Pós-jogo: Vitória 0x1 Corinthians - Carille ousa e Jô decide.

Jô mais uma vez decidiu (Marcelo Malaquias/Estadão Conteúdo)

Pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro o Corinthians foi a Salvador enfrentar o Vitória, buscando recuperar os pontos perdidos diante da Chapecoense.

Em um primeiro tempo sonolento, as duas equipes deixaram a desejar e poucas chances reais de gol foram criadas. Com pouco destaque do meio, a melhor chegada corintiana foi em chute de Jô, que Romero acossado pela marcação não conseguiu concluir a gol.

O Corinthians tinha mais posse, mas faltava ser mais agressivo na transição ofensiva e ter mais qualidade nos passes no setor criativo.

A segunda etapa começou no mesmo ritmo, mas os times demonstraram evolução após os 20 minutos. Em boa jogada, Maycon dominou na área e chutou para fora.

Sinal de que o gol alvinegro não tardaria a sair. Em grande jogada - com ótima participação de Jadson - Marquinhos Gabriel deixou Jô em ótima posição para concluir. O atacante foi preciso e superou o goleiro adversário com categoria. Destaque para a ousada substituição de Carille, já que Marquinhos ingressou na partida substituindo o volante Maycon.

Após o gol, o Vitoria saiu mais ao ataque e o Corinthians teve mais chances graças aos espaços, mas o placar permaneceu inalterado. Na próxima rodada o Corinthians joga fora novamente, contra o Atlético-GO.

VITÓRIA 0 x 1 CORINTHIANS

Data/Horário: 21/5/2017, às 16h
Local: Arena Fonte Nova, Salvador (BA)
Árbitro: Péricles Bassols (PE)
Assistentes: Clovis Amaral da Silva e Cleberson do Nascimento Leite (ambos de PE)
Público e renda: 16.615 pagantes / R$ 460.438,50

Cartões amarelos: Marquinhos Gabriel (COR)
Cartões vermelhos: -

Gol: Jô, aos 30'/2ºT (0-1)

VITÓRIA: Fernando Miguel, Leandro Salino, Alan Costa, Fred e Geferson; Willian Farias, Uillian Correia (Euller - 31'/ºT) e Cleiton Xavier (Pisculichi - 20'/2ºT); Paulinho, David e Rafaelson (Jhemerson - 27'/2ºT). Técnico: Petkovic.

CORINTHIANS: Cássio, Fagner, Balbuena (Léo Santos - 22'/2ºT) , Pedro Henrique e Guilherme Arana; Gabriel e Maycon (Marquinhos Gabriel - 26'/2ºT); Jadson (Paulo Roberto - 42'/2ºT), Rodriguinho e Romero; Jô. Técnico: Fábio Carille.





Pós-jogo: Universidad de Chile 1x2 Corinthians - Classificação com autoridade

Rodriguinho comemora seu gol (Foto: Reuters)

Três dias após a conquista do Campeonato Paulista, o Corinthians visitou a Universidad de Chile e obteve a classificação para a segunda fase da Copa Sul-Americana com muita autoridade.

Sem se acomodar com a vantagem obtida na primeira partida, a equipe alvinegra dominou a partida desde o inicio. Jadson acertou a trave de Johnny Herrera aos 6 minutos. Com a posse e rápido na transição ofensiva, a equipe via Romero ter espaço às costas de seu marcador em lances sucessivos.

O time chileno conseguiu superar o momento de maior pressão e passou a criar chances, mas Cássio esteve sempre seguro quando exigido. A partida ficou disputada, com as duas equipes atacando, mas em nenhum momento o Corinthians se viu pressionado. Como ponto negativo, a omissão do arbitro em não expulsar um amarelado Espinoza após falta dura em Arana.

O primeiro gol saiu em lance característico. O lançamento de Cássio não foi desviado na alto por Jô, chegando direto a Rodriguinho. Com dribles em sequência, o meia superou Rodríguez e Vilches e marcou um belo gol. Sexto gol nos últimos 8 jogos, 8 no ano, todos em duelos de mata-mata.

Os comandados de Carille seguiram atuando de forma sólida, mantendo a vantagem mínima até o começo da segunda etapa. 

No retorno das equipes, Guillermo Hovos promoveu a entrada de David Pizarro, visando melhorar a criação com sua qualidade de passe.

Porém seu impacto foi pouco notado, já que o Timão aumentou sua vantagem logo aos 10 minutos. Após encontrar espaço pelo meio e tabelar com Jô, Rodriguinho se atrapalhou na conclusão. Esperto, o centroavante apenas rolou para Jadson concluir com o gol vazio.

Classificação definida, mas o placar ainda seria mexido. Paulo Roberto - substituto de Léo Principe, contundido - sofreu drible desmoralizante de Beausejour, que cruzou para Mora concluir. Prêmio de consolação para a torcida local, que apoiou seu time o jogo todo.

O Corinthians volta a campo sábado contra a Chapecoense às 19 horas na Arena Corinthians.


UNIVERSIDAD DE CHILE 1 X 2 CORINTHIANS

Local: Estádio Nacional do Chile, em Santiago (Chile)
Data-Hora: 10/5/2017 - 21h45 
Árbitro: Daniel Fedorczuk (URU) 
Auxiliares: Richard Trinidad (URU) e Carlos Pastorino (URU)
Público/renda: Não disponíveis
Cartões amarelos: Beausejour e Espinoza (UCH)
Cartões vermelhos: Reyes, aos 42'/2ºT (Vermelho direto) e Jara, aos 43'/2ºT (2º amarelo) (UCH)
Gols: Rodriguinho (36'/1ºT) (0-1), Jadson (10'/2ºT) (0-2), Felipe Mora (19'/2ºT) (1-2)

UNIVERSIDAD DE CHILE: Johnny Herrera; Matías Rodríguez, Vilches, Gonzalo Jara e Beausejour; Gonzalo Espinoza (Schultz, aos 28'/2ºT), Lorenzetti (Ubilla, aos 28'/2ºT) e Reyes; Ontivero (David Pizarro, no intervalo), Benegas e Felipe Mora. Técnico: Guillermo Hoyos.

CORINTHIANS: Cássio; Léo Príncipe (Paulo Roberto, aos 44'/1º), Balbuena, Pedro Henrique e Guilherme Arana; Gabriel (Camacho, aos 42'/2ºT) e Maycon; Romero (Clayton, aos 34'/2ºT), Rodriguinho e Jadson; Jô. Técnico: Fabio Carille.





Jadson, Bolsonaro e a história corinthiana

♠ Publicado por Vinicius Cruz em ,,
Ganhar ou perder, sempre com democracia (Foto: Divulgação - Corinthians)
Não é de hoje que política e futebol se misturam. Na década de 70, a vitória da seleção foi usada pelo governo militar para aumentar sua popularidade. Hoje em dia, é comum ver ex jogadores e cartolas em cargos de vereador, deputado e até mesmo de senador. É importante que jogadores de futebol reconheçam a importância social e a relevância que suas declarações têm perante aos torcedores do seu clube e também aos torcedores rivais, mas dois casos chamaram a atenção recentemente no mundo do futebol: as entrevistas do meia corinthiano Jadson e do volante palmeirense Felipe Melo declarando seu apoio ao pré candidato à presidência do Brasil Jair Bolsonaro. Casos como esses nos fazem refletir sobre o papel social do jogador de futebol. É saudável que os atletas de expressão não se resumam, ao se expressar, às respostas protocolares sobre táticas, treinos e conquistar os três pontos?

Bom, antes que digam que os dois têm o direito democrático de expressarem suas inclinações políticas, cabe também lembrar que ao serem figuras públicas, todas as suas declarações são passíveis de uma análise. A democracia se dá no livre debate. Existem possíveis candidatos a presidente das mais diversas orientações politicas, e não existe a ideologia correta, mesmo sendo a que você apoia. Mas todas devem respeitar os direitos humanos e a democracia. Deveriam, pelo menos.

