Um desabafo, algumas opiniões e uma viuvice que tá difícil deixar de lado

♠ Publicado por Daniel Keppler em ,,,, às 14:21

Antes de tudo, desculpem pelo tom não tão feliz do post; e se as opiniões divergirem muito, apenas respeitem. Os comentários estão abertos, e terei prazer em ler e replicar se for o caso. Mas discordem com educação!

De dezembro pra cá, tenho tentado postar continuamente. Devo ter uns 12 rascunhos aqui no painel do blog.

Assuntos pra manter a pauta atualizada não faltaram: rankings de torcida, valor do clube, receitas. Especulações do mercado. Início de trabalho do Mano Menezes. As contratações. Copa São Paulo. Os jogos do Paulistão (ou Paulistinha, já decidiram o que vai ser esse ano?).

Então, por que essa pausa tão longa? Que bloqueio é esse? O que me impede de concluir as ideias, de dividir minhas impressões com vocês, como faço desde junho de 2012?

O que é esse incômodo?

De algo eu sei: o caso Lusa - Fluminense - STJD abalou minha fé no futebol. A cada notícia, uma decepção. A novidade da vez é que o MP considera a possibilidade de alguém da própria Portuguesa ter levado dinheiro para escalar o Héverton, visando a punição futura - e o favorecimento de algum time...

Mas, isso seria o bastante? Não sei. O blog é corinthiano, e se fala de futebol é porque esse é o esporte mais privilegiado pelo clube. Mas, ainda assim, dá pra falar do Corinthians sem ter fé no esporte que ele pratica? Que dilema, rs...

A solução é fechar os olhos pra tudo isso, e olhar para o nosso próprio mundo - o mundo Corinthians. Mesmo que isso exija um esforço danado - o de remar contra uma maré de decepcionados com a última temporada, que esperavam por uma mudança, qualquer mudança - mesmo que um pouco injusta, pobre, insuficiente.

Confesso que pouco do que vi até agora, no Corinthians, fez meus olhos brilharem. Eu confio no trabalho do Mano, sempre confiei. Lamentei sua saída em 2010, defendi o seu trabalho na Seleção até as últimas consequências. Mas não tenho certeza de que sua chegada era imprescindível para as coisas mudarem esse ano.

Isso pois eu também aprendi a valorizar o trabalho do Tite. E não porque era o Tite, mas porque era ele é TREINADOR. Era dele o trabalho, o projeto. Eu respeito isso.

Passamos por um 2013 instável, cheio de problemas intra e extra-campo, que culminou num 4º trimestre crítico. Péssimo pra técnico e para os jogadores. Até os pilares do time decaíram. Isso é normal?

Claro que não. Não deixo de pensar que o quesito técnico era algo secundário... o problema era mental. Era motivacional. Um time que se habituou aos títulos não conseguiu ver na conquista da Copa do Brasil uma grande meta... vai entender.

O fato é que ninguém foi bem, e a diretoria se manifestou. Prometeu uma reformulação. Que começou com a demissão do Tite e acabou aí mesmo, na demissão do Tite. Foi a reformulação mais compacta da história.

Os outros responsáveis pelo péssimo desempenho ficaram, e estão aí, usufruindo do prestígio de defender o Corinthians e embolsando os altos salários que o clube paga (quase sempre) em dia. Aqueles, que chegaram a declarar que não tinham mais o que provar no clube. Foram criticados em 2013, seguem criticados em 2014, mas poucos os apontam como co-autores dos resultados em campo.

Para esse ano, contratações foram feitas. O que foi uma façanha, considerando o baixo valor reservado para reforços. Mas chegaram, e naturalmente foram integrados, recebendo a chance de provar seu valor. Daí pra de repente conquistar uma eventual titularidade, é consequência.

A pergunta que se faz, então, é: se foi assim com o Mano, não seria com o Tite? Claro que sim.

Negar isso é inocência, turrice. Pois mudar o time é praxe em início de temporada. Elenco diferente, convicções diferentes, esquema diferente, futebol diferente. Isso aconteceu de 2010 pra 2011, de 2011 pra 2012 e de 2012 pra 2013. Logo...

Vejam, o que me incomoda não é a saída dele, por si só. Mas as circunstâncias. O fato de terem pintado essa demissão como a luz no fim do túnel, a saída natural. O único desfecho possível para resolver a crise. E não é bem assim.

