Cristóvão: pior que Adilson, Leão, Passarella e Geninho [Análise]

Cristóvão Borges se juntou a um time de técnicos que não deixaram saudade no Timão
Cristóvão Borges caiu. É como diz o ditado, há males que vem para o bem. Foi necessário perder o Derby para que a diretoria do Corinthians tivesse a certeza do erro que havia cometido ao trazê-lo. Infelizmente, agora, estamos mais longe do líder do que quando ele chegou, há 90 dias. Até mesmo o G-4 não é mais uma meta tão fácil de se atingir, como parecia antes. Enfim.

Durante uma boa parte da era Cristóvão, a torcida do Corinthians se dividiu entre os que suspeitavam do desastre que seu trabalho seria, devido ao seu fraco histórico em clubes anteriores, e os que clamavam por uma chance, relembrando os vários momentos difíceis que Tite havia passado (e superado) no clube. Afinal somos o clube que havia tido três técnicos em oito anos, que ficamos conhecidos por confiar nos treinadores, lhes dar estabilidade. Não podia ser diferente com o Cristóvão, então.

O problema é que, infelizmente, torcedor tem memória curta. Esquece com facilidade. E por causa disso, não se dá conta de um fato: trabalhos como os de Mano Menezes entre 2008 e 2020 e Tite entre 2010 e 2013 são exceções no Corinthians... não regra. Para constatar isso basta olha um pouco para o passado: antes deles, o último treinador que havia conseguido ficar uma temporada inteira no Parque São Jorge havia sido Carlos Alberto Parreira, em 2002. Antes dele chegamos a Vanderlei Luxemburgo, em 1998. E antes dele, temos que recuar até Mário Travaglini, que dirigiu o Corinthians entre 1981 e 1983!

Fazer uma análise histórica também nos permite perceber o quão ruim o trabalho de Cristóvão foi. Não seria muito justo comparar seu trabalho com os de Tite e Mano. Então resolvi ir mais a fundo: comparei seus números com os de todos os técnicos do Corinthians no século XXI. E o resultado foi muito interessante.

Cristóvão Borges dirigiu o Corinthians em 18 jogos. Venceu sete, empatou cinco e perdeu seis. Com ele o clube marcou 23 gols e sofreu 20. Um baixo aproveitamento de 48,1% dos pontos - um número pior não apenas pior do que as três passagens de Tite e as duas de Mano Menezes, mas também pior que Adilson Batista, Emerson Leão, Daniel Passarella, Antônio Lopes e até mesmo Geninho na sua primeira passagem. Além disso, só foi um pouco melhor que Ademar Braga, outro que passou pelo Corinthians, mas não convenceu.

No gráfico abaixo, você pode fazer a comparação por conta própria. Listei todos os técnicos do Corinthians desde Dario Pereyra (2001) por aproveitamento de pontos. Apenas não inclui Jairo Leal e Fábio Carile, interinos. Confira:
Lista de técnicos do Corinthians desde 2001, por aproveitamento de pontos (%)
Os trabalhos parecidos com o de Cristóvão Borges deixaram pouca ou nehuma saudade no Corinthians. Vamos relembrar um pouco?

Geninho (2003)
55 jogos. 24 vitórias, 13 empates, 18 derrotas. 91 gols marcados, 73 gols sofridos. Aproveitamento de 51,5%

Geninho foi contratado no início de 2003 para o lugar de Carlos Alberto Parreira, que no ano anterior levou o Corinthians aos título do Rio-São Paulo e da Copa do Brasil, além do vice no Brasileiro. Começou bem, mantendo o bom futebol. e chegou a conquistar o título paulista sobre o São Paulo. No entanto, o time começou a alternar resultados: ganhou apenas um dos seis primeiros jogos no Brasileiro e amargou a eliminação na Libertadores, diante do River Plate (ARG). Chegou a ficar em 4º lugar na 12ª rodada, mas a saída de 12 jogadores só fez piorar o futebol. A gota d'água foi a humilhação sofrida no Sul, quando perdemos por 6x1 para o Juventude. Geninho pediu demissão ao vivo, pelos microfones da Globo.

Primeiro jogo: Marília 0x2 Corinthians - Campeonato Paulista, 25/01/2003
Último jogo: Juventude 6x1 Corinthians - Campeonato Brasileiro, 28/09/2003



Daniel Passarella (2005)
15 jogos. 7 vitórias, 3 empates, 5 derrotas. 27 gols marcados, 22 gols sofridos. 53,3% de aproveitamento

O argentino, que na época trabalhava com a MSI na Argentina como consultor, chegou ao Corinthians em março de 2005 para substituir Tite, demitido por Kia Joorabchian. Sua missão era clara: fazer a "seleção" de contratados da parceira, como Tevez e Mascherano, funcionar em campo. Após uma estreia desastrosa contra o Cianorte, pela Copa do Brasil, o time engatou uma sequência de 11 jogos invicto, parecendo que ia ter um bom futuro. Mas a eliminação na Copa do Brasil diante do Figueirense, seguida pela goleada por 5x1 sofrida contra o São Paulo pelo Brasileiro, acabaram causando a saída do treinador.