Em primeiro lugar, a crítica aqui não é sobre qualquer ideologia política que os dois venham a ter. A crítica é sobre especificamente quem Jadson e Felipe Melo estão apoiando. Jair Bolsonaro já defendeu diversas vezes - e sem nenhum rodeio - os militares e torturadores da ditadura; já fez reverência ao Coronel Brilhante Ustra; já fez apologia ao estupro; já liderou um movimento de militares e ex militares para atrapalhar a Comissão da Verdade, que buscava investigar as violações dos direitos humanos no período de governo militar. O candidato também é conhecido por suas muitas declarações homofóbicas, racistas e xenofóbicas. Tá, mas e o que o Corinthians tem a ver com a declaração de Jadson?
Um dos momentos marcantes da história corinthiana (Divulgação Corinthians)
Jadson sempre disse ser corinthiano, inclusive até rejeitou propostas melhores para voltar ao clube alvinegro no início de 2017. Por ser um torcedor, presume-se que Jadson conheça a história do clube que diz amar. O Corinthians sempre se mostrou um clube de vanguarda social, foi fundado à luz de um lampião, por operários que primavam por um ambiente de lazer e diversidade cultural. 

O Corinthians nasceu para ser a voz do excluídos, para dar alguma alegria, efêmera que fosse, a todos aqueles que eram esquecidos e silenciados. Árabes, espanhóis, italianos, portugueses e tantos outros que chegavam no Brasil, viam no clube do Parque São Jorge uma representatividade. Negros que durante muitos anos eram rejeitados pelos clubes, viram no Corinthians a chance de poder jogar futebol e de alguma maneira ser tratado igualmente aos outros. De modo geral, toda a população mais pobre tinha no Corinthians a oportunidade de jogar futebol, que até então era praticado em clubes fechados e para a elite. 

O Corinthians ousou se posicionar contra o regime ditatorial, tão saudado pelo próprio Bolsonaro, e entrou em campo com uma faixa pedindo "diretas já" e chamando os brasileiros para votarem pela volta do regime democrático.


Declarando o voto ao deputado federal do PSC, que só aprovou um projeto durante seus mais de 20 anos de mandato, Jadson escarra na história de importantes figuras corinthianas e do próprio clube que defende. Imagino como Dom Paulo Evaristo Arns veria isso, ou como Dr. Sócrates teria lidado com o fato de que um jogador, que assim como ele era o referencial técnico do time em sua respectiva época, está apoiando um candidato fascista que se opõe a tudo que o Corinthians é.

Jadson, estude um pouco mais sobre a ideologia que você avaliza através de seu voto, e procure respeitar mais a história do clube que paga o seu astronômico salário. Espero sinceramente, que seja apenas um erro (de grande proporção) que você cometeu, e que até 2018, você possa perceber o absurdo que disse. No mais, espero que a torcida corinthiana saiba que o jogador estar em boa fase dentro de campo, não o exime de críticas pelas atrocidades que defende fora dele.

Pós-jogo: Corinthians 1x1 Ponte Preta: De quarta força a campeão

Romero comemora o gol do título (Miguel Schincariol/ASIMAGENS)

Em dia de recorde de público, o Corinthians espantou o fantasma das decepções em Itaquera e voltou a ser o dono do futebol paulista. Com gol de Romero, o time não teve maiores dificuldades para confirmar a vantagem obtida na primeira partida.

O jogo, com clima festivo e de nostalgia por parte da torcida corintiana começou com a Ponte se lançando mais ao ataque nos primeiros minutos. Com o decorrer da etapa inicial, o Corinthians se impôs com seu jogo sólido e competitivo.

Jadson, com a ausência de Rodriguinho, tinha mais liberdade para circular e encostava em Jô na frente. Chances foram criadas, e o gol quase saiu aos 28 minutos, através de Maycon apos saída errada de Aranha. As esperanças dos visitantes - que necessitavam marcar 3 gols para levar o jogo aos pênaltis - se esvaiam à medida que o jogo chegava à sua metade.

A história do Paulistão 2017 se aproximava de um desfecho. Todas as conexões com o histórico 1977 ja haviam sido estabelecidas: o mesmo adversário, um time corintiano tido como limitado, brigador e que evoluiu ao longo da competição. Bastava saber quem seria coroado como autor do gol que confirmaria a conquista.

E o tento veio através de Romero aos 16 minutos da etapa final. Após passe errado de Fernando Bob, Fagner acionou Jadson que tocou para o paraguaio finalizar de primeira. O chute defendido por Aranha resultou no rebote empurrado para o gol. Gol de um jogador mediano, mas esforçado e que cumpre bem o papel que lhe é designado.

A Ponte ainda empatou com Marllon no final, mas a festa já estava liberada em Itaquera. 40 anos depois, novamente o Corinthians supera as adversidades, se une e conquista o que parecia impensável. Mérito dos jogadores, e de um comandante que soube estabelecer uma linha de trabalho vitoriosa com muita serenidade. A chamada "Quarta Força" brada aos quatro ventos: É campeão!


CORINTHIANS  1 X 1 PONTE PRETA
Loca
l: Arena Corinthians, em São Paulo (SP)
Data/Hora: 7 de maio de 2017 (domingo), às 16h
Árbitro: Leandro Bizzio Marinho (SP)
Assistentes: Tatiane Sacilotti dos Santos Camargo e Miguel Cataneo Ribeiro da Costa (SP)
Público/renda: 46.017 pagantes/ 2.792.212,60
Gols: Romero (17'/2ºT) (1-0) e Marllon (40'/0ºT) (1-1)
Cartões amarelos: Pablo e Romero (COR); Nino Paraíba, Elton e Clayson (PON)
Cartões vermelhos:  -

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo, Guilherme Arana; Paulo Roberto, Camacho (Clayton 18'/2ºT), Maycon, Jadson (Pedrinho 39’/2ºT) e Romero (Léo Jabá 44’/2ºT); Jô. Técnico: Fabio Carille

PONTE PRETA: Aranha: Nino Paraíba; Marllon, Kadu e Arthur; Fernando Bob, Elton e Jadson (Ravanelli – intervalo); Clayson (Lins – 32’/2ºT), William Potkker e Lucca (Yuri – 22’/2ºT). Técnico: Gilson Kleina









5 fatos especiais sobre a temporada 2017 do Corinthians

A união entre Carille e elenco vem se mostrando fundamental ao Corinthians (Foto: Agência Corinthians)
Nesse domingo, teremos um jogo que tem tudo para ser parte de uma enorme festa para o Corinthians e os corinthianos: a decisão do Campeonato Paulista, contra a Ponte Preta. Depois de vencer o jogo de ida por 3x0, em Campinas, a expectativa natural é de que o 28º título estadual seja confirmado na Arena. Quem diria, não?

Esse título, sendo confirmado, será a coroação de um brilhante trabalho em equipe, gerido por Fabio Carille, que, se ainda está no início, já dá sinais de que pode render grandes frutos. No momento de maior dificuldade do Corinthians, em crise financeira e instabilidade institucional, a equipe se fechou e vem se destacando pela entrega e disciplina tática. O futebol não é vistoso, mas é eficiente.

Para mostrar isso de outra forma, fizemos uma lista com cinco fatos desse início de temporada corinthiana, que provam o quanto esse time é especial e merece nosso apoio!

1 - A atual invencibilidade do Corinthians é a maior desde agosto de 2015

A última derrota do Corinthians nessa temporada aconteceu em 19 de março (1x0 para a Ferroviária). Desde então, passaram-se 48 dias, nos quais o Timão jogou 11 vezes, conquistando cinco vitórias e seis empates. Essa é a maior sequência sem derrotas desde que o Corinthians de Tite ficou invicto entre 21 de junho e 16 de agosto de 2015, durante a campanha do hexacampeonato brasileiro - sendo que, na ocasião, a equipe obteve oito vitórias e três empates. O responsável por quebrar a marca, na época, foi o Santos, que venceu partida pela Copa do Brasil por 2x0 no dia 19 de agosto.

