Prós e contras de uma homenagem ousada

♠ Publicado por Daniel Keppler em ,,,,, às 15:38


Fala Fiel!

Essa semana o Corinthians divulgou oficialmente a sua camisa azul. Digo oficialmente pois há pelo menos alguns meses a gente sabia que ela seria lançada. Eu mesmo, aqui no blog, falei da possibilidade de o Corinthians fazer cosplay de Chelsea em janeiro, no post "Rasgando a tradição em nome do marketing".

Enfim. Agora é oficial. E a camisa já está em pré-venda por aquele precinho CAMARADA, que a Nike sabe que a Fiel vai pagar, porque ama o Corinthians. Fosse R$ 100 mais caro, e os torcedores pagariam. 

ENFIM! São coisas que não adianta brigar, espernear... futebol agora é isso... as empresas usam do amor ao time pra enriquecer. E acaba transformando a história de um time em um arsenal de ganchos pra mais e mais produtos oficiais. A prova disso é essa camisa azul.

Ela homenageia o Corinthians que, em 16 de novembro de 1965, foi à Inglaterra representar a Seleção Brasileira, em amistoso contra o Arsenal (ING). No lendário estádio Highbury, os corinthianos foram derrotados por 2x0.


Vale algumas lembranças: o Arsenal que enfrentou o Corinthian/Brasil não tinha nada de Arsenal: dos 22 jogadores, apenas um era do Arsenal. Além disso, a diferença climática foi brutal para os brasileiros: dois dias antes da partida, o Corinthians havia jogado em São Paulo contra o Santos sob um sol de 30º. Na Inglaterra, enfrentou a incrível temperatura de 3 graus abaixo de zero. Para piorar, a camisa azul da Seleção Brasileira tinha mangas curtas.

"Estava um frio danado. O (Oswaldo) Brandão era o treinador. Meu pé não sentia a bola. No intervalo, falei para o Brandão e nós tomamos conhaque. Não esquentou e nem ficamos bêbados (risos)", disse Rivellino. "Mesmo com o frio e com a derrota, foi bonito porque representamos o Brasil, jogamos com a camisa da Seleção Brasileira.", completou o Reizinho do Parque.

Mesmo assim, os relatos contam que o time comandado por Osvaldo Brandão e que contava com o jovem Rivellino, de 19 anos, além de Edson Cegonha, Dino Sani e Flávio, entre outros, suportou bem a partida; a equipe pecou muito nas finalizações e acabou não resistindo ao ataque inglês, sofrendo dois gols de Sammels, que decretaram o resultado da partida.

Após o amistoso, a delegação alvinegra ainda recebeu uma visita especial. "Quando terminou o jogo, os dois times ficaram nos vestiários conversando e, então, recebemos a visita do Príncipe Philip. Ele iria ficar só meia hora com a gente, mas quebrou o protocolo e permaneceu duas horas falando com os jogadores do Corinthians e do Arsenal", disse José Teixeira, preparador físico do time na época.

Folha de São Paulo de 17/11/1965 (clique para ampliar)

É aí que o debate começa: representamos a Seleção, mas perdemos. O fato de termos sido derrotados diminui a importância de termos representado o Brasil no jogo em questão? Afinal, Palmeiras e Atlético-MG conseguiram vencer quando estavam na mesma condição. A derrota torna o episódio menos digno de valer uma homenagem como essa, de fazer uma terceira camisa?

Bom, pra mim a homenagem foi boa para mostrar que, ainda que tenha sido derrotado, o importante foi que representamos a Seleção Brasileira. Se, enquanto Corinthians, exaltamos a importância de dar o sangue em campo não importa o resultado, esse princípio não poderia mudar quando fomos Brasil. 

No entanto, penso também que nossa centenária História tem muitos episódios que poderiam ter sido aproveitados pela Nike e pelo clube. Por mais que representar o Brasil seja algo importante, não foram poucas as ações de marketing nos últimos anos reforçando a ideia de que o Corinthians se basta como Nação (e eu concordo com isso)... então, porque agora mudar essa postura, homenageando o dia em que o Timão foi Brasil?

Sem falar que nem sempre uma terceira camisa precisa necessariamente homenagear um fato histórico. A torcida prova isso, divulgando na internet vários belos modelos de camisas que poderiam muito bem ser aproveitadas pelo clube. Exemplos:

Sugestões de camisas publicadas na internet por torcedores
Ou então, o Corinthians poderia reeditar alguma camisa do passado... como por exemplo:

Algumas camisas antigas do Corinthians; poderiam ser ressuscitadas
Bom, a ideia aqui é só mostrar que ideias não faltam para as terceiras camisas do Corinthians. Nosso Departamento de Marketing é profissional, qualificado e muito criativo para fazer de qualquer ideia um sucesso. E nossa torcida tem poder de compra suficiente pra não deixar um manto sagrado se transformar em um fracasso... então, porque desvincular a homenagem do time, vinculando-a à Seleção? A Copa do Mundo justifica isso?

Espero que tenham gostado do debate; comentem no blog o que pensam do assunto!

Ficha técnica: Arsenal 2 x 0 Brasil
Data: 16 de novembro de 1965.
Local:
estádio Highbury, em Londres, Inglaterra.
Público / Renda: 17.789 pessoas / 11 mil libras.
Árbitro:
H. Philips.
Arsenal: Burns (Fornell); Howe, Storey e Neil; Curt e McLintock; Skirton, Sammels, Baker, Eastham e Armstrong. Técnico: Billy Wright.
Brasil: Marcial; Galhardo (Jair Marinho), Eduardo I e Clóvis; Edson Cegonha e Dino Sani; Rivellino, Marcos, Flávio, Ney e Geraldo (Gilson Porto). Técnico: Osvaldo Brandão.
Gols: Sammels, aos 8min do 1º tempo e aos 25min do 2º.

2 comentários:

  1. Olá Daniel,

    A camisa até que é bonita, mas acho que não combina conosco.

    Ano passado, nós batemos só times de azul: Cruz Azul, Emelec, Vasco, Santos, Boca e Chelsea, até tinha uma brincadeira sobre isso no Facebook, logo fica meio contraditório usar justamente uma camisa que é idêntica à do time inglês.

    Eu tenho a camisa grená, mas jamais compraria essa azul, ela é bonita, mas não é pra nós :(

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  2. Eu até não sou contra as terceiras camisas do Corinthians. Apesar do fim TOTALMENTE voltado pra venda, não podemos deixar de dizer que elas são sucesso de venda desde 2008. Eu mesmo tenho, por ter achado muito legal a idéia, a execução e ter curtido a cor de algumas.

    Isto posto, concordo contigo quando diz que primeiro se vendeu a idéia de que éramos Nação e desvinculada do país, e que agora, com a proximidade da Copa do Mundo, volta a se vincular com a Seleção.

    Penso que a estratégia (errada, na minha tosca opinião), deve-se ao fato de que a Nike é patrocinadora de ambos: Corinthians e Seleção.

    E que o marketing do Corinthians está se deixando levar por essa "coincidência" e ajudando a afundar um conceito formado de "Nação Corinthiana" que já estava tomando um corpo cada vez maior.

    Espero que a terceira camisa do ano que vem, não seja uma que circulou pelas redes sociais em maio: na cor amarela.

    Espero que seja apenas um balão de ensaio e não se concretize.

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