Primeiro jogo: Cianorte 3x0 Corinthians - Copa do Brasil, 09/03/2005
Último jogo: Corinthians 1x5 São Paulo - Campeonato Brasileiro, 08/05/2005



Antônio Lopes (2005-06)
37 jogos. 19 vitórias, 7 empates, 11 derrotas. 74 gols marcados, 43 gols sofridos. 57,7% de aproveitamento

Lopes chegou ao Corinthians em setembro, para o lugar de Márcio Bittencourt. Há os que até hoje critiquem a decisão, afinal Márcio deixou o clube na vice-liderança do Brasileiro, com 69% de aproveitamento e jogando muito bem. Foi sob o comando dele que ocorreu a goleada de 7x1 contra o Santos. Campeão brasileiro, foi mantido para a temporada seguinte, mas não conseguiu encaixar uma sequência de resultados. Acabou pedindo demissão em março após uma sequência de duas derrotas - uma para o Tigres (MEX) pela Libertadores, outra para o São Paulo pelo Paulista.

Primeiro jogo: River Plate (ARG 1x1 Corinthians - Copa Sul-Americana, 28/09/2005
Último jogo: Corinthians 1x2 São Paulo - Campeonato Paulista, 12/03/2006



Ademar Braga (2006)
15 jogos. 6 vitórias, 3 empates, 6 derrotas. 25 gols marcados, 24 gols sofridos. 46,7% de aproveitamento

Auxiliar de Antônio Lopes. Ademar assumiu o clube em seu lugar como técnico interino. Três jogos depois, porém, foi efetivado pela diretoria, após o Corinthians desistir de trazer outro nome. Foi sob seu comando que aconteceu a marcante vitória de virada contra a Universidad Católica (CHI) pela Libertadores, fora de casa e com dois jogadores a menos. Conseguiu levar o Corinthians às oitavas da Libertadores, porém mais uma vez a equipe foi eliminada de forma traumática pelo River Plate (ARG). Acabaria substituído menos de uma semana depois por Geninho, que faria sua segunda (e pior) passagem pelo clube.

Primeiro jogo: América de Rio Preto 2x1 Corinthians - Campeonato Paulista, 19/03/2006
Último jogo: Paraná 1x2 Corinthians - Campeonato Brasileiro, 14/05/2006



Emerson Leão (2006-07)
46 jogos. 22 vitórias, 13 empates, 11 derrotas. 68 gols marcados. 51 gols sofridos. 57,2% de aproveitamento

Chegou para o lugar de Geninho, que em 11 jogos comandando o Corinthians perdeu nada menos que oito vezes, deixando o time na lanterna do Brasileiro. Em seis jogos Leão conseguiu tirar o time da zona de rebaixamento, terminando a competição em um honroso 9º lugar. Mantido para 2007, não conseguiu manter o desempenho, e acabou demitido em abril após não conseguir levar o Corinthians às semifinais do Campeonato Paulista.

Primeiro jogo: Fluminense 1x2 Corinthians - Campeonato Brasileiro, 16/08/2006
Último jogo: Corinthians 2x2 Sertãozinho - Campeonato Paulista, 31/03/2007



Adilson Batista (2010)
17 jogos. 7 vitórias, 4 empates, 6 derrotas. 32 gols marcados, 24 gols sofridos. 49,0% de aproveitamento

Em julho de 2010, ano do centenário corinthiano, o clube perdeu o técnico Mano Menezes para a seleção brasileira. Para seu lugar, trouxe Adilson Batista, campeão mundial de 2000 como jogador. A expectativa era de fazer o Corinthians conquistar um título na temporada - algo possível, já que o clube era vice-líder do Brasileiro. No entanto, sob seu comando a equipe alternou entre ótimos jogos, como o 3x0 contra o São Paulo e o 5x1 contra o Goiás, com derrotas inexplicáveis para times da parte de baixo da tabela, como Avaí e Atlético-GO (duas vezes). A última partida de Adilson, inclusive, foi contra o time goiano: derrota por 4x3, em pleno Pacaembu.

Primeiro jogo: Palmeiras 1x1 Corinthians - Campeonato Brasileiro, 01/08/2010
Último jogo: Corinthians 3x4 Atlético-GO - Campeonato Brasileiro, 10/10/2010



Outros dados mostram como o trabalho de Cristóvão foi mediano. Sob seu comando o clube venceu apenas 38,9% dos jogos que disputou - a menor porcentagem desde Nelsinho Baptista, técnico do Corinthians na campanha do rebaixamento em 2007. Também não encantou pela ofensividade: os 23 gols marcados dão a Cristóvão uma média de apenas 1,28 por jogo - novamente a pior desde Nelsinho. Apenas os números da defesa ficam mais próximos do histórico recente: 20 gols sofridos, que dão uma média de 1,11 por jogo - pior que as médias de Mano e Tite, mas bem melhor que Adilson em 2010.

Agora é esperar e ver o que Fábio Carile vai conseguir conquistar com o Corinthians nessa temporada. Que tenha mais sorte que seu antecessor...

Confira abaixo os dados que basearam essa análise:

0 comentários:

Postar um comentário