Vale lembrar, porém, que a nossa maior sequência invicta recente continuará sendo de 25 jogos, obtida entre 6 de dezembro de 2014 (2x1 Criciúma pelo Brasileirão) e 19 de abril de 2015 (2x2 Palmeiras pelo Paulista), quando o Corinthians assombrou o país com o 4-1-4-1 trazido por Tite de seu aprendizado na Europa.
A maior série invicta recente do Corinthians é de 2015: 25 jogos, com Tite no comando (Foto: Reprodução)
2 - Nos últimos anos, apenas Tite conseguiu campanhas melhores do que a atual

O Corinthians tem 15 vitórias e apenas duas derrotas nessa temporada, em 27 jogos disputados. Um aproveitamento de 67,9% dos pontos. Nos últimos oito anos, apenas três vezes o Timão teve aproveitamento melhor no mesmo período de 27 partidas, e nas três ocasiões o técnico era Tite.

Em 2012, foram 18 vitórias e duas derrotas, com 75,3% de aproveitamento; em 2015 o ápice: 19 vitórias, apenas uma derrota e 79% de aproveitamento; e em 2016, 17 vitórias, quatro derrotas e 70,4% de aproveitamento. Confira mais detalhes abaixo:
3 - A defesa de Carille é a menos vazada do Corinthians nos últimos 10 anos

Nesses 27 primeiros jogos da temporada, o Corinthians sofreu apenas 14 gols - uma média de apenas 0,52 gol / jogo. Nenhum outro treinador conseguiu números melhores com a mesma quantidade de jogos disputados, desde 2008.

Novamente, quem se destaca na comparação é Tite. Suas defesas em 2012, 2015 e 2016 são as que mais se aproximam dessa marca, mas todas são inferiores. Os dados completos estão no gráfico abaixo:
4 - Desde 2013 o Corinthians não ia tão bem nos clássicos

A equipe comandada por Tite em 2013 conseguiu algo muito difícil na história do Corinthians: ficar uma temporada inteira sem perder clássicos. Foram ao todo 12 partidas, com quatro vitórias e oito empates. Fazia, na época, 23 anos que isso não ocorria - a última vez havia sido em 1990, quando o Timão disputou 11 clássicos, vencendo sete e empatando os outros quatro.

Atualmente, a equipe de Carille já enfrentou seus rivais paulistas em seis ocasiões (contando o Majestoso pela Florida Cup). E ainda não perdeu: foram três vitórias e três empates, sofrendo apenas dois gols nessas partidas. Ainda falta muito para garantir a invencibilidade na temporada, mas já é um grande início.
A sequência invicta em clássicos de 2013 rendeu, por exemplo, o título da Recopa (Foto: Gazeta Press)
5 - Ninguém aproveitou tanto a base do Corinthians quanto Carille

Dos 38 jogadores que atualmente compõem o elenco corinthiano, nada menos que 17 subiram da base no início de suas carreiras. Durante a temporada, houve partidas em que Carille chegou a escalar sete deles no time titular, como contra o Red Bull em março. Isso não tem precedente na nossa história recente.

O melhor disso é que alguns vêm realmente sendo aproveitados com frequência, como Guilherme Arana e Maycon - que são titulares atualmente. Outros vêm recebendo várias oportunidades, como Léo Príncipe, Pedro Henrique, Marciel, Pedrinho e Léo Jabá. Isso sem falar de Fagner e Jô, que já são experientes mas são crias do Parque São Jorge.
Léo Príncipe, Pedro Henrique, Léo Santos e Guilherme Arana: destaques da base corinthiana (Foto: Daniel Augusto Jr)
Amanhã tem final, amanhã tem título! Logo após a partida, tem pós-jogo aqui no blog. Vamos torcer como nunca! Vai Corinthians!

Pós-jogo: Ponte Preta 0x3 Corinthians - Melhor atuação do ano e uma mão na Taça

Rodriguinho comemora terceiro gol observado por Clayton (Marco Galvão/Agência Lancepress!)

Jogando como se estivesse em casa, o Corinthians soube usar de sua eficiência e maturidade para vencer a Ponte Preta e dar um grande passo para a conquista do Campeonato Paulista. A equipe de Fábio Carille se impôs durante toda a partida, criando várias oportunidades e raramente sendo incomodada pela equipe campineira.

A postura corintiana ficou evidente desde os primeiros minutos. Sem abrir mão de suas tradicionais armas - solidez defensiva, força na primeira bola com Jô e o constante deslocamento dos meias - o Alvinegro assumiu o controle da partida sem dar espaços para o time da casa. Sem esse ingrediente essencial, as ações de Clayton e Lucca foram muito limitadas, e Pottker, apesar de brigador, foi pouco acionado.

O placar foi inaugurado em uma jogada que pareceu ser exaustivamente treinada, tal sua perfeição ao ser executada. O tiro de meta de Cássio acionou Jô, com vantagem para entregar a bola a Romero. O paraguaio teve calma para perceber a infiltração e devolver ao centroavante, que num toque de mestre deixou Rodriguinho em ótima condição para arrematar e vencer Aranha. Rodriguinho começava a escrever nesse momento sua história de protagonista.

O gol não fez o Corinthians se acomodar, pelo contrário; continuou criando chances, mas sem se expor, o que pareceu minar as esperanças da Ponte. Os espaços encontrados contra Santos e Palmeiras não foram vistos perante o paredão corintiano.

A segunda etapa teve a mesma tônica. A Ponte Preta voltou com alterações, visando melhorar seu poder de fogo. A entrada de Cajá era promessa de mais lucidez na articulação e qualidade no arremate de média e longa distancias. Porém o meio perdia marcação, num risco calculado para um time que não poderia sair de sua casa com desvantagem no placar para a segunda partida.

Mas Rodriguinho estava determinado a encaminhar a conquista já no Moisés Lucarelli. Após um cartão até certo ponto bobo - que o suspende da segunda partida - o camisa 26 voltou determinado a brilhar. Aos 13, grande arrancada, passando por Yago e Fernando Bob e a bola na medida para Jadson arrematar: 2x0.

E Rodriguinho não parou por aí. Em falha da defesa da Macaca, o arremesso lateral de Fagner foi um passe para seu segundo gol, dessa vez de cabeça.

Vitória por 3x0, na melhor atuação da equipe na temporada. Um time que soube crescer com suas limitações, aprendeu a impor seu jogo e evolui a cada dia. A mudança para o 4-2-3-1 foi um incremento na capacidade criativa, nas movimentações dos jogadores de frente sem abrir mão da força defensiva.

No ano em que se completa 40 anos da histórica decisão de 1977, a Ponte Preta teve o dissabor de ver o Corinthians encaminhar mais uma conquista de título com extrema autoridade.



PONTE PRETA 0 X 3 CORINTHIANS

Local: estádio Moisés Lucarelli, Campinas (SP)
Data-Hora: 30/4/2017 - 16h (de Brasília)
Árbitro: Raphael Claus 
Assistentes: Alex Ang Ribeiro e Luiz Alberto Andrini Nogueira 
Público/renda: 16.048 pagantes, 17.322 torcedores / R$ 655.220,00
Cartões amarelos: Renato Cajá (PON), Rodriguinho e Gabriel (COR)
Cartões vermelhos: -
Gols: Rodriguinho 14' 1ºT (0-1); Jadson 13' 2ºT (0-2); Rodriguinho 34' 2ºT (0-3)

PONTE PRETA: Aranha; Nino Paraíba, Yago (Kadu - 14' 2ºT), Fábio Ferreira e Reynaldo (Artur - intervalo), Fernando Bob, Elton e Jadson (Renato Cajá - intervalo); Clayson, Lucca e William Pottker. Técnico: Gilson Kleina

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana; Gabriel (Paulo Roberto 16' 2ºT) e Maycon (Camacho 36' 2ºT); Jadson (Clayton 31' 2ºT), Rodriguinho e Romero; Jô. Técnico: Fabio Carille.









Pós-jogo Especial: Dorking Wanderers 0 (5) x (4) 0 Corinthian-Casuals - Times especiais não mereciam sofrer

♠ Publicado por Daniel Keppler em ,,
Comemoração dos jogadores após a vitória na semifinal dos playoffs de acesso (Foto: Stuart Tree)
O amor por um clube nasce de formas misteriosas. Você pode ser forçado na infância a torcer por um clube até, mas quando não rola aquela química, não tem jeito, não funciona. Você só vira torcedor de verdade quando é criada uma conexão, não tem jeito. E desde que, há quase quatro anos, essa conexão surgiu entre esse que vos escreve e o Corinthian-Casuals, só cresceu, e nunca mais foi embora.

