Corinthian-Casuals - Brasil Tour 2015: Sobre sonhos, esperança e fé

O dia 24/01/2015 ficará marcado na história de muita gente!
Pesquisas indicam que dificilmente um sonho é lembrado integralmente por um indivíduo. Isso pois as "memórias" acumuladas se perdem rapidamente por entre os momentos de lucidez, que invadem a mente quando acordamos.

Nunca achei isso muito justo. Afinal, existem coisas que só podemos conquistar nos sonhos. Pode ser algo temporariamente além de nossas condições, como uma casa própria ou o carro do ano; ou ainda algo que seja realmente inatingível, como voar. De uma forma ou de outra, quando acordamos, tudo acaba, se esvai. E nada resta além da impressão de que tudo estava bom demais pra ser verdade, de fato.

Por sorte, o homem descobriu que, quando sonha em conjunto, pode transformar certos sonhos em realidade. O trabalho em equipe multiplica as forças, as esperanças e a fé no impossível, de forma que ele pode transformar um sonho em realidade - e dessa forma, esse sonho torna-se palpável, e passível de ser vivido, sentido e aproveitado na sua plenitude. Pra minha sorte, tive a chance de, pela primeira vez na vida, ver isso acontecer em frente aos meus olhos, ao participar do Tour Brasil 2015 do Corinthian-Casuals FC.

É difícil descrever tudo o que aconteceu entre os dias 18 e 25 desse mês de janeiro. Os sentimentos variaram da gratidão pela oportunidade recebida, passando pela realização de um trabalho do qual fui só uma pequena parte, até a mais pura emoção de ver que tantos foram felizes por conta desses momentos. Afinal, não é todo dia que vemos pessoas comuns, unidas pelo prazer de praticar um esporte sem desejar nada em troca, serem recebidas em um país estranho como se fossem estrelas, simplesmente por defenderrem em campo o nome "Corinthian", que tanto prezamos, respeitamos e exaltamos até as últimas consequências.

Não há dinheiro que pague a satisfação de ver pessoas comuns, como Jamie Byatt, tendo a chance de viver o sonho de suas vidas... não há! (Foto: Stuart Tree - CCFC)

De fato, só esse corinthianismo fanático, exacerbado, quase sem sentido, poderia explicar o que levou dezenas de pessoas a um aeroporto tão fora de mão como Cumbica em um sábado à noite, para recepcionar ilustres desconhecidos. Mais que isso: só esse "Corinthian Spirit", eternizado pelos ingleses em um passado remoto, pôde ser capaz de envolver tantas pessoas em um projeto que de tão ambicioso, parecia quase impossível: quase um sonho.

Chris e Jay no Parque São Jorge (setembro/2014)
Mas, como disse, era um sonho partilhado por muitas pessoas, cada uma a seu modo e em seu tempo. Pessoas como o Chris Watney, remanescente da excursão de 2001 e idealizador de todo o projeto; como Jay Barrymore, profissional que agregou imensamente às negociações, iniciadas em 2014 com o Corinthians; como Danilo Augusto, que ajudou de forma decisiva a tornar o projeto uma quase unanimidade entre a torcida corinthiana; como o Endd Fugg Hara, cuja alegria e dedicação simplesmente transformaram a atmosfera da delegação; ou ainda como meus parceiros de trabalho e novos amigos, Mathieu Anduze e Marie e Fabionei Bakhuizen, cujo profissionalismo na execução de suas tarefas foi essencial para o sucesso que o Tour se revelou.

Não gostaria parecer injusto, ao citar apenas alguns nomes. Cito esses pois foram algumas das pessoas com quem mais convivi. E também porque esse post em especial não é um relato jornalístico ou profissional. É um relato pessoal, e muito emocional, sobre o turbilhão de emoções a que o Corinthian-Casuals me submeteu nesses oito dias. O nó na garganta não se desfaz desde domingo e o choro sai fácil desde então.

Por ser um relato pessoal, não posso deixar de falar sobre aqueles que, participando ou não, foram importantes em algum momento desde 2013, quando tomei conhecimento do projeto do Tour. São pessoas que, de perto ou de longe, deram seu apoio e assim contribuíram (às vezes sem nem perceber) para que a esperança jamais fosse suplantada pelo pessimismo... para que o sonho continuasse a ser um opção! Obrigado Jagno, Leandro, Matheus, Jhon, Ricardo, Paolo, Rangel, Vinicius, Julio César, Alberto, Rafael, Fabricio, e tantos outros. Lamento por todas as vezes em que gostaria de ter contado mais sobre o projeto e não pude, por razões óbvias.

Também peço desculpas a todos que me contataram em algum momento durante o Tour e não pude atender, seja por falta de tempo, disponibilidade ou mesmo de autonomia. Gostaria de ter ajudado a todos, de verdade, mas o lado profissional precisava falar mais alto, ainda que isso me obrigasse a reprimir o lado fã por diversas vezes. Foi algo difícil mas extremamente recompensador.

Pretendo postar alguns relatos mais diretos sobre como foi essa experiência - e assim, dar o devido espaço a todos que citei acima, e a todos os outros mais cujo engajamento e participação foi essencial.

Acredito, por fim, que as grandes lições que esse tour deixou são que: até os mais simples dos homens podem carregar em si uma alma carregada de nobreza; que desistir nunca deve ser uma opção para nada nem ninguém; e que não existe impossível quando um grupo de pessoas se une em torno de um ideal. Graças a essas lições, o legado do Corinthian FC sobrevive com toda a força desde 1882, herdado pelo Corinthian-Casuals, e sob a força esse legado, fomos capazes de superar todas as expectativas!

Humildade, união, amizade e espírito esportivo: os legados que o Corinthian-Casuals deixa no Brasil

Volto em breve, com histórias e registros da melhor semana que já vivi. Espero que possam aguardar! Vai Corinthians!

#BrothersInFootball

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