Não foi aquele Corinthians do primeiro turno, mas foi um Corinthians possível - e vencedor

Marquinhos Gabriel, Clayson e Rodriguinho: três destaques da vitória corinthiana (Foto: Agência Corinthians)
Dizer que o Corinthians entrava pressionado para o jogo contra o Coritiba talvez seja um pouco demais. Mas o fato é que, desde a vitória contra o Sport, no encerramento daquele primeiro turno praticamente perfeito, o time era outro. Em nove jogos desde então, apenas duas vitórias e três derrotas. Somente cinco gols marcados, sete sofridos. Números dignos de um time na zona de rebaixamento. E que, não fosse a mediocridade dos concorrentes ao título, poderiam ter colocado a liderança em risco.

Mas se o Corinthians não estava pressionado, no mínimo estava ciente de que precisava fazer mais. E o jogo era propício para isso: bastava o time querer. Mesmo com desfalques, como Fagner e Pablo. Mesmo com mudanças na equipe titular, como a entrada em definitivo do Marquinhos Gabriel. Todos sabiam que dava pra fazer mais e melhor.

E o que se viu nos primeiros minutos de jogo foi um alento: trocas rápidas de passes, triangulações... um Corinthians que estava sumido fazia tempo! O gol foi questão de tempo: logo aos nove minutos, Balbuena achou Jadson na intermediária, que de primeira - e de calcanhar! - tocou para Jô, que foi certeiro na finalização: Corinthians 1x0. Um gol com a rapidez e eficiência que foi a tônica do primeiro turno.

Seria uma pena se o time tivesse meio que parado por aí. Jadson, por exemplo, pareceu esgotar todo o futebol da noite naquele passe. Depois, morreu. O título de craque do meio-campo, que podia ser dele, acabou entregue a Marquinhos Gabriel, que definitivamente voltou a merecer o apelido de Messinho Gabriel! Onde você estava esse tempo todo, rapaz? Felizmente para o Corinthians, o meia vem melhorando seu futebol a cada jogo que passa, e ontem, como titular, deu outra cara ao meio-campo alvinegro. Até mesmo Rodriguinho jogou melhor com ele do lado. E isso é excelente para o time.

A acomodação da equipe bem que poderia ficar reservada ao ataque, e assim o primeiro tempo terminaria com a vantagem mínima do Corinthians no placar. Mas nem tudo é como queremos, e a desatenção foi transmitida aos defensores. Não apenas no final do primeiro tempo, como no começo do segundo, Cássio se viu forçado a fazer dois verdadeiros milagres, mas infelizmente não evitou o gol de empate do Coritiba, ainda aos 39 minutos da primeira etapa, graças a uma incrível falha de marcação que permitiu a Henrique Almeida subir sozinho para marcar na cobrança de escanteio. Lá se foi a vantagem no placar.

Gols do Corinthians na partida

Mas, quem diria, depois de um susto logo nos primeiros minutos do segundo tempo, o Corinthians cresceu. Dominou o jogo, e começou a criar chances. Só faltava aquela atenção maior no último passe. Aos nove, Léo Príncipe cruzou e Jô tentou - ficou no quase. Aos 13, Camacho fez boa jogada, mas Wilson impediu a finalização do atacante. Foi quando ele entrou em cena: o cara que, pelo visto, vai ser o xodó desse título, se o hepta for confirmado: Clayson, que substituiu Maycon aos 15 minutos. 

Rodriguinho foi recuado; na frente, um quarteto composto por Clayson, Jadson, Marquinhos Gabriel e Jô. Com essa formação, o Corinthians se impôs de vez e incendiou o jogo - e, por tabela, os 36439 torcedores que foram à Arena. É verdade que não foi AQUELE Corinthians do primeiro turno... mas foi um Corinthians possível. E que se resolver aparecer mais vezes no futuro, nos garante o troféu sem sombra de dúvidas.

O Coritiba não ficava com a bola, e isso finalmente não pareceu ser um problema para o líder do campeonato, que sabia muito bem o que fazer com ela. As chances eram perdidas uma atrás da outra, com Clayson (mais de uma vez), Marquinhos Gabriel (que quase fez um golaço do meio da rua), Jô... o gol novamente parecia ser questão de tempo. E era: aos 33, Jô recuperou a bola na linha de fundo e todou para Léo Príncipe, que cruzou para Rodriguinho desviar na cabeça de Clayson, o iluminado da noite: Corinthians 2x1, enfim. Nada mais do que o merecido.

Foi um gol nascido em uma jogada aérea, e isso foi um dos pontos altos da noite. O Corinthians, finalmente, pareceu ser um pouco mais certeiro (um pouco!) nos cruzamentos do que ultimamente. Pelo menos ontem, nem todos eram interceptados pela defesa do Coritiba; muitos encontraram algum corinthiano na área, e isso é essencial para um time que passou a depender muito mais de jogadas aéreas do que antes.

O jogo ficou morno no terço final do segundo tempo. Carille sacou Jadson para colocar Fellipe Bastos (lembram dele?), e o fato de isso não ter mudado em nada o jogo mostra o quanto nosso Magic Jadson tem sido um jogador mais que comum. Poucos minutos depois, Jô saiu para a entrada de Kazim. Nesse meio-tempo, um susto: gol do Coritiba, bem anulado por impedimento. Foram dois na noite, aliás. Mas sem polêmica, dessa vez.

Ainda houve tempo para deixar o placar mais realista sobre o que foi o jogo: aos 43, Rodriguinho avançou pelo meio-campo, driblou o defensou e chutou forte de fora da área: a bola explodiu na trave e, mansamente, procurou os pés dele, Clayson, que só precisou empurrar para o gol: Corinthians 3x1, com dois gols do novo xodó da Fiel.

Com a vitória, o Corinthians chegou aos 58 pontos, e abriu (provisoriamente) 11 pontos do vice-líder, que joga hoje. Segundo o técnico Fabio Carille, a comissão técnica projeta mais cinco vitórias nos 11 jogos restantes para garantir o heptacampeonato brasileiro. Se continuar jogando como no segundo tempo, não há porque não imaginar que esse objetivo é perfeitamente alcançável.

No entanto, para isso, é urgente que Marquinhos Gabriel e Clayson integrem definitivamente a equipe titular. Ambos têm feito o Corinthians evoluir a olhos vistos, e vêm acumulando exibições individuais que simplesmente não podem ser ignoradas! As opiniões sobre quais jogadores deveriam sair para a entrada de ambos são as mais diversas, mas eu tenho dificuldades de ver Romero fora dessa equipe, mesmo sabendo de seu jejum no ataque, que já dura quatro meses. É um dos atletas mais defensivamente eficientes do Corinthians e do Brasileirão! Preferia dar um chá-de-banco no Jadson, por exemplo, que quando não tá a fim de jogo faz o time jogar com um a menos. Não podemos passar por isso. Outro jogador teria que sair do time, mas hoje não tenho opinião formada sobre quem deveria ser.

Agora são três dias até o jogo contra o Bahia, na Fonte Nova. Podemos sair de lá com no mínimo um ponto, ou mesmo com os três. Nem precisamos ser o Corinthians do primeiro turno... sendo o "Corinthians possível" de Clayson e Marquinhos Gabriel, conseguimos a vitória! Vai Corinthians!

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