O que era pra ser apenas o tema de um post de pesquisa histórica virou contato direto com os dirigentes, que virou uma colaboração voluntária ao clube, que culminou numa experiência pessoal que irei levar pra toda a vida, o Brasil Tour de 2015. Desde então, pouca coisa mudou para o Casuals: eles continuam tendo que sobreviver na escassez de recursos do amadorismo inglês, e continuaram fazendo isso com muita garra e amor ao esporte. O Corinthian Spirit nunca abandonou o King George's Field.

As dificuldades sempre tornaram hercúlea a tarefa de fazer boas campanhas na oitava divisão inglesa. Afinal não é fácil conviver e disputar espaço com equipes que têm como aliadas o profissionalismo, ou mesmo o semiprofissionalismo. Melhor estrutura, assédio constante a um elenco que não recebe nada para vestir a camisa pink & brown. E mesmo assim, o Corinthian-Casuals já havia feito história ao terminar a edição 2015/16 da Ryman League First Division South em sexto lugar - isso porque perdeu pontos por causa de uma punição, senão teriam ido aos playoffs. Tal campanha já era motivo de orgulho.

O que dizer, então, do que esses caras fizeram no ano seguinte? Uma campanha histórica, cheia de grandes jogos, que após 46 rodadas levou o Casuals ao quarto lugar, garantindo uma vaga nos playoffs de acesso? Como definir o que esse time fez na semifinal dos playoffs, quando jogou com um a menos por mais de 70 minutos e mesmo assim conseguiu vencer seus adversários, fora de casa, por 4x3, garantindo-se na decisão? Os deuses do futebol deixariam essa história terminar com um final triste?

Melhores momentos da semifinal dos playoffs de acesso 

Pois é, eles deixaram. Às vezes não dá pra entender o que acontece, e por que acontece. Por quê, afinal, um Casuals que vinha de oito vitórias seguidas, onde marcou nada menos que 26 gols, escolheu justamente hoje para parar em uma defesa? Por quê, afinal, o goleiro Slavomir Huk, do Dorking, escolheu justamente hoje pra salvar sua equipe em pelo menos três oportunidades enquanto a bola rolou?

Ambos os times começaram a partida muito nervosos, trocando vários passes errados. Mas foi o Casuals, no entanto, que se acalmou primeiro e começou a criar chances. Okojie, aos 19 minutos, forçou o goleiro Huk a fazer sua primeira grande defesa, após um chute com efeito. O Dorking tentou responder com Tolfrey, mas o chute foi em cima de Bracken, que defendeu sem dificuldades.

Aos 30, outra boa chance: Mu passou por três marcadores e finalizou para fora. Pouco tempo depois, nova intervenção do goleiro Huk que fez grande defesa em cabeceio de Jack Strange. O Casuals estava melhor!

O segundo tempo também foi movimentado, e a lógica da primeira etapa não mudou muito: a equipe visitante criou as melhores chances. Aos 54', Strange novamente chegou perto, mas chutou para fora. Seis minutos depois, nova defesa de Huk em cabeceio de Mu. Em seguida, uma defesa dupla do goleiro do Dorking, negando a Josh Gallagher o gol salvador! Por quê, Huk?

Aos 67', outra chance perdida, dessa vez com Danny Dudley. Já no fim do jogo, um gol anulado sob a alegação de falta de ataque (vídeo acima). Em seguida, uma grande chance desperdiçada por Okojie. O jogo iria pra prorrogação.

Jogo nervoso no tempo extra, mas um pouco mais aberto. Se Huk negou o gol a Warren Morgan e Max Oldham, Bracken também impediu a derrota ao defender chutes de Briggs (duas vezes) e Beecroft, já no fim do segundo tempo. Os pênaltis se tornaram inevitáveis. E com eles, veio a decepção: após nove cobranças perfeitas, uma perdida. Era do Casuals... era a da derrota.

Não esperava ficar tão triste, mas fiquei. Não com o time, pois ganhar e perder faz parte do futebol, e eu estou certo de que eles sabem melhor disso que eu. Afinal, são os herdeiros do clube que mais honrou o fair play na história do futebol, o Corinthian FC.

A tristeza, talvez, seja por ver um trabalho que ao longo da temporada foi feito com tanto esforço, tanta dedicação, terminar assim. O esporte competitivo, às vezes, é muito cruel, e volta e meia essa crueldade atinge os alvos errados. Hoje, isso aconteceu, com certeza.

A única maneira de honrar nossas tradições, no entanto, é fazendo a única coisa possível: se levantando e trabalhar para tentar de novo. Mesmo derrotado em campo, certamente esse time pode se sentir vitorioso fora dele. Foi doído, mas estamos orgulhosos, Casuals. Parabéns pela entrega, e lamentamos pelo sofrimento.

Times especiais não mereciam sofrer.

Pós-jogo: Corinthians 1(3) x 1(4) Internacional - Eliminação em casa

Rodriguinho lamenta chance perdida (Marco Galvão/Fotoarena)


O abril de decisões do Corinthians teve continuidade em Itaquera. Após o empate no jogo de ida, a partida contra o Internacional pela Copa do Brasil foi movimentada desde o inicio.

O Alvinegro começou em cima, tendo a posse e atacando com velocidade; a primeira finalização foi aos 4 minutos com Romero, e o gol não tardou a sair.

Aos 9, lateral de Fagner teve leve desvio de Jô na tentativa de domínio que matou a zaga do Inter, para a conclusão perfeita de Maycon. Em seguida Jô teve grande chance para ampliar antes da partida ser interrompida pela presença de sinalizadores acesos na torcida corintiana.

No reinício, o Internacional já com Valdívia - substituto de Roberson contundido - equilibrou as ações, sempre buscando Brenner no jogo aéreo com cruzamentos perigosos. O Corinthians, sem a pressão inicial, cedia a posse e esperava encaixar um contra-ataque.

O Timão ainda teve mais uma boa chance para ampliar, com Romero no final da etapa inicial, numa finalização sem muita força mas que obrigou Lomba a boa intervenção na meta colorada.

O segundo tempo prosseguiu da mesma forma, o Internacional com a bola e o Corinthians esperando. Como ponto negativo, os muitos erros de passe das duas equipes nos primeiros minutos.

A primeira boa chegada foi corintiana. Aos 12 minutos Jadson deu belo lançamento para Romero dominar bem e acionar Rodriguinho na área - a cabeçada saiu por um triz. Era a bola para matar o confronto. Destaque para como a equipe chegou a área adversária em pouquíssimos toques, em alta velocidade e com precisão.

O Corinthians exercia seu controle, com um resultado perigoso - já que o empate levava aos pênaltis, até um erro em saída de bola. Jadson de costas, perdeu bola que originou escanteio para os visitantes. Na cobrança, após boa defesa de Cássio, a bola que retornou a área em chute de Nico Lopez resultou em gol contra de Fagner.

O gol fez o Corinthians se lançar ao ataque, mas o nervosismo resultou em muitos erros. Quando seo time se recompôs, finalizações perigosas com Pablo, Jô e uma chance incrivelmente desperdiçada por Clayton não evitaram a disputa por pênaltis ao fim dos 90 minutos.

Nos pênaltis Maycon, Marquinhos Gabriel e Arana erraram e o Internacional venceu por 4x3. Fim de competição melancólico para o Corinthians, eliminado pela terceira vez nos penais em casa, num jogo em que teve amplas chances de sair vencedor nos 90 minutos.

O Corinthians volta a campo domingo contra o São Paulo no jogo de volta pelas semifinais do Paulista, ás 16h.

