29/2ºT) e Lucas Barrios. Técnico: Renato Portaluppi.

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana; Paulo Roberto (Camacho, aos 33/2ºT) e Maycon; Jadson, Rodriguinho (Marquinhos Gabriel, aos 27/2ºT) e Romero (Clayson, aos 37/2T); Jô. Técnico: Fábio Carille.




Pós-jogo: Corinthians 3x0 Bahia: Controle e eficiência que garantiram a vitória

Jô na partida contra o Bahia (Ale Cabral/AGIF)

No confronto contra uma das surpresas do inicio da competição, o Corinthians venceu com autoridade o Bahia em Itaquera, com gols de Jô, Balbuena e Marquinhos Gabriel. O time baiano marcou seu inicio de campeonato com as boas performances de seus meio-campistas - notadamente Zé Rafael, mas não vence ha quatro partidas após o resultado adverso.

A partida começou com chances de ambos os lados. Antes do primeiro gol corintiano, o Bahia teve grande possibilidade de marcar com Zé Rafael em finalização com brilhante intervenção de Cássio. O Corinthians teve 2 boas oportunidades antes do gol - uma delas incrivelmente desperdiçada por Jô - até que um grande passe de Fagner encontrou o atacante em ótima situação para driblar Jean e tocar para o gol. Prêmio para um time que sou construir jogadas eficientes na transição ofensiva, com a bola sendo trabalhada a partir da direita para o meio ou a esquerda, onde Romero muitas vezes apareceu com espaço.

A vantagem estabelecida foi mantida ate o intervalo; em um primeiro tempo em que as duas equipes jogaram um bom futebol, o Corinthians se impôs pela qualidade de jogadores em funções chave. Jô fez o gol, Jadson apareceu com qualidade apesar de nitidamente ainda não estar no ápice da forma física e Fagner apoiou bem como sempre.

No começo da segunda etapa o time visitante manteve a posse nas primeiras movimentações. Já o Corinthians, assumiu de vez o posicionamento proposital para armar seu eficiente contra ataque.

Até que aos 11 minutos o jogo quase se complicou para o Corinthians, Gabriel, que já recebera cartão amarelo, disputou bola com Edigar Junio para a marcação da alta por parte do arbitro Dewson Freitas. Falta que não existiu, e rendeu o segundo amarelo e a consequente expulsão do jogador alvinegro. E se ele foi realmente merecedor de sair do jogo mais cedo, que fosse por outra falta feita ainda na primeira metade do jogo.

O 'quase" do parágrafo anterior não se concretizou porque quatro minutos depois Renê Junior também foi expulso; no lance o árbitro também se equivocou, atuando de forma exagerada; Dessa forma as duas equipes voltaram a ficar niveladas em número de atletas. Expulsões  que fizeram o ritmo da partida ter grande queda, com os times chegando muito menos com efetividade no ataque.

Até que aos 34  minutos uma bola parada decidiu o confronto. Escanteio bem cobrado por Fagner, o desvio de Romero no primeiro poste e a entrada livre de Balbuena, para dominar com alguma dificuldade e tocar para o gol vazio. Segundo gol do zagueiro paraguaio na competição.

Daí em diante foi fazer o tempo passar, esperando o apito final com a certeza de fechar mais uma rodada na liderança. Porém Feijão cometeu erro crasso na saída de bola e Marquinhos Gabriel ainda marcou mais um gol com muita categoria.

O Corinthians mais uma vez fez sua parte e agora as atenções estão voltadas para o difícil embate contra o Grêmio, domingo às 16h em Porto Alegre.

CORINTHIANS 3 X 0 BAHIA
Local: Arena Corinthians, São Paulo (SP)
Data-Hora: 22/6/2017 - 19h30
Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva (Fifa-PA)
Auxiliares: Helcio Araujo Neves (PA) e Jose Ricardo Guimaraes Coimbra (PA)
Público/renda: 34.250 pagantes/R$ 1.504.387,20.
Cartões amarelos: Romero e Balbuena (COR), Rodrigo Becão e Allione (BAH)
Cartões vermelhos: Gabriel (COR), aos 11'/2ºT (Após o 2º Amarelo) e Renê Junior (BAH), aos 15'/2ºT (Após o 2º Amarelo)
Gols: Jô (24'/1ºT) (1-0), Balbuena (34'/2ºT) (2-0), Marquinhos Gabriel (47'/2ºT) (3-0)

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana; Gabriel e Maycon; Jadson (Marquinhos Gabriel, 22'/2ºT), Rodriguinho (Camacho, aos 30'/2ºT) e Romero; Jô (Kazim, aos 36'/2ºT). Técnico: Fábio Carille.

BAHIA: Jean; Eduardo, Tiago, Rodrigo Becão e Matheus Reis; Feijão, Renê Júnior, Vinicius (Régis, aos 27'/2ºT) e Allione (Gustavo, aos 19'/2ºT); Zé Rafael e Edigar Junio (João Paulo, aos 32'/2ºT). Técnico: Jorginho.