Quando o jogador quer, ele melhora. Esse ano já provou isso. O Romarinho, que caiu de produção em 2013, refletiu nas férias e voltou a correr. Até "faser iso" ele voltou a "faser". O Guerrero é outro, depois das lesões, voltou muito bem.

Agora, outros como Ibson e Pato, estão iguais. Igualmente improdutivos. Claro, cada qual com sua qualidade. O Ibson nunca vai render no Corinthians (ninguém é produtivo estando em um lugar onde é odiado). Já o Pato é um craque, mas parece ter se esquecido disso. Contra ele, ainda pesa o fato de ele achar que faz o bastante. Ao invés de assumir as responsabilidades e evitar transferi-las, como bem disse o Mano.

Enfim, o meu ponto é que com essa reformulação de um homem só, estamos sujeitos a ver os problemas de displicência continuarem - assim como a instabilidade de desempenho. Pois muitos dos responsáveis pela crise de 2013 foram eximidos de sua culpa com a demissão do eleito para assumir toda essa culpa: o técnico. Estratégia típica dos cartolas, que de quebra atenderam à torcida...

Muitos dizem que o Corinthians mudou muito nesse início de ano, que taticamente o time está mais ofensivo e tal, mas foram 3 gols marcados em 3 partidas. Um por jogo. É cedo, claro, mas o fato é que estamos criando muito e aproveitando pouco - como em 2013.

Enfim, se sou uma viúva do Tite ou não, não sei. Talvez seja. Mas odeio injustiças, e o justo era que sua demissão fosse acompanhada por uma reformulação de verdade. Ou então que nenhuma reformulação fosse feita. Um meio termo nada mais é do que um paliativo, uma bela gambiarra pra fechar os olhos do torcedor.

Espero que mesmo assim dê certo e o Corinthians volte a ser um time vencedor! Mas que algo me incomoda, me incomoda.

4 comentários:

  1. tu sabe quem eu sou27/01/14 14:47

    Ótimo texto, aquele texto com DNA de Keppler mesmo.
    Sobre o Tite, entendo sua ''revolta'', a reformulação não aconteceu, Corinthians mandou abs pro Tite e alguns caras ou algum cara da diretoria, apenas.
    Acho que tudo que começa, tem um final, no meu ponto de vista, a Era Tite terminava ali, adoro, gosto demais do Adenor, como pessoa, jogador, treinador, mas como falei, tinha que botar ponto final.

    Texto sensacional, é só abrir um pouco a caixinha que vc consegue escrever, sobre o caso da Portuguesa, a justiça conseguiu outra liminar pra Lusa e Fla, Fluminense volta pra Série B.

    Demais, Dani, texto ''mito''

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  2. Considero que o grande problema está ligado às cláusulas contratuais e aos altos salários que dificultam que nos livremos de alguns jogadores acomodados e/ou de menor qualidade. Tempo longo de contrato, altos salários, alto valor das multas, renovações indevidas, etc, engessam a diretoria e limitam a necessária reformulação. E a comissão técnica fica com um pepino na mão. Como fazer um estrogonofe com mais carne de pescoço do que filé mignon?

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    1. Concordo! É um problema mesmo, mais um de tantos... mas acho que esse incômodo vai passar com o tempo. Sempre foi assim, né?

      Obrigado pelo comentário, é sempre ótimo vê-la por aqui!

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  3. Sabe, Daniel.
    Se fôssemos torcedores comuns, de times comuns, sua agonia em escrever e se sentir desiludido com tudo e com todos, seria algo natural.
    Mas, temos a sorte de sermos torcedores de um time diferente, onde a TORCIDA (ao menos, boa parte dela) se importa com o desempenho do time não pensando em "títulos da moda". Somos a torcida que tem um time, já disse muito bem o Miguel Bataglia.
    Em 2014, eu acredito num ressurgimento. Estava conversando com um amigo corinthiano aqui de Cuiabá/MT, sobre isso. Nos piores momentos, o time sempre renasceu! Em 76, após a derrota na final pro Inter/RS, foi assim. Em 77, ganhamos o Paulista. Em 81, a crise acabou criando a Democracia Corinthiana. A desclassificação no Paulista de 89, nos fez ganhar em 90. As últimas, foram a queda pra série B e a jogo em Ibagué/Colômbia. Em TODAS ESSAS OPORTUNIDADES, o time ressurgiu. E assim será novamente em 2014.

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