FICHA TÉCNICA 

CORINTHIANS 1 (3) X (4) 1 INTERNACIONAL 
Local: Arena Corinthians, São Paulo (SP) 
Data-Hora: 19/4/2017 - 21h45 
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ) 
Auxiliares: Eduardo de Souza Couto (RJ) e Michael Correia (RJ) 
Público/renda: 32.352 pagantes/R$ 1.639.381,20 
Cartões amarelos: Gabriel (COR), Felipe Gutiérrez (INT) 
Cartões vermelhos: 
Gols: Maycon (7'/1ºT) (1-0), Fagner (contra) (26'/2ºT) (1-1) 
Pênaltis: Brenner (marcou), William (chutou para fora), Valdívia (marcou), Victor Cuesta (marcou), Léo Ortiz (errou) e Diego (marcou) (INT) 
Jadson (marcou), Maycon (errou), Jô (marcou), Marquinhos Gabriel (errou), Fagner (marcou) e Guilherme Arana (chutou por cima) (COR) 

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana; Gabriel (Marquinhos Gabriel, aos 36'/2ºT) e Maycon; Jadson, Rodriguinho e Romero (Clayton, aos 23'/2ºT; Jô. Técnico: Fabio Carille. 

INTERNACIONAL: Marcelo Lomba; William, Léo Ortiz, Victor Cuesta e Uendel; Anselmo, Rodrigo Dourado e Felipe Gutiérrez (Carlos, aos 13'/2ºT); Roberson (Valdivia, aos 15'/1ºT), Nico López (Diego, aos 44'/2ºT) e Brenner. Técnico: Antonio Carlos Zago.









Pós-jogo: São Paulo 0x2 Corinthians - Rumo a (mais uma) final de Paulista

Rodriguinho foi um dos destaques da vitória corinthiana (Foto: Reprodução / Funil do Timão)
Com uma atuação taticamente impecável, o Corinthians derrotou o São Paulo no Morumbi por 2x0 e abriu enorme vantagem rumo à decisão do Campeonato Paulista. Pois é, quem diria: a "quarta força" está a um passo de disputar seu 28º título estadual!

Cada vez mais, o time de Fabio Carille mostra que entende as orientações de seu treinador, compensando suas limitações técnicas com muita disciplina tática. Mesmo jogando em casa, o São Paulo pouco ameaçou - foram talvez duas chances mais agudas de gol, ambas desperdiçadas. Agora, até mesmo uma derrota por um gol , no jogo de volta na Arena, é suficiente para garantir a vaga na final.

Desde o começo da partida, ficou clara a estratégia corinthiana de jogar nos erros do adversário. Logo aos quatro minutos, Fagner quase marcou ao aparecer de surpresa na área, recebendo passe em profundidade de Jadson. Dez minutos depois, foi a vez de Jadson arriscar um belo chute de fora da área, aproveitando rebote da zaga - mas Renan Ribeiro fez grande defesa e impediu o gol alvinegro.

A impressão era de que o gol não demorou a sair. E de fato, saiu: aos 20 minutos, Rodriguinho (que jogou mesmo estando gripado) tocou para Jô na entrada da área, que finalizou sem chances para o goleiro: Corinthians 1x0.

O São Paulo tentava criar algo, mas a postura defensiva do Corinthians, quase que perfeita, impedia qualquer jogada mais perigosa. A estratégia de Carille, de deixar a bola com os donos da casa e esperar as chances de contra-ataque, se mostrou acertada. Quando todos já aguardavam o fim do primeiro tempo, aos 47 minutos, Guilherme Arana tocou para Rodriguinho, que dominou, esperou a hora certa e finalizou de fora da área, no canto direito do goleiro: era o segundo gol do Corinthians.
Jô comemora mais um gol marcado em clássicos (Foto: Reprodução / No Mundo da Bola)
Logo no início do segundo tempo. Jadson saiu da partida após torcer o joelho, e Clayton entrou em seu lugar. Pra piorar, o São Paulo voltou com uma postura mais agressiva. Foi quando o Corinthians foi mais ameaçado na partida: Cássio fez duas boas defesas em bons chutes de Maicon e Gilberto. A torcida, porém, já não apoiava como no primeiro tempo, talvez por conta do placar adverso.

Aos 27 minutos, enfim o Corinthians criou uma chance, e de novo com a dupla Jô - Rodriguinho. Dessa vez o atacante viu o meia livre, que avançou e arriscou forte chute - mas a bola foi para fora.

O jogo prosseguiu da mesma forma, com o time da casa dominando a posse de bola, porém sem eficiência, e o Corinthians se defendendo com muita eficiência. Com isso, o resultado de manteve até o final: 2x0 para o Timão, para revolta da torcida adversária, que protestou contra a exibição da sua equipe.

Agora, o Corinthians se prepara para mais uma semana decisiva, com dois jogos em casa: na próxima quarta, recebe o Internacional pela 4ª Fase da Copa do Brasil, e no domingo, recebe o São Paulo na semifinal decisiva do Paulistão.

Melhores momentos da partida

FICHA TÉCNICA: SÃO PAULO 0X2 CORINTHIANS
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Data: 16 de abril de 2016, domingo
Horário: 19 horas (de Brasília)
Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira
Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis e Miguel Caetano Ribeiro da Costa
Cartões amarelos: Luiz Araújo (São Paulo); Romero (Corinthians); Pablo (Corinthians); Jucilei (São Paulo); Maycon (Corinthians)
Gol: Jô (Corinthians); Rodriguinho (Corinthians)
Público pagante: 45.366 torcedores
Renda bruta: R$ 1.448.769,00 (Líquida R$1.019.402,28)

SÃO PAULO: Renan Ribeiro; Araruna (Thomaz), Maicon, Rodrigo Caio e Junior Tavares; Jucilei, Thiago Mendes e Cueva; Wellington Nem (Cícero), Lucas Pratto e Luiz Araújo (Gilberto). Técnico: Rogério Ceni
CORINTHIANS: Cássio, Fagner, Balbuena, Pablo e Arana; Gabriel e Maycon; Jadson (Clayton), Rodriguinho (Camacho) e Ángel Romero (Léo Jabá); Jô. Técnico: Fábio Carille

O depoimento de Marcelo Odebrecht sobre a Arena Corinthians, em 14 pontos comentados e contextualizados

Marcelo Odebrecht falou durante quase 50 minutos sobre a Arena Corinthians (Foto: Reprodução)
Desde que o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF, levantou o sigilo sobre os vídeos das delações premiadas da Odebrecht, muito tem se falado sobre as declarações de Marcelo Odebrecht sobre a Arena Corinthians. Jornais, sites, redes sociais, todos falam sobre o "escândalo" que foi a obra, divulgam trechos das declarações e frases soltas - sempre com viés negativo para o Corinthians, óbvio.

Infelizmente, não vi ninguém fazer o certo: analisar a íntegra do depoimento. Que é extenso: quase 50 minutos. Pra vocês terem uma ideia, o G1 por exemplo só divulgou um trecho com menos de nove minutos, ou cerca de 20% do total. MUITA COISA não foi mostrada, e é isso que vou fazer nesse post.

Pra facilitar a compreensão, vou fazer essa análise em tópicos, e seguir a ordem cronológica das declarações no vídeo, que vocês também podem ver aqui embaixo. Vamos lá?

video

AVISO: TRECHOS GRIFADOS EM PRETO SÃO CITAÇÕES FIÉIS DE FALAS DE MARCELO ODEBRECHT

1 - O pedido de Lula

Marcelo Odebrecht abre seu depoimento falando que seu pai, Emilio, recebeu um pedido de Lula para que a empreiteira "ajudasse o Corinthians a construir um estádio privado", que custaria entre R$ 300 e 400 milhões. Ou seja, Lula praticou lobby para o Corinthians junto à construtora.

Digo lobby, pois a declaração não permite encaixar esse pedido nas condutas criminosas que normalmente são confundidas com o lobby, a saber: a corrupção ("oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para que este pratique, omita ou retarde qualquer ato de ofício"), a advocacia administrativa ("o patrocínio de interesse privado, na qualidade de funcionário público, perante à administração pública") e o tráfico de influência ("solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função"). Além do mais, Lula é conselheiro vitalício do Corinthians, logo intervir junto a Emilio Odebrecht pedindo que sua empresas assumisse as obras do novo estádio, de certa forma, era uma atitude esperada para um conselheiro do clube, não?

