[Repost] A Fiel do Mundo

♠ Publicado por Daniel Keppler em ,,,,,, às 21:00


Salve, Bi-Campeões Mundiais!!!

Escrevo após passar pelas 24 horas mais emocionantes da minha vida; mais um dia que fica na História, pela sua importância e complexidade. Ver o que vi acontecer em Yokohama, com todos seus detalhes e grandeza, ficará marcado em mim para sempre, e no futuro deixará de ser um simples fato para se tornar uma lenda para futuras gerações!

Ainda não tenho condições de redigir um texto próprio sobre essa final; não consegui processar udo o que aconteceu! Então, segue abaixo um belísssimo texto de André Kfouri, publicado na revista-pôster do Lance!:

"Se um desavisado passasse na frente da televisão no último dia 12, por volta das 8h30, veria um estádio cheio de corintianos. Ficaria curioso para saber por que o Corinthians estava jogando àquela hora, pela manhã. Ao descobrir que o jogo, de fato, era à noite, perguntaria: mas em que parte do Brasil, agora, está de noite?

Ninguém poderia culpá-lo. A imagem da torcida do Corinthians se apropriando de um estádio no Japão foi mesmo impressionante. Um deslocamento monstruoso em contingente e distância. Uma invasão – mais uma – para ficar nos livros de História.

Não importa o público do jogo, ou a quantidade exata de corintianos que viajaram do Brasil, ou quantos já estavam lá. A torcida do Corinthians se transformou em personagem principal do Mundial de Clubes da Fifa. E em razão maior de um título imenso.

Nenhum torcedor atravessa o mundo e troca o dia pela noite com a certeza de que voltará campeão. Nem o mais otimista. Os apaixonados vão porque a oportunidade é valiosa demais, porque o momento pode ser bonito demais, porque as memórias podem ser alegres demais. E também porque estar ali não tem preço, vale qualquer sacrifício, é mais forte do que qualquer argumento racional.

Mas há algo particular no corintiano, que ficou evidente neste Mundial. Dizem que ele vai ao estádio para ver o time e, tão importante quanto, para se ver. Que se orgulha por ser parte de algo de proporções epidêmicas, que se espalha pelo ar e não reconhece fronteiras, oceanos, fusos-horários, baixas temperaturas.

O Corinthians começou a ganhar este Mundial quando a torcida foi ao Aeroporto de Guarulhos se despedir do time. Continuou a ganhar o Mundial quando a torcida tomou o estádio em Toyota. E terminou de ganhar o Mundial quando a torcida fez o mesmo em Yokohama.

Dois mil e doze foi o ano da décima segunda camisa. Aquela que é vestida pelo torcedor e joga sem entrar em campo. Não foi apenas uma coincidência o fato de a estreia no Mundial, contra o Al Ahly, ter acontecido em 12/12/12. Dois mil e doze foi ano em que a décima segunda camisa do Corinthians pôde comemorar dois títulos inesquecíveis pelo que representam, cada um com apelos distintos.

A conquista da Copa Libertadores acabou com a piada, com o complexo, com a angústia. E foi perfeita, invicta. Séculos se passarão sem que outro clube consiga a proeza de vencê-la pela primeira vez, derrubando o campeão do ano anterior e, na final, o time que faz brasileiros – os outros, claro – tremerem. A Libertadores é uma caminhada de sofrimento e fé, que transforma quem joga e quem torce, e deixa marcas que não se apagam.

O Mundial é um paradoxo. Efêmero e duradouro. Distante e presente. Acessório e fundamental. Passa-se um semestre pensando nele, semanas dedicando-se a ele, dias lutando por ele. Dois jogos absolutamente diferentes em tudo. O primeiro, contra um adversário desconhecido por muitos, e mais fraco. O segundo, contra um peso pesado do futebol, no nome e na força. No primeiro, a responsabilidade é sua. No segundo, é deles.

Em comum, só duas coisas: a camisa do Corinthians em campo e a torcida do Corinthians abraçando estádios japoneses, como se ficassem em São Paulo. Quando documentários forem produzidos sobre o Mundial de Clubes da Fifa, a edição de 2012 será retratada como o torneio do Corinthians e dos corintianos, o torneio do torcedor que viajou um dia inteiro para ver seu time jogar e sorrir ao se perceber representado por tanta gente. O torneio da toda poderosa Fiel.

Corintiano, o mundo é seu. De novo. E sempre."

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