Essa declaração bate com os fatos. Realmente, foi em meados de 2010 que começou a se cogitar a Odebrecht como possível responsável pelo projeto, que ainda era debatido pelo Conselho Deliberativo, não contaria com financiamento do BNDES e sequer tinha definido Itaquera como local definitivo (ainda se falava de Guarulhos e até mesmo Pirituba). Mas era orçado, de fato, em cerca de R$ 400 milhões, como Marcelo afirmou.

2 - A força-tarefa do poder público para incluir o estádio do Corinthians na Copa

Em junho de 2010, a CBF excluiu oficialmente o Morumbi da Copa 2014, deixando a cidade de São Paulo sem um estádio pro evento. O estádio do Palmeiras não tinha a capacidade nem seguia o "padrão FIFA", e as opções seguintes eram de difícil execução - a reforma do Pacaembu já havia sido descartada e a construção de uma arena em Pirituba, que foi muito cogitada mas também sofreu resistências, especialmente por conta da falta de interesse do Corinthians de assumi-la após a Copa.

Foi nesse momento que, segundo Marcelo Odebrecht, as três esferas de poder (municipal, estadual e federal) constataram que "a única solução era a Arena". Mas havia um problema: o custo disso. Afinal o projeto sofreria mudanças, ficaria mais caro, e o Corinthians não aceitava pagar essa diferença. Algo deveria ser feito para que São Paulo continuasse na Copa.

Então, em 27 de agosto de 2010, anuncia-se: o novo estádio do Corinthians irá representar São Paulo na Copa de 2014. Nessa época, ainda se falava em um custo de R$ 300 milhões, que seriam bancados pela construtora em troca da receita da venda dos naming rights do estádio, mais R$ 170 milhões em estruturas para ampliar a capacidade para 68 mil lugares, por conta da abertura, que seriam pagos por quem mesmo? Segundo o então presidente corinthiano Andres Sanchez;. "O Comitê Organizador, patrocinadores, sei lá. Pelo Corinthians que não". OK.

Esse custo foi se elevando, mês após mês. Em dezembro de 2010, já se falava em um orçamento de cerca de R$ 600 milhões, por conta de "adaptações do projeto" feitas pelo comitê organizador local. Foi então que, segundo Marcelo, houve um encontro que prometia ser definitivo.

3 - O jantar

Marcelo Odebrecht relata que houve um jantar em sua casa, em 13 de janeiro de 2011, para definir a engenharia financeira da Arena Corinthians. Estavam presentes, segundo ele, Gilberto Kassab (então prefeito de São Paulo), Geraldo Alckmin (governador de São Paulo), Luciano Coutinho (então presidente do BNDES), Andres Sanchez (então presidente do Corinthians), Luis Paulo Rosenberg (então diretor de marketing do Corinthians), Ronaldo Fenômeno e alguns representantes da Odebrecht. A pauta? Definir como seriam divididos os custos do estádio corinthiano, que já batiam os R$ 820 milhões.

O grande problema desse aumento nos custos é que o Corinthians não aceitava bancar a fatura. Nas palavras do delator: "você sai de um estádio de R$ 400 milhões, que era o que o Corinthians queria, para um estádio de R$ 900 milhões por causa das exigências da abertura da Copa do Mundo".

Após muita discussão, Marcelo conta que "se acertou de boca" a seguinte conta: o Corinthians continuaria bancando R$ 400 milhões (via empréstimo do BNDES) e a Prefeitura de São Paulo cobriria a "diferença", de R$ 420 milhões, através de CID's (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), valendo-se para isso de lei aprovada na gestão Marta Suplicy. O que, nas palavras do empreiteiro, "em tese se justificava, porque realmente o estádio levou a uma supervalorização da região".

Era uma "conta possível", segundo Marcelo Odebrecht, com apenas uma ressalva, levantada nesse jantar: a de que os benefícios tributários dos CID's viriam apenas ao longo dos anos, o que em tese desvalorizaria os papéis. No entanto, ele afirma ter sido tranquilizado por Kassab, que prometeu: "vou ajudar vocês na monetização desse assunto". De que forma? Negociando com o Ministério da Fazenda para que os tais R$ 420 milhões fossem enviados "para outro lugar onde a prefeitura precisasse", e assim ele (Kassab) reservaria esse dinheiro para "fazer frente à desoneração tributária dos CID's". O que não foi cumprido, segundo Marcelo. "Ele prometeu mas só depois viu as implicações na Lei de Responsabilidade Fiscal".

Outros compromissos firmados no jantar, sempre segundo Odebrecht, foram: a Prefeitura bancaria os overlays (estruturas temporárias), que custariam entre R$ 60 -100 milhões; o Governo do Estado custearia as obras do entorno e as arquibancadas provisórias, no valor de R$ 20 - 40 milhões; e o BNDES se responsabilizaria por aprovar o financiamento dos R$ 400 milhões ao Corinthians. Tudo dentro da lei, segundo Marcelo Odebrecht.

4 - Ainda sobre o jantar: garantias e o surgimento da SPE imobiliária

Havia um problema com o plano, que não existia em outros projetos de estádios para a Copa: a Arena Corinthians era um projeto privado de um clube de futebol, e por isso as regras de concessão do empréstimo via BNDES era muito mais rígidas. Para "driblar" isso, combinou-se que seria criada uma empresa, na forma de uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) imobiliária, para ser proprietária e gestora da Arena. Dessa forma, o dinheiro não iria para o clube, e sim para a SPE, que estaria "imune aos passivos do clube", nas palavras de Marcelo.

Luciano Coutinho, pelo BNDES, aceitou a estratégia e prometeu viabilizar o empréstimo através da Caixa Econômica Federal. Como contrapartida, a Odebrecht ofereceu garantias para o projeto, enquanto estivesse executando a obra.

Com todos os pontos amarrados, o projeto seguiu adiante. No entanto, quase foi cancelado poucos meses depois. Marcelo Odebrecht contou por que.
O terreno em Itaquera, em junho de 2011 (Foto: Danilo Verpa / Folhapress)
5 - A quase desistência da Odebrecht

Ainda no primeiro semestre de 2011, houve um momento em que Marcelo Odebrecht diz ter tentado desistir da Arena Corinthians. "Logo (depois) que fechou os R$ 820 milhões (de orçamento), o arquiteto do Corinthians veio com uns projetos malucos, e o custo aumentou um pouco. Isso gerou desgaste. Então disse, 'vamos sair, a gente não vai ganhar nada mesmo'". Foi necessária a intervenção de Lula, já como ex-presidente, para que o empresário voltasse atrás. Essa conversa, segundo ele, ocorreu em uma reunião, antes de um evento na cidade de Comandatuba/BA que contaria com uma palestra do político. Deu certo: o projeto continuou.

A declaração bate com os fatos. O projeto do estádio, que em fevereiro daquele ano teve 109 erros apontados pela FIFA, pouco tempo depois já tinha seu plano de custos aumentado em mais de 20%, superando o valor de R$ 1 bilhão. Tal elevação fez o Corinthians procurar a palavra de outras empreiteiras, para ver se os valores apresentados eram realistas, o que quase resultou em uma ruptura da parceria. Em junho, porém, clube e construtora entraram em um acordo, e o orçamento foi novamente reduzido para cerca de R$ 800 milhões.

Em julho de 2011, o Corinthians anunciou oficialmente o acordo com a Odebrecht para a construção da Arena, pelo custo de R$ 820 milhões. E em setembro, o contrato foi finalmente assinado, em evento que contou com a presença do ex-presidente Lula.

6 - A intervenção de Dilma Rousseff

A obra em Itaquera começou, e com o passar dos meses tudo ia correndo mais ou menos normalmente. "Mais ou menos" pois havia um problema: o empréstimo do BNDES não saía. Corinthians e Caixa Econômica não entravam em um acordo sobre garantias financeiras - o que inclusive forçou a Odebrecht a recorrer a empréstimos-ponte para financiar a obra, permitindo que a mesma continuasse.

E a situação pioraria: Marcelo Odebrecht relata que recebeu um aviso de Jorge Heredia, então vice-presidente de Governo da Caixa Econômica: "A presidenta mandou cancelar o financiamento". Não apenas da Arena Corinthians, mas também da Arena Pernambuco e da Fonte Nova. Segundo Heredia, o "problema" era uma reclamação do então ministro dos Esportes, Orlando Silva.

O empreiteiro, então, pediu uma reunião com Dilma, e foi atendido. No encontro, onde também estava presente Luciano Coutinho e Antonio Palocci (então ministro-chefe da Casa Civil), ela foi convencida a liberar os projetos, mas o financiamento da Arena Corinthians deveria ser feito não via Caixa Econômica, mas pelo Banco do Brasil, por ser "mais confiável". A preocupação da presidenta, segundo Odebrecht, é que a Caixa poderia flexibilizar mais as garantias. Ele concordava: acredita que, pela estrutura, a Caixa era "mais suscetível à pressão de cima". Nas suas palavras: "Se a presidenta diz para o ministro 'resolve essa questão e bota o vice-presidente pra resolver', na Caixa funciona. No BB a gente sente que o corporativismo é mais forte, a influência de cima funciona menos".

E assim, o financiamento passou a ser negociado com o BB. O problema, para a empreiteira, é que os problemas que não existiam com a Caixa passaram a existir com o Banco do Brasil, especialmente no que se refere à estratégia de usar uma SPE imobiliária para driblar o risco de se emprestar o dinheiro a um clube. Para o BB, independente da SPE, o beneficiário era o Corinthians. E com isso, meses se passaram e as conversas não avançaram.

A demora foi tanta que Marcelo Odebrecht chegou a propor uma "troca de favores" ao então Ministro da Fazendo, Guido Mantega. A Odebrecht possuía créditos a receber da Eletrobras, que estavam paralisados. A proposta feita pelo empreiteiro era simples: se o ministro conseguisse liberar esses créditos, ele os usaria como garantia para o BB na proposta de financiamento do BNDES. Não deu certo: Mantega rejeitou. Foi aí que se constatou, definitivamente, que o empréstimo não sairia de forma alguma no Banco do Brasil, e isso já era veiculado pela imprensa, no início de 2013.

7 - O ultimato à presidenta

Em abril de 2013, a presidenta Dilma foi à Bahia inaugurar a Arena Fonte Nova. Marcelo Odebrecht conta, no depoimento, que aproveitou a ocasião para se encontrar com ela. No encontro, ele disse: "(o financiamento) só vai sair se a senhora der a orientação de voltar para a Caixa, pois a senhora tirou de lá". Segundo ele, Dilma acabou concordando e dando a orientação para Guido Mantega, que acionou um dos vices-presidentes do banco, Marcos Vasconcelos.

Já ciente de todos os entraves colocados pelo Banco do Brasil, a Caixa Econômica inicialmente rejeitou as garantias dadas anteriormente, fazendo novas exigências. Manteve-se, no entanto, a estratégia de usar a figura da SPE imobiliária para "blindar" o financiamento dos passivos do clube.

Entre as garantias extras negociadas nos meses seguintes, está o terreno do Parque São Jorge, incluído pelo Corinthians na negociação em junho de 2013. A Odebrecht também aumentou suas garantias ("coisa pouca", segundo o agora delator). E então, em 29 de novembro de 2013, finalmente era assinado o contrato de financiamento da Arena Corinthians junto ao BNDES, no valor de R$ 400 milhões, tendo a Caixa como banco repassador, nos termos do Programa Pro-Copa Arenas. A essa altura, as obras já estavam 94% concluídas, o que mostra o tamanho do atraso com que o acordo foi firmado.

Nesse momento, Marcelo Odebrecht faz uma espécia de mea culpa sobre o modo como agiu para conseguir viabilizar o projeto. Nas palavras dele: "foram horas de reunião, interferências... não é correto. Não funciona assim". Caberá à Justiça dizer se essas intervenções foram criminosas, afinal.
Em junho de 2013, todos celebravam a conquista da Copa das Confederações - inclusive Dilma (Foto: Roberto Stuckert Filho)
8 - Revelações sobre os outros entraves financeiros da Arena

Nessa parte do depoimento, Marcelo Odebrecht é instado a falar sobre o aumento nos custos da Arena. Contextualizando: em fevereiro de 2014 falava-se em custos extras de R$ 110 milhões, elevando o total da Arena para R$ 930 milhões, mas apenas dois meses depois esse montante já era projetado em R$ 1,150 bilhão - o que levou à necessidade de contratar um novo empréstimo-ponte de R$ 350 milhões.

O empreiteiro explicou. Segundo ele, o grande problema do projeto foi o descumprimento das promessas feitas naquele jantar em 2011. A Prefeitura, por exemplo, voltou atrás na promessa de bancar o overlay, e nada pôde ser feito contra isso, já que o Corinthians aceitou se responsabilizar por esse custo na assinatura do contrato - gerando mais um custo de aproximadamente R$ 70 milhões para o clube. Outro ponto levantado por ele foi o atraso de quase três anos na liberação do empréstimo pelo BNDES, muito graças à decisão de Dilma de barrar, inicialmente, o uso da Caixa como banco repassador.

Os CID's também foram um grande problema, segundo Odebrecht. Isso pois o prefeito Kassab, em 2011, havia prometido monetizar os R$ 420 milhões referentes aos papéis ainda durante a obra, e isso não foi feito. Pior: em maio de 2012, o promotor do Ministério Público de SP, Marcelo Milani, ingressou com ação contra a Prefeitura, a Odebrecht e o Corinthians contra a concessão do incentivo fiscal. O processo gerou insegurança suficiente para que os papéis se tornassem, na prática, inegociáveis no mercado. Sobre isso, Marcelo Odebrecht comenta: "os CID's não saía por causa da ação pública; as empresas queriam uma garantia da Odebrecht". Somente em outubro de 2015, um ano de meio após a Copa, é que a Justiça negou a ação e considerou regular o benefício fiscal.

A grande e maior revelação desse trecho do depoimento, porém, fica por conta dos naming rights. Marcelo Odebrecht conta que a venda só não aconteceu, basicamente, porque o Corinthians não quis. Nas suas palavras: "A gente levou ofertas para o Corinthians, de R$ 250 - 300 milhões, e o Corinthians achava que tinha que ser R$ 400 milhões. Hoje, não tem naming rights". Ele não deixa claro, no entanto, se ele era o autor da oferta ou apenas um intermediário de outra empresa.

9 - De volta a Brasília

Em outubro de 2016, caiu como uma bomba na imprensa a notícia de que, em 2014, a Caixa havia socorrido a Odebrecht com um empréstimo de R$ 350 milhões para cobrir os custos da obra em Itaquera. Marcelo Odebrecht confirmou a transação em seu depoimento, e deu detalhes sobre como foi feito.

Segundo ele, houve um novo encontro com a presidenta Dilma, para a qual ele disse: "Eu tenho um problema aqui. Eu tenho um buraco de R$ 350 milhões (no custo da obra), e só tem uma opção: eu emprestar pra Arena e virar um credor, mas eu não tenho dinheiro. Preciso que a Caixa me empreste e eu empresto, e nesse processo eu também empresto para o overlay". Ele conseguiu o valor, e assim tornou-se credor secundário da Arena, sendo a Caixa o credor primário.

Dessa forma, a Arena Corinthians tem basicamente três grandes passivos: um com a Caixa, repassadora do financiamento do BNDES; e a Odebrecht em duas frentes, uma por conta de custos com a obra que não foram pagos (por conta da não-negociação dos CID's) e outra por conta desse empréstimo-ponte de R$ 350 milhões, que na prática são devidos pela construtora à Caixa.

A falta de dinheiro, no entanto, gera consequências: segundo o delator, "algumas coisas" do projeto inicial da Arena simplesmente foram "sendo deixadas de lado". Nas palavras dele, "não tem o dinheiro, não vamos fazer". O que, ele próprio reconhece, "prejudica o plano de negócios do clube". É por essas e outras que uma auditoria está sendo feita na Arena, a pedido do Corinthians.

10 - Lula, o poderoso lobista

Marcelo Odebrecht foi pressionado a explicar qual era o papel do ex-presidente na Arena, ao que respondeu: "a gente sempre ficava no pé do Lula, porque no fundo quem tinha metido a gente nesse enrosco era ele". Segundo o delator. as demandas eram levadas ao ex-presidente, que fazia pedidos a quem fosse de direito, como Guido Mantega e Fernando Haddad (segundo o empreiteiro). Mas nem sempre resolvia: em novembro de 2014, por exemplo, o então prefeito Haddad rejeitou dar garantias aos CID's que o Corinthians não conseguisse vender no mercado.

Contextualizando: hoje, seis meses após a rejeição do processo do MP/SP, o cenário ainda é preocupante, mas certamente mais favorável: o Arena Fundo de Investimento Imobiliário (empresa gestora do estádio) já conseguiu vender R$ 42,5 milhões em papéis e possui garantia de venda de outros R$ 70 milhões, totalizando mais de R$ 110 milhões de certificados negociados - valor que deve seguir aumentando ao longo dos meses. Além disso, a Odebrecht tem obrigação contratual de adquirir as CID's, caso não sejam vendidas, em até 10 anos - mas o Corinthians não espera que isso seja necessário.

Voltando ao Lula. Marcelo é novamente questionado, se em algum momento ele recebeu qualquer pedido de político, para que fossem feitos favores por conta da Arena. Ele responde taxativamente que não, mas complementa: "só esse pedido inicial do Lula, e a gente tentou que o Lula ajudasse a gente a resolver imbróglios. Mas eu não lembro de ter nenhum pedido político". Caberá à Justiça dizer se em algumas dessas intervenções de Lula houve algum ato ilícito. Vale lembrar, no entanto, que o lobby é comumente confundido com condutas criminosas, e por isso deve haver investigação criteriosa. É preciso checar se, realmente, o ex-presidente e conselheiro vitalício do Corinthians não ganhou nada ao lidar com esse assunto.

11 - E o Andres, ganhou alguma coisa?

Marcelo Odebrecht também rechaçou a possibilidade de que o então presidente do Corinthians, deputado federal Andres Sanchez, tenha recebido propina por conta da Arena. Ele não nega, porém, a possibilidade de ele ter recebido doação, oficial ou não. Nas suas palavras: "Quando eu estava preso, veio esse assunto de que Andres Sanchez recebeu, eu imagino que doação de campanha. Até porque Andres Sanchez nunca precisou, nunca pediu nada em relação a isso. Era um cara que a gente conhecia como empresário, cliente na época da Braskem - por isso a relação dele com o Alexandrino (Alencar, ex-diretor da construtora). Andres Sanchez nunca pediria nada. O que pode ter acontecido, e por isso deve ter ele na planilha, é que a gente doou para o Andres, e se era uma relação diferenciada é provável que tenha tido doação de Caixa 2".

Na prática, existem duas suspeitas de pagamentos da Odebrecht a pessoas envolvidas com o Corinthians. Uma delas, divulgada pela imprensa em março de 2016, trata de André Negão, vice-presidente do clube, que teria recebido R$ 500 mil da construtora. A outra, mais recente, trata de um pagamento feito a Andres Sanchez, no valor de R$ 3 milhões, na forma de Caixa 2. Os dois negam as acusações.

12 - Sobre o aumento "excessivo" nos custos

O empreiteiro foi perguntado sobre o porquê de o custo da obra ter subido demais. Ele rebateu, dizendo que o que havia subido, na verdade, tinha sido o custo financeiro. Então, foi questionado se a Odebrecht não havia projetado os custos financeiros, no que foi novamente respondido que não, pois nada seguiu o planejado na engenharia financeira.

Marcelo Odebrecht listou os imprevistos: o overlay foi adicionado ao valor da obra; os CID's deveriam ser pagos e monetizados durante a obra; e o empréstimo do BNDES, que deveria ser liberado durante a obra, só o foi dois anos depois, pelo valor nominal, sem correção. Ele acabou se esquecendo de citar os naming rights, cuja venda era prevista e até hoje não aconteceu.

Na opinião dele, "graças" a todos esses problemas, é provável que todos percam com a Arena: Odebrecht, Caixa e Corinthians. A esperança, segundo ele, é que os CID's sejam vendidos rapidamente; caso contrário "todo mundo vai perder".

Mesmo assim, Marcelo não criticou o plano de negócios do Corinthians. Segundo ele, o grande problema foi de fato os naming rights e os CID's não terem saído. Nas suas palavras: "se tivessem (saído conforme se esperava), fechava o plano. O erro (de avaliação) é marginal".
Apesar de tudo, a Arena Corinthians foi feita, e é nossa casa (Foto: Reprodução / Youtube)
13 - A revolta com a falta de palavra dos políticos

Uma coisa fica latente no depoimento de Marcelo Odebrecht: seu inconformismo com as promessas descumpridas pelos representantes do poder público. Em vários momentos, ele explicita que muitos dos problemas vividos pela Arena se deram a compromissos firmados inicialmente, que simplesmente foram esquecidos ou ignorados depois.

Em um dos trechos, ele declarou: "Os representantes prometeram coisas que não podiam ou não conseguiram cumprir. Com exceção do Alckmin. O Alckmin foi, na prática, o único que cumpriu o que prometeu: as obras do entorno e as estruturas, que não tinha dinheiro mas ele foi atrás de patrocínio, acho que Ambev, e viabilizou o que prometeu". Ele está correto: a parceria entre Governo do Estado e Ambev foi fechada ainda em 2012, pela qual a empresa bancaria os 20 mil assentos provisórios em troca do direito de explorar a publicidade no estádio.

Sobram críticas, também, para a postura de Dilma Rousseff durante a preparação do país para a Copa. Segundo ele, Dilma "nunca comprou a ideia da Copa", "sempre achou que era um pepino" e "achava que o problema era dos estados". Essa falta de envolvimento, ainda segundo ele, fez com que a FIFA "deitasse e rolasse" na organização, conseguindo assim perfazer o maior lucro de sua história com o evento, sem se comprometer com praticamente nenhum gasto. Essas declarações foram razão de desconfiança por parte dos interrogadores, que estranharam o próprio governo criando obstáculos em projetos de seu interesse. Marcelo Odebrecht rebateu afirmando que não eram obstáculos colocados propositalmente, mas de forma indireta ou por omissão - no caso de Dilma, por omissão.

14 - Arrependimento

Já no final do depoimento, Marcelo Odebrecht declarou que sempre soube que a empreiteira não lucraria com a Arena. E que se pudesse, não teria continuado com a obra. Segundo ele, "se soubesse do filme, não teria entrado".

Ele foi questionado, então, sobre porque não caiu fora. Segundo Marcelo, os contatos e as relações da empreiteira fizeram com que ele pensasse que poderia resolver tudo, e às vezes isso pesou contra, pois aumentou alguns problemas. Em suas palavras: "A obra estava andando, quando você vê já tá enrolado. E a essa altura, a gente ia ter toda a torcida do Corinthians contra a gente".

O sigilo no processo 

Vale lembrar que o relator da Operação Lava-Jato no STF, ministro Edson Fachin, decidiu por manter o sigilo nas investigações de possíveis condutas criminosas na construção da Arena. Sendo assim, ainda vai demorar até sabermos o quanto é verdade desse depoimento, o que é mentira, e o que foi omitido. É tranquilizador, no entanto, ver que durante todo o depoimento, Marcelo Odebrecht isenta a instituição Corinthians de qualquer conduta criminosa.

São quase 50 minutos que jogam uma luz providencial em um assunto que, durante anos, foi escondido da torcida. Vamos esperar que isso mude, que o quanto antes tudo seja divulgado com a devida transparência, e que todas as pessoas culpadas de algum crime sejam punidas - e se tiverem relação com o Corinthians, que sejam banidas do clube. Nada menos do que isso é aceitável.

Delata mais, Marcelo!